quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Rússia e China alertam o Ocidente após ameaça de Obama à Síria


MOSCOU, 21 Ago (Reuters) - O chanceler russo, Sergei Lavrov, fez um alerta ao Ocidente para que não tome qualquer ação unilateral sobre a Síria, afirmando que Rússia e China concordam que violações às leis internacionais e à Carta da ONU não são permissíveis.
Rússia e China se opuseram a intervenções militares na Síria ao longo dos 17 meses de um conflito sangrento entre rebeldes e as tropas leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Os dois países vetaram três resoluções defendidas por Estados árabes e potências ocidentais no Conselho de Segurança da ONU, que aumentariam a pressão sobre Damasco para encerrar a violência.
Lavrov, citado por agências de notícias russas durante encontro com um importante diplomata da China, fez os comentários um dia após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter dito que as forças dos EUA poderiam agir contra Assad se ele usar armas químicas contra os rebeldes. Essas foram as palavras mais duras de Obama contra o regime sírio desde o início da revolta.
Rússia e China baseiam sua cooperação diplomática na "necessidade de seguir estritamente as normas das leis internacionais e os princípios contidos na Carta da ONU, e em não permitir suas violações", disse Lavrov, segundo a Interfax, durante o encontro com o conselheiro de Estado da China, Dai Bingguo.
"Acredito que este é o único caminho correto nas condições de hoje", disse Lavrov.

domingo, 19 de agosto de 2012

Unasul apoia Equador na concessão de asilo a Assange

Reunião de chanceleres ocorreu após denúncia de que embaixada do Equador seria invadida por autoridades britânicas na tentativa de prender fundador do WikiLeaks

A União de Nações Sul-americanas (Unasul) deu respaldo ao Equador neste domingo em relação a 'ameaça' que o país andino recebeu do Reino Unido, que queria invadir a embaixada equatoriana em Londres para prender o fundador d0 Wikileaks, Julian Assange, e também pediu um diálogo para solucionar esse impasse.
Assim diz a declaração final do Conselho de chanceleres da Unasul, realizado hoje em Guayaquil, que começa manifestando solidariedade e respaldo ao país andino perante 'a ameaça de violação do local e de sua missão diplomática'.
O texto do Conselho de chanceleres da Unasul também pediu 'às partes continuar o diálogo e a negociação direta em procura de uma solução mutuamente aceitável com regra no direito internacional'.
Além disso, a declaração de Guayaquil reiterou o direito soberano dos Estados de conceder o asilo, condenou a ameaça do uso da força entre os estados e reiterou a plena vigência dos princípios consagrados no Direito Internacional, o respeito à soberania e o fiel cumprimento dos tratados internacionais.
Da mesma maneira, a Unasul reafirmou o princípio fundamental de inviolabilidade dos locais das missões diplomáticas, assim como o princípio de direito internacional em relação ao fato de 'não poder usar o direito interno para não cumprir uma obrigação de caráter internacional'.
Antes da divulgação da conclusão da reunião da Unasul, o chanceler do Equador, Ricardo Patiño, já havia abordado essa mesma questão. 'Os tempos do colonialismo ficaram para trás. As normas internacionais de convivência obrigam todos os estados do mundo, independentemente de seu poder econômico, político e de seus arsenais nucleares, a cumpri-las sem exceções', afirmou.

No Brasil, 284 já morreram este ano de gripe suína


CURITIBA - O pico de mortalidade por influenza A (H1N1) - gripe suína -, no Brasil este ano, ocorreu no fim de junho. Desde então, o número de mortes causadas pela doença vem diminuindo no país. A informação consta de boletim do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.
De acordo com os dados, houve em todo o país 284 mortes de pacientes que contraíram o vírus Influenza H1N1, desde o início de janeiro até o último dia 12 de agosto. O maior número de mortes ocorreu entre pacientes que tiveram os primeiros sintomas na 25ª semana do ano, entre os dias 17 e 23 de junho - 46 das pessoas que morreram apresentaram início dos sintomas nesse período. Nas quatro semanas seguintes, o número diminuiu.
Embora esses dados sejam preliminares - ainda há mortes sob investigação - , a expectativa do Ministério da Saúde é que seja mantida a tendência de queda nos óbitos.
O total de mortes ocorridas este ano corresponde, até agora, a 13,8% do total verificado em 2009, quando 2.060 pessoas morreram no Brasil. O fim da pandemia da doença foi decretado em agosto de 2010 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Com 73 mortes, o estado de Santa Catarina é o que registra o maior número de ocorrências este ano, seguido por São Paulo (59), Rio Grande do Sul (56), Paraná (38) e Minas Gerais (25). Juntos, esses cinco estados concentram 251 óbitos, o que equivale a 88,4% do total registrado no país.

sábado, 18 de agosto de 2012

Mais da metade dos israelenses é contra guerra com Irã, indica pesquisa

Importantes setores da sociedade israelense pedem aos militares do país não obedecerem ordem de ataque
Enquanto o governo de Israel parece se aproximar cada vez mais da opção de bombardear o Irã, a sociedade israelense demonstra sua oposição à medida.  Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Democracia em conjunto com a Universidade de Tel Aviv divulgada nesta quinta-feira (16/08) mostrou que a maior parte de seus entrevistados é contra a guerra.
Cerca de 60% dos entrevistados afirmou ser contrário a um bombardeio das Forças Armadas israelenses contra o Irã, enquanto que apenas 27% disse ser favorável. A medida também encontra oposição de importantes setores da sociedade do país, que começaram a se mobilizar contra a possível guerra. 
Mais de 400 israelenses, incluindo professores das melhores universidades do país, assinaram uma petição online pedindo aos pilotos das Forças Armadas se recusarem a bombardear o Irã, caso sejam ordenados. A carta, que foi traduzida para o inglês e persa, lista cinco motivos para os militares não apoiarem a guerra e indica que eles possuem a opção de dizer “não”.
“Certamente, esta não é uma opção simples”, diz o texto lembrando que o futuro de Israel está, no momento, nas mãos dos pilotos. “Entretanto, é seu dever considerar com cuidado e seriedade a possibilidade de que ao dizer a pequena palavra ‘Não’, você vai estará prestando um serviço importante e vital para o Estado de Israel e todos os que vivem aqui. Este serviço seria infinitamente mais importante do que a obediência cega a essa ordem particular”, completa.

