quarta-feira, 8 de agosto de 2012

TWITTER EXPÕE ATAQUE AÉREO SECRETO DA CIA


No Iêmen, usuários da rede social divulgam, pela primeira vez, uma operação secreta de drones da CIA, acompanhada minuto-a-minuto

Apesar de ser tarde da noite, as redes sociais no Iêmen estavam em plena atividade. Fazia poucos minutos que um ataque por controle remoto – os chamados “drones” guiados pela CIA – tinha atingido um comboio de veículos em uma parte remota do país, matando três supostos militantes.
O ataque, como todos os ataques do tipo, realizados pelos EUA nos últimos anos fora de zonas de guerra, deveria ser secreto. Porém, o advogado Haykal Bafana, que mora na capital, Sana, começou a transmitir pelo twitter, minuto a minuto, o que se passava. Pouco depois da uma hora da manhã da quinta-feira, 17 de maio, ele postou o seguinte:

“#Yemen AGORA | Ataque de mísseis a carros em Wadi Hadhramaut. Próximo à cidade de Shibam. Suspeita de que seja um ataque de drone dos EUA”.

Como ele explicou ao Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, seus parentes vivem em Shibam, uma cidade de 30 mil habitantes. “Quando o primeiro ataque aconteceu, a cidade – que estava sem luz na hora – ficou completamente iluminada. Meus parentes ligaram imediatamente para me contar sobre o ataque”.
No dia anterior, o advogado já havia tuitado que aviões “drones” estavam sobrevoando a região de maneira suspeita. A província de Hadhramaut, um ex-sultanato esparsamente povoado, fica bem distante do sul do Iêmen, considerado problemático pelos americanos e onde ocorre a maioria dos ataques de aviões dos EUA controlados remotamente.
Um sites em árabe na cidade de al-Mukalla, capital da província, publicaram que um comboio de supostos rebeldes da Al Qaeda estava se dirigindo rumo ao norte. Esta notícia também foi bastante retuitada.
Assim que os veículos se aproximaram de Shibam, à uma da madrugada, pelo menos um carro, um Toyota Hilax, foi destruído por mísseis. A força aérea do Iêmen não possui equipamento ou know-how para fazer um ataque de precisão deste tipo durante a noite.
Agências de notícias depois revelariam que houve um ataque por drones, e que dois dos mortos no ataque foram Zeid bin Taleb e Mutii Bilalafi, ambos descritos como líderes locais da Al Qaeda. Como dezenas de ataques dos EUA no Iêmen, este deveria ter sido realizado secretamente. Porém, o twitter e outras redes sociais estavam acompanhando a operação ao vivo.
“É incrível como a mesma tecnologia usada pela CIA para matar pessoas com os drones no Iêmen está ajudando o povo do Iêmen a tuitar sobre os ataques enquanto eles ocorrem”, diz  Noel Sharkey, professor de robótica na Universidade de Sheffield, no Reino Unido. “Eles podem nos mandar fotos e nos aproximar do horror que estão vivendo. Assim, a tecnologia em pequena escala pode até barrar o uso de tecnologia militar em grande escala”.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Ataque furioso de Gilmar Mendes contra a internet