Israelenses carregam cartazes da campanha "Iranianos, nós amamos vocês" em protesto contra guerra ao Irã
Um ataque israelense ao Irã implica diferentes consequências na cena política e social da região e não significaria necessariamente o fim do programa nuclear do país, afirma a petição. Além de arriscar possíveis ataques iranianos em cidades israelenses, uma possível guerra trará ainda mais instabilidade para os países do Oriente Médio e pode ter consequências nefastas para a economia mundial caso seja fechado o Estreito de Hormuz, por onde passa a maior parte do petróleo mundial.
A carta também aponta que os pilotos podem se envolver em um “crime de guerra” ao bombardear usinas nucleares por “provocar a dispersão de materiais radioativos entre a população civil”. “Para resumir, nós consideramos a decisão de lançar um ataque ao Irã uma grande erro, que poderá trazer riscos importantes ao Estado de Israel sem resolver o problema inicial”, conclui o texto. 
O argumento central desenvolvido pelos ativistas é de que os pilotos têm de pensar sobre suas ações antes de acatar as ordens de seus superiores, o que pode parecer um conselho estranho à militares. “Apesar de pertencerem a um dos grupos de elite do exército, existe uma longa tradição entre os pilotos das Forças Armadas em servir às ocupações israelenses na Palestina e no Líbano”, explica o ativista e jornalista Richard Silverstein. 
A pesquisa e a petição podem ser sinais para o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, repensar a possibilidade de atacar o Irã. Cerca de 60% da população israelense reprova a política desenvolvida pelo premiê, informou uma recente pesquisa do jornal Haaretz. 

Brasil se solidariza com o governo do Equador, diz Patriota

Para chanceler brasileiro, não há como o Reino Unido ignorar os princípios de inviolabilidade de representações diplomáticas
Diante da tensão instalada após a diplomacia britânica se revelar disposta a invadir a embaixada do Equador em Londres para capturar o jornalista Julian Assange, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, disse nesta sexta-feira (17/08) que se solidariza com o governo de Rafael Correa e que não há como ignorar a “inviolabilidade das instalações das representações diplomáticas no exterior”.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro alegou que há inclusive uma declaração do Conselho de Segurança das Nações Unidas que ratifica o apoio de todos os seus membros (inclusive o do Reino Unido) ao princípio de inviolabilidade de representações diplomáticas presente na Convenção de Viena. Para tanto, recordou o episódio de 2011, quando o Conselho de Segurança condenou os ataques de cidadãos iranianos aos escritórios britânicos de Teerã.
De acordo com o artigo 22 da Convenção de Viena, “os locais da missão [diplomática] são invioláveis” e os agentes do estado acreditado, isto é, do estado que acolhe uma representação, “não podem neles penetrar sem o consentimento do Chefe da missão”. Mais além, é também função do Reino Unido nesse caso “adotar todas as medidas apropriadas para proteger os locais da Missão contra qualquer intrusão” e “evitar perturbações” a sua “tranquilidade” ou “dignidade”. No que diz respeito à essas determinações, Patriota disse que o Brasil se “solidariza” com o Equador.
Assange aguardava a concessão de um asilo político do Equador desde o dia 19 de junho, quando deixou sua prisão domiciliar e ingressou na embaixada do país em Londres. A resposta positiva veio nesta quinta-feira (16/08) e agora diplomatas do governo de Rafael Correa buscam meios de tirar o jornalista do Reino Unido.
O fundador do Wikileaks se refugiou na embaixada do Equador após não ter mais como recorrer das decisões da Justiça do Reino Unido em favor de sua extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. Seu argumento é de que todo este processo representa uma grande perseguição política originada a partir da revelação de vários documentos sigilosos de estado, em especial de dados secretos da diplomacia dos Estados Unidos.
Ainda neste fim de semana, a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) promoverá um encontro de diplomatas em Guayaquil, no Equador, para tratar do impasse. Não é certo ainda se Patriota participará pessoalmente das reuniões e é provável que o Itamaraty envie o embaixador responsável por assuntos latino-americanos, Antônio Simões.
Também na próxima quinta-feira (23/08), está agendada uma reunião de chanceleres da OEA (Organização dos Estados Americanos) em Washington.

Equador rechaça ameaças e concede asilo a Assange

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, anunciou nesta quinta-feira (16) que o país aceitou o pedido de asilo apresentado há cerca de dois meses pelo fundador do Wikileaks, Julian Assange.

"Há sérios indícios de retaliação por parte de um país ou países que se sentem afetados pela divulgação de informação confidencial [pelo site WikiLeaks], que pode pôr em causa a integridade de Julian Assange ou a sua vida", disse o responsável pela diplomacia equatoriana.

Patiño afirmou que se fosse extraditado para os Estados Unidos, na sequência da extradição para a Suécia, Assange não teria um julgamento justo e poderia inclusive enfrentar a pena capital. “O sr. Assange não teria um julgamento justo nos EUA e não é inverossímil que lhe fosse aplicado um tratamento cruel e degradante”, disse ainda o ministro.

Patiño reafirmou que as ameaças do governo britânico de invadir a embaixada para prender o australiano são inaceitáveis e explicou que o Equador convocou os diferentes organismos regionais para estudar o que qualificou de ameaça. “Em caso algum se podem aceitar esta chantagem, estas ameaças”, enfatizou.

Londres já tinha comunicado que a concessão do asilo não muda nada, e que o governo britânico tem a obrigação de extraditar Assange para a Suécia. Por outro lado, no documento ameaçador entregue às autoridades equatorianas, o governo britânico afirmou que não daria salvo-conduto ao australiano para sair da embaixada, o que faz prever que a sua permanência no prédio londrino, que à luz da lei internacional é considerado território do Equador, pode eternizar-se.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20731

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Israel ameaça atacar o Irã


O governo do Teerã considera improvável um iminente ataque de Israel às instalações nucleares do país árabe, disse nesta terça-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast. 