Gilmar Mendes pede à PF investigação da Wikipédia no Brasil

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), representou à Polícia Federal pedindo a abertura de investigação contra a Wikipédia. O ex-presidente do STF fez gestões junto ao conselho editorial da enciclopédia virtual no Brasil para corrigir o que avalia estar distorcido em seu verbete , que considerou ideológico. Sem êxito junto aos editores, decidiu investir contra o produto. Para ele, a Wikipédia está “aparelhada”.
A parte do verbete que deu causa à reação do ministro foi a que reproduz denúncia da revista Carta Capital que ele contesta judicialmente. Gilmar sustenta que por ser uma enciclopédia, o verbete deve ser estritamente informativo sobre o biografado, sem absorver avaliações de terceiros ou denúncias jornalísticas. Ele se queixa também de o trecho reproduzido da revista ocupar seis parágrafos, muito mais que o espaço dispensado à sua carreira, inclusive o mandato de presidente do STF, resumido a um parágrafo. A carreira de Gilmar no STF completou dez anos.
Paralelamente, Gilmar prepara uma representação ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, pedindo investigação do uso de recursos públicos para financiamento de blogs de conteúdo crítico ao governo e instituições do Estado. Ele quer saber quanto as empresas estatais destinam de seus orçamentos para esse tipo de publicidade. Gilmar argumenta que não se pode confundir a liberdade constitucional de expressão com o emprego de dinheiro público para financiar o ataque às instituições e seus representantes.


http://blogs.estadao.com.br/joao-bosco/

Quando a polícia mata impunemente

RESISTÊNCIA SEGUIDA DE MORTE É O NOME TÉCNICO QUE SE DÁ À PENA DE MORTE INSTITUCIONALIZADA NO BRASIL, COMO NO CASO DO PUBLICITÁRIO RICARDO AQUINO, EXECUTADO EM SÃO PAULO


Walter Hupsel, On the Rocks – Em São Paulo, capital, a polícia mata uma pessoa que não parou numa blitz. A imprensa notifica, seguindo um comunicado da própria PM,  que um "suspeito" foi morto pela polícia. Poucas horas depois o "suspeito" (de que? Ninguém falou) transformou-se em publicitário. Ricardo Prudente de Aquino foi cercado e alvejado com cinco tiros  dados a curta distância. Foi executado.
Não muito longe da capital paulista, em Santos, o carro que também não teria parado numa blitz foialvejado por vinte e cinco tiros. VINTE E CINCO. Segundo as parcas informações da imprensa, no carro estavam seis jovens. Bruno Gouveia e Viana morreu, dois seguem em estado grave.
O Governador Geraldo Alckmin prometeu, no caso do publicitário, uma rápida indenização à família. Sobre o jovem de Santos, o governador apenas lamentou.
Para Hudson Camilli, comandante interino da PM, a ação que matou o publicitário foi  "legalmente inadequada". Lendo isso até imagino que o comandante se refere a viaturas estacionadas em cima das calçadas enquanto seus ocupantes fazem um joguinho da Mega-Sena, ou que um policial, com a bexiga doendo de tão cheia, estivesse urinando em uma pracinha qualquer.
Não é nenhuma novidade que a polícia brasileira mata, executa, assassina. Os dois casos acima ilustram isso de maneira cabal. Duas pessoas executadas: despreparo ou certeza da impunidade?
A polícia brasileira, corporativista e despreparada, sabe que pode "sentar o dedo" que depois é só inventar esta figura estranha, bizarra, de "auto de resistência", que legitima qualquer execução (inclusive aquelas mortes de 'bala perdida', como se não tivesse alguém puxado o gatilho).
A pena de morte que existe de fato no Brasil está cristalizada na ideia da "resistência seguida de morte".  É muito fácil forjar acertos de contas, abusos e execuções por trás da "resistência". Matou alguém? Lavra um "auto de resistência" que o morto vira automaticamente "suspeito" ou "autor" ao invés de vítima.
"Matei porque ele resistiu, resistiu porque era culpado, culpado merece morrer". Aí é só colocar drogas ou armas na vítima.
Neste contexto, nas duas mortes em blitz,  na explicação de que o celular do publicitário poderia ser uma arma, é que vem mais que tardiamente a iniciativa da SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública) de tentar acabar com o termo "resistência seguida de morte". Se a polícia matar alguém, será, como em todo lugar do mundo, tratado como homicídio. Poderá ter atenuantes, agravantes, poderá ser legítima defesa caso provem que era uma situação excludente, "ou eu ou ele".
Mas até isso acontecer, até tratarmos todo assassinato a priori como homicídio, mais e mais mortes acontecerão. Algumas merecerão condolências do governador, outras apenas uma nota no pé de uma página com o titulo: "Suspeito reage à prisão e morre em confronto com a polícia".

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cresce adesão pela federalização dos crimes e extinção da PM

São Paulo - “É o melhor exercicio da democracia representativa, tantas pessoas e entidades reunidas para um mesmo fim. Precisamos acabar com essa roleta russa que pode estourar na cabeça de qualquer pessoa”, disse Daniela Skromov, do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, no inicio da Audiencia Pública que ocorreu no último dia 26, acerca do extermínio de jovens que vem ocorrendo no estado de São Paulo desde maio. Estima-se que 200 mortes já ocorreram neste período. Mais de 300 pessoas se aglomeraram no Ministério Público Federal exigindo mudanças efetivas na atual conduta da segurança pública na capital, bem como a construção de uma campanha que pressione o poder público e conscientize a sociedade sobre a problemática da violência estatal.

Matheus Beraldi, procurador da República, criticou a atual conjuntura da polícia e apontou para a necessidade de uma ação concreta contra os crimes cometidos pela PM. “É preciso afastar imediatamente o comando da Polícia Militar. A estrutura ideológica da policia é de reforçamento da violência, criam-se assassinos incontroláveis, o ‘praça’ se tornou uma maquina de matar descontrolada”, afirmou. 

“Nós temos em São Paulo 31 Pinheirinhos, porque temos 31 subprefeituras e 62 coronéis militares na ativa. É preciso eliminar a militarização da administração pública. É preciso extinguir a policia militar, é preciso extinguir todas as polícias”, afirmou Maurício Ribeiro Lopez, promotor de Justiça do Estado de São Paulo. Em média 600 homicídios são cometidos pela polícia por ano no estado, sem contar as cifras ocultas - casos não contabilizados. As execuções cometidas pela polícia não são computadas como homicídios, e sim como "mortes em confronto", registrada como “resistência seguida de morte”.

Os casos envolvendo a polícia, em sua maioria, não são apurados de maneira efetiva. As cenas do crime são frequentemente alteradas pelos próprios PMs, através do “kit vela”, que consiste em uma série de objetos como armas frias e drogas para justificar as mortes ocorridas, por meio da criminalização da vítima. As investigações são arquivadas rapidamente e sem a possibilidade da familia ou outras instâncias recorrerem. Na própria estrutura policial existem mecanismos autoritários que levam ao arquivamento do processo sem a devida perícia.

“A segurança pública é um direito humano. Foi uma recomendação da ONU acabar com a Polícia Militar”, afirmou Rose Nogueira à Carta Maior. “A polícia sai do quartel com uma doutrina de guerra na cabeça, o outro é sempre o inimigo, que tem que ser eliminado, e a estrutura recompensa o abuso de violencia. É a impunidade que permite isso. O Brasil não teve justiça de transição efetiva após o periodo ditatorial, precisamos desvendar o que aconteceu na ditadura. Hoje temos o mesmo modelo, com nomes diferentes”, continuou Rose, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP. 

O coronal Paes de Lira da PM indagou a legitimidade da audiência. Segundo ele, ao ser chamada no calor dos acontecimentos é “tendenciosa e está contaminada ideologicamente”. No final do evento, ao ser questionado por um integrante do Movimento Mães de Maio acerca das mortes de seus familiares pela polícia, questionou o motivo da pergunta dizendo que “todos vamos morrer um dia”. 

Durante a audiência, o coronel da PM jogou luz às conquistas obtidas pela polícia ao longo de sua história centenária. “O hall de serviços prestado pela polícia militar, em nada justifica as atrocidades cometidas recentemente”, rebateu Beraldi, procurador do Estado.