"Este tema é recorrente e se repetem afirmações infundadas. Nós não vemos o modo ou o motivo para que façam isso", disse Mehmanparast em relação às recentes informações sobre um eventual ataque israelense ao Irã.

"Mesmo que algum dirigente deste regime ilegítimo queira levar adiante uma ação tão estúpida, internamente não permitirão, porque sofrerão consequências muito duras por tal ação", completou.

As informações indicam que Israel poderia atacar instalações nucleares do Irã antes das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos. Israel e EUA denunciam que o programa nuclear do Irã tem fins armamentistas e ameaçaram reiteradamente atacar o país, que nega as acusações. 

O Irã reitera que seu programa nuclear tem objetivos civis. Vale lembrar que os Estados Unidos invadiram o Iraque sob o pretexto de que o país também estava produzindo armas de destruição em massa. Depois de oito anos de guerra, tais artefatos nunca foram encontrados - porque não existiam.

O governo iraniano assegurou que se for atacado, contudo, responderá com contundência contra o território de Israel e objetivos norte-americanos na região. "."A repetição destas declarações acontece pelos problemas internos no regime sionista, as divisões profundas entre eles e a enorme crise social que existe neste país", disse o porta-voz em referência a Israel, país que o Irã não reconhece.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=9&id_noticia=191158

Japão relembra vítimas do maior atentado terrorista da História

JAPÃO RECORDA VÍTIMAS DE BOMBARDEIO ATÔMICO DOS EUA: FOI O PIOR MASSACRE DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
Tóquio,  (Prensa Latina) Japão rendeu nesta segunda (06) homenagem às vítimas da bomba atômica lançada por Estados Unidos em 1945 sobre a cidade de Hiroshima, cujo prefeito, Kazumi Matsui, chamou novamente a eliminar as armas nucleares.
Dezenas de milhares de pessoas somaram-se a esta recordação, na qual também se reiterou o pedido a mais ajuda para os sobreviventes dessa tragédia, que enfrentam problemas de saúde causados pela radiação do mencionado artefato bélico.
Ao ler a Declaração de Paz desta cerimônia anual, Matsui assegurou: Prometemos transmitir as experiências e desejos de nossos hibakushas (pessoas afetadas pela bomba) e fazer quanto esteja ao nosso alcance para conseguir a verdadeira paz de um mundo sem armas nucleares.
Às 08h15min hora local (23h15min do domingo) guardou-se um minuto de silêncio, anunciado pelo sino de um templo, justo no momento em que se lançou a bomba que há 67 anos matou umas 147 mil pessoas.
Um segundo ataque desse tipo sobre a cidade de Nagasaki três dias depois causou mais de 70 mil mortes.
A homenagem realizou-se no Parque comemorativo da Paz de Hiroshima, onde compareceram sobreviventes à tragédia, familiares de vítimas, o premiê Yoshihiko Noda e diplomatas, entre outros.
A recordação teve lugar no meio de um grande debate sobre o uso da energia nuclear no país, depois do desastre na central de Fukushima provocado pelo terremoto e tsunami de março do ano passado.
A partir de então cobrou maior força neste arquipélago a rejeição a essa fonte de geração de eletricidade, apreciável em frequentes manifestações nas quais se pede o fechamento das usinas desse tipo.
http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=dba84d00c3a33df9f3bfb902940249ca&cod=10118

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cientistas portuguesas descobrem causa da doença de Parkinson

Cientistas da Universidade de Coimbra fazem mais uma descoberta e contrariam algumas das últimas explicações científicas sobre a origem da doença de Parkinson.


Uma equipa de investigadores de Coimbra descobriu que a principal causa da doença de Parkinson é a disfunção da mitocôndria, responsável pela produção de energia nas células, "contrariando algumas das últimas teses científicas" sobre a patologia.
A Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, lentamente progressiva e que se manifesta através de rigidez muscular, tremores, diminuição da mobilidade e instabilidade postural.
Afetará "mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo" e "em mais de 90 por cento dos casos" é de origem desconhecida, disse à Lusa Sandra Morais Cardoso, líder do grupo de investigadores, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (UC).
O estudo, publicado na revista "Human Molecular Genetics", vem demonstrar que "a deficiência no tráfego intracelular (autoestradas celulares) é provocada pela disfunção das mitocôndrias dos doentes", que são responsáveis pela produção de energia nas células, refere uma nota divulgada pela UC.
Sandra Morais Cardoso explica que "a disfunção mitocondrial é o evento que está na base da deficiente autofagia, o mecanismo através do qual ocorre a degradação de organelas disfuncionais e de proteínas danificadas", que permite eliminar o lixo biológico que se acumula ao longo do envelhecimento e que se não for expulso leva à morte das células.
A investigação, que tem como primeira autora a aluna de doutoramento Daniela Moniz Arduíno, vem também demonstrar que a ativação de uma autofagia deficiente, por si só, "é pior para o envelhecimento das células", prejudicando ainda mais o paciente.
"Até agora, julgava-se que a ativação da autofagia era boa para as células, mas verifica-se que isso não basta nos doentes de Parkinson, há também que promover as autoestradas celulares", sustenta Sandra Morais Cardoso.
A descoberta, "infelizmente, não se traduz numa cura da doença a curto prazo", mas "fornece novas pistas importantes para o desenvolvimento de futuros fármacos que previnam a interrupção do tráfego e, deste modo, assegurem o normal transporte intracelular", no entender da investigadora.
O desafio agora, disse, é perceber "como a função da mitocôndria leva à destabilização das autoestradas celulares".
A investigação foi realizada com base em células de doentes com Parkinson e desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
http://expresso.sapo.pt/cientistas-portuguesas-descobrem-causa-da-doenca-de-parkinson=f746653

Entidades de direitos humanos investigam genocídio indígena na ditadura

Brasília - O Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, a associação Juízes pela Democracia e a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo aceitaram o desafio de investigar as denúncias de violações dos direitos humanos contra os povos indígenas brasileiros cometidas pela ditadura militar (1964-1986), com o objetivo de dar subsídios para que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) possa destrinchar o assunto no seu relatório final. 