“A segurança pública não deve ser reformulada, ela deve ser extinta, é um modelo opressor e exterminador”, afirmou Débora Silva Maria, do Movimento Mães de Maio, que também apontou para a perseguição aos jornalistas que vem denunciando os crimes cometidos pela PM. “Não podemos aceitar que a liberdade de imprensa seja atacada dessa maneira, que a policia continue como na ditadura a dizer o que o jornalista pode dizer ou não”, completou Rose Nogueira. 

Ao fim da audiência propostas e encaminhamentos foram levantados, como a unificação e desmilitarização das polícias, independência na perícia técnica (hoje vinculada à policia civil), transparência nos dados, proteção efetiva aos denunciantes policiais, entre outros. A federalização dos crimes foi apresentado como uma das principais medidas em conjunto com o fim da resistência seguida de morte.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20624

terça-feira, 31 de julho de 2012

Envenenamento pode ter sido causa da morte de Arafat


No Terra
ZURIQUE, 15 Jul 2012 (AFP) - A viúva de Yasser Arafat apresentará perante a justiça francesa uma denúncia por envenenamento, depois de ter sido encontrada uma quantidade anormal de polônio nos objetos pessoais do ex-líder palestino, confirmou neste domingo seu advogado.
"A senhora Arafat decidiu apresentar uma denúncia penal, o que será feito em um mês", indicou Marc Bonnant em uma entrevista ao jornal suíço Le Matin Dimanche.
A queixa será apresentada em Paris, disse o advogado, e será uma denúncia contra um "autor desconhecido" pela acusação de "envenenamento".
Arafat morreu no dia 11 de novembro de 2004 em um hospital militar francês perto de Paris.
A tese do envenenamento foi reavivada na semana passada pela divulgação de um documentário na rede de televisão Al-Jazeera, que apontava que o Institute for Radiation Physics de Lausanne (Suíça), que analisou amostras biológicas extraídas dos objetos pessoais de Arafat, encontrou nelas "uma quantidade anormal de polônio", uma substância radioativa extremamente tóxica.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, e Suha Arafat já deram sua aprovação para que sejam retiradas amostras dos restos do líder, que jaz em um mausoléu na presidência palestina em Ramallah, o que implicará sua exumação.
O sobrinho de Yasser Arafat, Nasser al-Qidwa, acusou na quinta-feira Israel de ter envenenado com polônio o histórico líder palestino, e exigiu que "os responsáveis por este assassinato sejam julgados".
O polônio é uma substância radioativa altamente tóxica, que serviu em 2006 em Londres para envenenar Alexandre Litvinenko, um ex-espião russo que havia se convertido em opositor ao presidente Vladimir Putin.

Porta-voz oficial mexicano acusa a CIA de ter interesse na manutenção do tráfico


Segundo consta em http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=101262, em castelhano, o porta-voz do governo estadual de Chihuahua, México, Guillermo Terrazas Villanueva, disse em Ciudad Juárez à emissora de TV Al Jazira que a Cia "maneja" o narcotráfico do mesmo modo que há empresas que manejam o controle de pragas. Ou seja, se não há pragas, não há serviço e não se recebe pagamento. Se não há drogas, não há necessidade de repressão e os agentes repressivos ficam sem razão de ser. Chihuahua é um dos Estados mais violentos do México e faz fronteira com o Texas; Ciudad Juárez é notória por sua violência. Outras autoridades mexicanas desautorizaram Terrazas.
http://renatopompeu.blogspot.com.br/2012/07/porta-voz-oficial-mexicano-acusa-cia-de.html

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A Reforma Agrária – Uma reflexão!