A pesquisa mal ainda está no início, mas já aponta indícios da prática de crimes graves, como o extermínio de aldeias inteiras, via fuzilamento, inoculação de doenças por roupa ou comida contaminada com doenças e lançamento de bananas de dinamite por aviões. Há também denúncias sobre existências de campos de concentração, centros de tortura e prisões ilegais, como a cadeia indígena de Krenak, em Minas Gerais. 

“São denúncias graves que impactam, inclusive, na forma de se fazer justiça de transição no Brasil”, afirma Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, responsável pelo site Armazém e Memória, e coordenador da pesquisa “Povos indígenas e ditadura militar – subsídios para a CNV (1946-1988)”. 
Confira a entrevista que ele concedeu à Carta Maior:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20708

Dívida pública espanhola alcançará 79,8% do PIB

A dívida pública espanhola alcançará 79,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, contra 68,5% no fim de 2011, anunciou o ministério da Fazenda em um comunicado, parte da apresentação no Congresso dos orçamentos gerais do Estado para 2012.

A dívida pública passará de 68,5% do PIB no fim de 2011 a 79,8%, nível que continua abaixo dos 90,4% que serão registrados na média na Eurozona", destacou o ministério, no dia em que o ministro da Fazenda, Cristobal Montoro, comparece ao Congresso para apresentar o projeto.
"Grande parte deste aumento será suportado pela administração central", afirma o documento, segundo o qual a necessidade de endividamento do Estado para 2012 é 30% inferior a 2011.
Alta taxa de desemprego
Segundo a última Enquete de População Ativa (EPA), feita pública no final de janeiro, o número de desempregados na Espanha ultrapassou a barreira histórica dos cinco milhões (5.273.600), o que situa o índice de desemprego em 22,85%.
O escritório comunitário de estatística Eurostat elevou ontem essa percentagem a 23,6%, com o que a Espanha registra o índice mais alto de toda a União Europeia, mais que o dobro da média comunitária (10,2%). EFE

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Tim derruba sinal de propósito


O Ministério Público (MP) do Paraná ingressou hoje (6) com ação judicial em que solicita a retomada da suspensão das vendas de chips da operadora de telefonia TIM Celular no estado.
A medida tem por base relatório da Anatel, segundo o qual a operadora derrubou de propósito as chamadas feitas pelo  plano Infinity — em que o usuário é cobrado por ligação, não pelo tempo de duração da conversa.
As conclusões da agência se deram depois de monitoramento em todo o Brasil, comparando quedas entre usuários do Infinity aqueles que não tem o plano.
Segundo a Anatel, em um único dia — 8 de março deste ano — a Tim derrubou 8,1 milhões de ligações e faturou, comisso, um extra de R$ 4,3 milhões.
Ação
A ação do MP é assinada pelos promotores Maximiliano Deliberador e Michele Zardo, ambos da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba.
O MP requer que a TIM seja condenada a indenizar os consumidores com a devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente pela operadora.
A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Paraná ingressou hoje com uma ação parecida contra a TIM. Os deputados também pedem que a suspensão contra a operadora seja retomada.
Suspensas no último dia 23 de julho como forma de punição pela má qualidade dos serviços prestados, as vendas de novas linhas de celulares e internet das operadoras TIM, Claro e Oi foram liberadas pela mesma agência na última sexta-feira (3).
A TIM havia sido proibida de vender seus produtos no Paraná e em outros 17 estados, além do Distrito Federal.
fonte: redebrasilatual.com.br

É preciso parar a mão assassina da PM de SP


Audiência discute o extermínio de jovens pela PM em São Paulo


No dia 26 de julho, aconteceu em São Paulo uma audiência pública no auditório do Ministério Público Federal para tratar do extermínio de jovens no estado de São Paulo. Nesses últimos meses, o número de jovens mortos pela PM no estado alcançou números alarmantes. Segundo Daniela Scromov, defensora pública, a PM de São Paulo mata por ano entre 500 a 600 pessoas, muito mais do que se matou durante todo o período da ditadura militar (475 pessoas). Em cinco anos, a Polícia Militar de São Paulo matou nove vezes mais do que toda a polícia norte-americana.
Mas toda essa violência não ocorre de maneira aleatória. A PM tem um alvo certo. Em dez anos, entre 2001 e 2010, 93% das pessoas que morreram em supostos tiroteios com a PM em São Paulo moravam na periferia. Quase todas as vítimas (99,6%) são homens, jovens (eles têm entre 15 e 24 anos) e negros. É um verdadeiro massacre contra os jovens que, antes de serem mortos – geralmente com tiros nas costas ou na cabeça e de joelhos –, são humilhados, espancados e torturados. Sheila Eulália, moradora de Sapobemba, diz que no final de semana passado 3 jovens da comunidade foram executados quando faziam uso de álcool e drogas dentro de uma das casas da comunidade. Em seu relato ao plenário, ela disse que moradores tentaram intervir, pediam aos policiais que não matassem os jovens, mas eles foram executados diante de crianças e vizinhos. Matheus Baraldi, procurador da república, disse que a PM se tornou uma verdadeira “máquina de matar descontrolada” e pediu o imediato afastamento do comando da PM de SP.
Alguns carros da PM de São Paulo possuem o chamado “kit vela”: uma arma fria e uma porção de drogas. A maioria dos jovens assassinados pela PM é enterrada como indigente e sua morte é justificada como “resistência seguida de morte”. Depois de torturar e matar, os policiais “plantam” a droga no local do crime, como aconteceu no caso do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, que teve repercussão nacional. “Muitas famílias da periferia que procuram jovens desaparecidos acabam encontrando eles no cemitério”, disse uma mãe que teve seu filho de 16 anos executado pela PM. Emocionada, ela falou: “o negro e o pobre querem viver”. Todos esses crimes sequer são investigados. Pois quem investiga os crimes cometidos por PMs é a própria PM. Durante a audiência pública, foi exigida também a federalização desses casos.
Vladimir Safatle, professor da USP, defendeu recentemente a extinção da PM (FSP, 25/07). Essa também foi a exigência de muitas pessoas que estavam na audiência pública, inclusive parte dos componentes da mesa. A polícia não pode mais ficar nos moldes definidos pela ditadura de 1964. De fato, o problema não é o de garantir uma “melhor formação da PM“. Trata-se, antes, de exigir a desmilitarização da polícia, de acabar com a lógica militar vigente no Brasil para o policiamento urbano, pois, como argumentou Safatle, “a população não equivale a um inimigo externo”. A juventude de São Paulo sente na pele a violência e a truculência da PM. “Pagamos com nosso dinheiro os algozes de nossos filhos”, disse uma mãe que também teve seu filho assassinado pela PM.
Francine Iegelski, é militante da JR em SP
http://juventuderevolucao.org/blog/2012/07/30/audiencia-discute-o-exterminio-de-jovens-pela-pm-em-sao-paulo/#more-1076

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Estado de SP reconhece que a PM está fora de controle

Proposta de comandante deve ser implementada no Estado

Policiais militares que se envolverem menos nos casos de “resistência seguida de morte” passarão a receber bonificações maiores. Essa é a proposta feita pelo comandante geral da Polícia Militar de São Paulo, Roberval Ferreira França, para reformar a coorporação. A ideia já foi apresentada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ao secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto.

O comandante também sugere que a apreensão de armas e revistas de suspeitos sejam incluídas na chamada “lista de metas”, índice que será feito com base na redução da criminalidade, que resultará, ou não, na bonificação do policial.
Alckmin aprovou a ideia em sua totalidade e autorizou que essas propostas sejam colocadas “100% em prática”.
Estatísticas
Segundo o Instituto Sou da Paz, na capital paulista, entre abril e junho de 2012, 79 pessoas foram mortas por policiais (militares e civis) em serviço. No mesmo período do ano passado, foram 73 pessoas mortas e em 2010, 71. Desde 2009, as Polícias respondem por um a cada cinco mortes cometidas intencionalmente na cidade de São Paulo.
Ainda de acordo com o Instituto, na cidade, a cada policial militar morto ou ferido, 4,2 pessoas foram mortas ou feridas pela PM. Fora da capital, essa proporção caiu pela metade: a cada PM morto ou ferido, 2,4 pessoas foram mortas ou feridas pela PM.

Gilmar Mendes é a degradação do Judiciário, "profecia" de Dalmo Dallari


Há dez anos, o jurista e professor da USP Dalmo Dallari publicou artigo que gerou polêmica em que sustentava: “Gilmar Mendes no STF é a degradação do judiciário brasileiro”. Agora, ele reafirma e diz mais: “Há algo de errado quando um ministro do supremo vive na mídia”

Há dez anos, exatamente em 8 de maio de 2002, a Folha de S. Paulo publicou um artigo que geraria grande polêmica. Com o título “Degradação do Judiciário”, o artigo, escrito pelo jurista e professor da Faculdade Direito da USP, Dalmo de Abreu Dallari, questionava firmemente a indicação do nome de Gilmar Mendes para o Supremo Tribunal Federal (STF). A nomeação se daria dias depois, mesmo com as críticas fortes de Dallari, ecoadas por muita gente da área e nos blogs e sites da época.
Desde então, Mendes esteve no centro das atenções em inúmeras polêmicas. Em 2009, na famosa e áspera discussão que teve em pleno plenário do tribunal com o colega Joaquim Barbosa, Dallari, que conhece pessoalmente muitos ministros do STF (foi professor de Ricardo Lewandowski, deu aulas a Cármen Lúcia e orientou Eros Grau), comparou o fato a uma “briga de moleques de rua”: “Os dois poderiam evitar o episódio, mas a culpa grande é do presidente do STF, Gilmar Mendes, que mostra um exibicionismo exagerado, uma busca dos holofotes, da imprensa. Além da vocação autoritária, que não é novidade.
Um ano depois, em 2010, na véspera das eleições presidenciais, o Supremo se reunir para julgar a exigência da apresentação de dois documentos para votar nas eleições. O placar estava 7 a 0 quando o ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo. O julgamento foi interrompido. Mais tarde, circulou a informação, confirmada depois em reportagem da Folha de S. Paulo, de que a decisão de Mendes foi tomada depois de conversar com o então candidato do PSDB, José Serra, por telefone. Na época, Dallari não quis comentar sobre a conversa ou não com o candidato tucano e suas implicações (“Como advogado, raciocino em cima de provas”), mas contestou a atitude de Mendes: “Do ponto jurídico, é uma decisão totalmente desprovida de fundamento. O pedido de vistas não tinha razão jurídica alguma, não havia dúvida a ser dirimida”.
Mas a maior polêmica é a atual, envolvendo o político mais popular do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado por Mendes de chantagem e pressão ao STF. Em recente entrevista, Dallari não deixa de reconhecer: “Eu não avisei?”
A entrevista foi concedida ao portal 247. Confira abaixo alguns pontos cruciais:

VERDADE OU MENTIRA?
“Não posso fazer um julgamento categórico sobre o que disse o ministro Gilmar Mendes. Não se sabe onde está a verdade. Se tivesse mais segurança quanto aos fatos ocorridos poderia dizer melhor. Mas, de qualquer maneira, dá para afirmar de cara duas coisas: a primeira é que não dá, definitivamente, para um ministro do Supremo sair polemizando toda hora para a imprensa, e num nível que parece confronto pessoal. É algo que não faz parte das funções de um ministro do Supremo. A outra coisa é que as acusações de Gilmar são extremamente duvidosas. Feitas com atraso e sem o mais básico, que é a confirmação da única testemunha. Pelo contrário: o ministro Jobim (Nelson Jobim, que foi ministro de FHC, de Lula e do próprio STF) negou o conteúdo do que foi denunciado.

PREVISÃO
“Não avisei? Naquele artigo para a Folha, eu já mostrava, com fatos, os problemas que o Judiciário brasileiro enfrentaria com o Gilmar Mendes no Supremo. Não há surpresas, pelo menos para mim. Na época de sua nomeação, já havia informações, por exemplo, de que ele contratou, como procurador-geral da República, pessoal para seu cursinho de Direito. Um detalhe interessante é que o Gilmar Mendes teve 14 votos contrários à sua nomeação para o STF. Isso quebrou uma tradição de unanimidade que existia no Senado brasileiro. Enfim, ele não é, definitivamente, uma personagem altamamente confiável a ponto de representar um posto tão importante.

IMPLICAÇÕES JURÍDICAS
“Primeiramente é preciso lembrar que, fosse verdadeira a nova afirmação de Gilmar Mendes, se tivesse realmente sido vítima de chantagem, o caminho natural seria uma denúncia ao Ministério Público, imediatamente. Por que só agora? Dito isso, cabem dúvidas da extensão realmente do que supostamente foi dito. Ainda que Lula tenha feito referências ao mensalão, é duvidoso se isso teria tanta implicação jurídica, pois parece ter sido numa conversa informal, feita na casa de um amigo comum dos dois. Volto a frisar dois aspectos: é difícil determinar com certeza, pois não há evidência nenhuma de que Gilmar Mendes diz a verdade, apenas a sua palavra; e, tivesse a seriedade que alguns querem pintar, a denúncia teria que ser feita na hora. Ou não é?
Leia abaixo o artigo que Dalmo de Abreu Dallari publicou na Folha, em 8 de maio de 2002:

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Israel é uma ameaça para as crianças palestinas

“O abuso israelense contra as crianças palestinas é inaceitável”, revela presidente de Comitê Especial

 

Uma missão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) no território palestino de Gaza concluiu que as crianças desse povo suportam abusos inaceitáveis das forças de ocupação israelenses.
O presidente do Comitê Especial para Investigar as Práticas Israelenses que afetam os Direitos Humanos do Povo Palestino, o embaixador Palitha Kohona, representante permanente do Sri Lanka na ONU, criticou em especial as forças israelenses por seu tratamento inflexível com as crianças, na maioria dos casos acusadas de jogar pedras contra os militares armados.
“Soldados israelenses cercam as casas das crianças em altas horas da noite, lhes jogam granadas e arrombam portas, também disparam projéteis letais e não apresentam nenhuma ordem judicial”, descreveu. Eles prendem os menores e vendam seus olhos, depois os levam em veículos militares, acrescentou.
Em entrevista à IPS, Kohona disse que a situação nos territórios ocupados não apresenta melhoras significativas desde as últimas três visitas à região. Segundo testemunhos, as crianças detidas são proibidas de receber visitas de seus familiares e de terem defesa legal, permanecem presas em celas com adultos, lhes é negado o direito à educação e, inclusive, com 12 anos de idade são julgadas em tribunais militares israelenses, contou Kohona.
O Comitê também recebeu denúncias que dão conta que 192 crianças e adolescentes detidos, dos quais 39 eram menores de 16 anos, disse Kohona. A prática israelense de demolir casas palestinas continua e também aumentou a violência dos colonos judeus, assinalou.
A seguir, confira o que mais o representante da ONU disse à IPS sobre a situação em Gaza:
Como descreveria o tratamento que as autoridades israelenses dão às crianças palestinas?
Palitha Kohona: O Comitê chegou à conclusão de que as autoridades ocupantes não estavam cumprindo com suas obrigações legais internacionais para com os habitantes dos territórios ocupados.
Por exemplo, o principal resultado do bloqueio de Israel à Faixa de Gaza foi converter 80% dos palestinos dependentes da assistência humanitária internacional.
É admirável a resiliência dos palestinos de Gaza, capazes de sobreviver com tão pouco, especialmente com a inadequada atenção à saúde, as severas limitações de suas atividades habituais, os frequentes cortes de eletricidade e os habituais incidentes de violência que marcam a vida cotidiana. O bloqueio de Israel a Gaza é ilegal.
As necessidades de segurança de Israel, sem dúvida, podem satisfazer-se sem recorrer a algumas destas duras políticas. O bloqueio, segundo muitos, equivale a castigar coletivamente a 1,6 milhão de palestinos. E já teve um impacto devastador em suas vidas. Muitas testemunhas perguntaram se várias destas duras políticas eram realmente necessárias para manter a segurança ou se, na realidade, estavam destinadas a exacerbar o sentimento de desesperança.
Considerando que estas violações aos direitos humanos são cometidas em territórios ocupados, equivalem a violar as convenções de Genebra sobre o tratamento a prisioneiros em situações de conflito?
Há importantes personalidades que pensam assim e o Comitê está de acordo com esta avaliação.
Israel permitiu alguma vez uma visita do Comitê Especial para registrar sua versão dos fatos? Em caso negativo, qual é a desculpa apresentada?
Ao Comitê Especial não permitiu visitar Israel nem os territórios ocupados da Cisjordânia e Jerusalém (ocidental) ou aos locais de Golán. Israel tem uma política de não cooperação com o Comitê.
Você visitou três vezes a região na qualidade de presidente do Comitê Especial. Qual é sua avaliação dos territórios ocupados?
E como Israel proíbe quase todas as exportações de Gaza, o crescimento econômico é sufocado e os empregos são escassos. Entre 30 e 40% da população economicamente ativa da Faixa de Gaza está desempregada. Em torno de 1,2 milhão de palestinos de Gaza receberam assistência alimentar da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA).
Além disso, 90% da água não é potável.
http://www.cut.org.br/destaque-central/49383/o-abuso-israelense-contra-as-criancas-palestinas-e-inaceitavel-revela-presidente-de-comite-especial?utm_source=cut&utm_medium=email&utm_term=informacut&utm_campaign=informacut

TWITTER EXPÕE ATAQUE AÉREO SECRETO DA CIA


No Iêmen, usuários da rede social divulgam, pela primeira vez, uma operação secreta de drones da CIA, acompanhada minuto-a-minuto

Apesar de ser tarde da noite, as redes sociais no Iêmen estavam em plena atividade. Fazia poucos minutos que um ataque por controle remoto – os chamados “drones” guiados pela CIA – tinha atingido um comboio de veículos em uma parte remota do país, matando três supostos militantes.
O ataque, como todos os ataques do tipo, realizados pelos EUA nos últimos anos fora de zonas de guerra, deveria ser secreto. Porém, o advogado Haykal Bafana, que mora na capital, Sana, começou a transmitir pelo twitter, minuto a minuto, o que se passava. Pouco depois da uma hora da manhã da quinta-feira, 17 de maio, ele postou o seguinte:

“#Yemen AGORA | Ataque de mísseis a carros em Wadi Hadhramaut. Próximo à cidade de Shibam. Suspeita de que seja um ataque de drone dos EUA”.

Como ele explicou ao Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, seus parentes vivem em Shibam, uma cidade de 30 mil habitantes. “Quando o primeiro ataque aconteceu, a cidade – que estava sem luz na hora – ficou completamente iluminada. Meus parentes ligaram imediatamente para me contar sobre o ataque”.
No dia anterior, o advogado já havia tuitado que aviões “drones” estavam sobrevoando a região de maneira suspeita. A província de Hadhramaut, um ex-sultanato esparsamente povoado, fica bem distante do sul do Iêmen, considerado problemático pelos americanos e onde ocorre a maioria dos ataques de aviões dos EUA controlados remotamente.
Um sites em árabe na cidade de al-Mukalla, capital da província, publicaram que um comboio de supostos rebeldes da Al Qaeda estava se dirigindo rumo ao norte. Esta notícia também foi bastante retuitada.
Assim que os veículos se aproximaram de Shibam, à uma da madrugada, pelo menos um carro, um Toyota Hilax, foi destruído por mísseis. A força aérea do Iêmen não possui equipamento ou know-how para fazer um ataque de precisão deste tipo durante a noite.
Agências de notícias depois revelariam que houve um ataque por drones, e que dois dos mortos no ataque foram Zeid bin Taleb e Mutii Bilalafi, ambos descritos como líderes locais da Al Qaeda. Como dezenas de ataques dos EUA no Iêmen, este deveria ter sido realizado secretamente. Porém, o twitter e outras redes sociais estavam acompanhando a operação ao vivo.
“É incrível como a mesma tecnologia usada pela CIA para matar pessoas com os drones no Iêmen está ajudando o povo do Iêmen a tuitar sobre os ataques enquanto eles ocorrem”, diz  Noel Sharkey, professor de robótica na Universidade de Sheffield, no Reino Unido. “Eles podem nos mandar fotos e nos aproximar do horror que estão vivendo. Assim, a tecnologia em pequena escala pode até barrar o uso de tecnologia militar em grande escala”.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ataque furioso de Gilmar Mendes contra a internet


Gilmar Mendes pede à PF investigação da Wikipédia no Brasil

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representou à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação contra a Wikipédia. O ex-presidente do STF fez gestões junto ao conselho editorial da enciclopédia virtual no Brasil para corrigir o que avalia estar distorcido em seu verbete , que considerou ideológico. Sem êxito junto aos editores, decidiu investir contra o produto. Para ele, a Wikipédia está “aparelhada”.
A parte do verbete que deu causa à reação do ministro foi a que reproduz denúncia da revista Carta Capital que ele contesta judicialmente. Gilmar sustenta que por ser uma enciclopédia, o verbete deve ser estritamente informativo sobre o biografado, sem absorver avaliações de terceiros ou denúncias jornalísticas. Ele se queixa também de o trecho reproduzido da revista ocupar seis parágrafos, muito mais que o espaço dispensado à sua carreira, inclusive o mandato de presidente do STF, resumido a um parágrafo. A carreira de Gilmar no STF completou dez anos.
Paralelamente, Gilmar prepara uma representação ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, pedindo investigação do uso de recursos públicos para financiamento de blogs de conteúdo crítico ao governo e instituições do Estado. Ele quer saber quanto as empresas estatais destinam de seus orçamentos para esse tipo de publicidade. Gilmar argumenta que não se pode confundir a liberdade constitucional de expressão com o emprego de dinheiro público para financiar o ataque às instituições e seus representantes.


http://blogs.estadao.com.br/joao-bosco/

Quando a polícia mata impunemente

RESISTÊNCIA SEGUIDA DE MORTE É O NOME TÉCNICO QUE SE DÁ À PENA DE MORTE INSTITUCIONALIZADA NO BRASIL, COMO NO CASO DO PUBLICITÁRIO RICARDO AQUINO, EXECUTADO EM SÃO PAULO


Walter Hupsel, On the Rocks – Em São Paulo, capital, a polícia mata uma pessoa que não parou numa blitz. A imprensa notifica, seguindo um comunicado da própria PM,  que um "suspeito" foi morto pela polícia. Poucas horas depois o "suspeito" (de que? Ninguém falou) transformou-se em publicitário. Ricardo Prudente de Aquino foi cercado e alvejado com cinco tiros  dados a curta distância. Foi executado.
Não muito longe da capital paulista, em Santos, o carro que também não teria parado numa blitz foialvejado por vinte e cinco tiros. VINTE E CINCO. Segundo as parcas informações da imprensa, no carro estavam seis jovens. Bruno Gouveia e Viana morreu, dois seguem em estado grave.
O Governador Geraldo Alckmin prometeu, no caso do publicitário, uma rápida indenização à família. Sobre o jovem de Santos, o governador apenas lamentou.
Para Hudson Camilli, comandante interino da PM, a ação que matou o publicitário foi  "legalmente inadequada". Lendo isso até imagino que o comandante se refere a viaturas estacionadas em cima das calçadas enquanto seus ocupantes fazem um joguinho da Mega-Sena, ou que um policial, com a bexiga doendo de tão cheia, estivesse urinando em uma pracinha qualquer.
Não é nenhuma novidade que a polícia brasileira mata, executa, assassina. Os dois casos acima ilustram isso de maneira cabal. Duas pessoas executadas: despreparo ou certeza da impunidade?
A polícia brasileira, corporativista e despreparada, sabe que pode "sentar o dedo" que depois é só inventar esta figura estranha, bizarra, de "auto de resistência", que legitima qualquer execução (inclusive aquelas mortes de 'bala perdida', como se não tivesse alguém puxado o gatilho).
A pena de morte que existe de fato no Brasil está cristalizada na ideia da "resistência seguida de morte".  É muito fácil forjar acertos de contas, abusos e execuções por trás da "resistência". Matou alguém? Lavra um "auto de resistência" que o morto vira automaticamente "suspeito" ou "autor" ao invés de vítima.
"Matei porque ele resistiu, resistiu porque era culpado, culpado merece morrer". Aí é só colocar drogas ou armas na vítima.
Neste contexto, nas duas mortes em blitz,  na explicação de que o celular do publicitário poderia ser uma arma, é que vem mais que tardiamente a iniciativa da SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) de tentar acabar com o termo "resistência seguida de morte". Se a polícia matar alguém, será, como em todo lugar do mundo, tratado como homicídio. Poderá ter atenuantes, agravantes, poderá ser legítima defesa caso provem que era uma situação excludente, "ou eu ou ele".
Mas até isso acontecer, até tratarmos todo assassinato a priori como homicídio, mais e mais mortes acontecerão. Algumas merecerão condolências do governador, outras apenas uma nota no pé de uma página com o titulo: "Suspeito reage à prisão e morre em confronto com a polícia".

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cresce adesão pela federalização dos crimes e extinção da PM

São Paulo - “É o melhor exercicio da democracia representativa, tantas pessoas e entidades reunidas para um mesmo fim. Precisamos acabar com essa roleta russa que pode estourar na cabeça de qualquer pessoa”, disse Daniela Skromov, do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, no inicio da Audiencia Pública que ocorreu no último dia 26, acerca do extermínio de jovens que vem ocorrendo no estado de São Paulo desde maio. Estima-se que 200 mortes já ocorreram neste período. Mais de 300 pessoas se aglomeraram no Ministério Público Federal exigindo mudanças efetivas na atual conduta da segurança pública na capital, bem como a construção de uma campanha que pressione o poder público e conscientize a sociedade sobre a problemática da violência estatal.

Matheus Beraldi, procurador da República, criticou a atual conjuntura da polícia e apontou para a necessidade de uma ação concreta contra os crimes cometidos pela PM. “É preciso afastar imediatamente o comando da Polícia Militar. A estrutura ideológica da policia é de reforçamento da violência, criam-se assassinos incontroláveis, o ‘praça’ se tornou uma maquina de matar descontrolada”, afirmou. 

“Nós temos em São Paulo 31 Pinheirinhos, porque temos 31 subprefeituras e 62 coronéis militares na ativa. É preciso eliminar a militarização da administração pública. É preciso extinguir a policia militar, é preciso extinguir todas as polícias”, afirmou Maurício Ribeiro Lopez, promotor de Justiça do Estado de São Paulo. Em média 600 homicídios são cometidos pela polícia por ano no estado, sem contar as cifras ocultas - casos não contabilizados. As execuções cometidas pela polícia não são computadas como homicídios, e sim como "mortes em confronto", registrada como “resistência seguida de morte”.

Os casos envolvendo a polícia, em sua maioria, não são apurados de maneira efetiva. As cenas do crime são frequentemente alteradas pelos próprios PMs, através do “kit vela”, que consiste em uma série de objetos como armas frias e drogas para justificar as mortes ocorridas, por meio da criminalização da vítima. As investigações são arquivadas rapidamente e sem a possibilidade da familia ou outras instâncias recorrerem. Na própria estrutura policial existem mecanismos autoritários que levam ao arquivamento do processo sem a devida perícia.

“A segurança pública é um direito humano. Foi uma recomendação da ONU acabar com a Polícia Militar”, afirmou Rose Nogueira à Carta Maior. “A polícia sai do quartel com uma doutrina de guerra na cabeça, o outro é sempre o inimigo, que tem que ser eliminado, e a estrutura recompensa o abuso de violencia. É a impunidade que permite isso. O Brasil não teve justiça de transição efetiva após o periodo ditatorial, precisamos desvendar o que aconteceu na ditadura. Hoje temos o mesmo modelo, com nomes diferentes”, continuou Rose, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP. 

O coronal Paes de Lira da PM indagou a legitimidade da audiência. Segundo ele, ao ser chamada no calor dos acontecimentos é “tendenciosa e está contaminada ideologicamente”. No final do evento, ao ser questionado por um integrante do Movimento Mães de Maio acerca das mortes de seus familiares pela polícia, questionou o motivo da pergunta dizendo que “todos vamos morrer um dia”. 

Durante a audiência, o coronel da PM jogou luz às conquistas obtidas pela polícia ao longo de sua história centenária. “O hall de serviços prestado pela polícia militar, em nada justifica as atrocidades cometidas recentemente”, rebateu Beraldi, procurador do Estado.

“A segurança pública não deve ser reformulada, ela deve ser extinta, é um modelo opressor e exterminador”, afirmou Débora Silva Maria, do Movimento Mães de Maio, que também apontou para a perseguição aos jornalistas que vem denunciando os crimes cometidos pela PM. “Não podemos aceitar que a liberdade de imprensa seja atacada dessa maneira, que a policia continue como na ditadura a dizer o que o jornalista pode dizer ou não”, completou Rose Nogueira. 

Ao fim da audiência propostas e encaminhamentos foram levantados, como a unificação e desmilitarização das polícias, independência na perícia técnica (hoje vinculada à policia civil), transparência nos dados, proteção efetiva aos denunciantes policiais, entre outros. A federalização dos crimes foi apresentado como uma das principais medidas em conjunto com o fim da resistência seguida de morte.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624