Observando alguns livros de estudo de Direito Constitucional, destaco um pequeno trecho que diz que a propriedade atenderá a sua função social, porém ressalva que o fato da mesma não cumprir dita função não autoriza qualquer tipo de intervenção que não seja constitucionalmente fundamentada, tais como invasões de terra por movimentos sociais organizados, ainda que a pretexto de promover a reforma agrária. Cita precedente do Supremo Tribunal Federal!
 Francamente! São inúmeros livros e mais livros acadêmicos e muitos ainda continuam com uma linguagem meramente narrativa. Preocupam-se sempre em narrar uma informação já construída, sem o ideal da formação crítica do educando. Segundo o educador Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido, editora Paz e Terra, 41ª ed., p. 66), “uma das características dessa educação dissertadora é a “sonoridade” da palavra e não sua força transformadora”.
 Pois bem! Vamos então à tal propriedade e à Reforma Agrária! Estamos em pleno 2012, mais de 500 anos desde a ocupação colonizadora em nosso país. Extinguiu-se um grupo humano numeroso e valioso (os índios); quando não, foram tiradas as suas terras. Passou-se a explorar a terra das piores formas possíveis, até os dias atuais. Há quem diga que a exploração famigerada de cana de açúcar no Nordeste é saudável? (ou foi!!!). Uma monocultura barata, de lucro centralizado, que empobreceu o nosso solo.
 Só isso? Não! Também abolimos a escravatura através de lei Áurea (como se liberdade não fosse um direito natural, tendo que ser reconhecida por lei), mas deixaram os seus vestígios (o que diga o emprego doméstico e os seus poucos direitos trabalhistas e o trabalho escravo, tipificado este como crime no Código Penal). Alforriaram-se os negros, porém sem a reforma agrária!
 A terra bem que deu os seus gritos: Foram Arraial de Canudos, Ligas Camponesas, Movimentos pela luta da terra... mortes e mais mortes; violência e carnificina: Do massacre de Canudos ao do Eldorado dos Carajás!!!
 E eu com isso? Bom, o art. 5 da Constituição Federal de 1988 é claro: “Todos são IGUAIS (será mesmo???) perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (será????), garantindo-se aos brasileiros (...) a inviolabilidade do direito à propriedade (falei PROPRIEDADE) (...)” (grifo e comentário meu).
 Agora “Zezinho”, meu aluno favorito me pergunta: Professor, se todos são iguais, se não deve haver a distinção de qualquer natureza, se a propriedade é um direito fundamental, por que então tantos nascem e continuam até morrer, sem terra alguma?
 E eu digo o quê? Que é assim mesmo, que o Supremo Tribunal Federal é a nossa corte máxima e entende dessa forma, passando assim ao próximo assunto, ou então “esquece isso Zezinho, isto não vai cair na prova do concurso público. Você está perdendo seu tempo!” Devo dizer isto? Afinal, todos são iguais?
 Será que estou regredindo? Não podemos ser domesticados para engolir farsas, mas sim educados para entender que toda a forma de violência e agressividade devem ser rejeitados; que para garantirmos nossos direitos temos que lutar; que os movimentos sociais invadem terras no país, porque a Reforma Agrária é lenta, não anda, a legislação inventou inúmeras etapas, tornando complexo; porque não há vontade real de todos.
 Estamos em 2012 e as pessoas ainda (PASMEM!) estão lutando por terra; os que conseguem acabam tornando-se agricultores de subsistência. Sabe o que é isso? É plantar e colher para comer e sobreviver... apenas sobreviver! E isto é vida??? Pensem bem se estou sendo radical ou me negando a ser mais um cego na multidão.
 Não quero ver ocupações; o conflito por terras traz danos, não à propriedade, mas sim à vida; companheiros morrem; outros seres humanos, nossos irmãos; pessoas pacíficas, famílias humildes. Ou alguém acha razoável um numeroso grupo de famílias enfrentando pessoas armadas, ordens de reintegração e policiais? Lutam para serem iguais, com saúde, crianças na escola, direitos e mais direitos.
 Mas também não quero (acredito que ninguém quer!) ver outros seres humanos morando em praças, em faixas de domínio, na rua, sujeitos a toda forma de violência. Quando não organizados nos Movimentos Rurais, acabam ocupando as favelas das cidades, passando todo tipo de necessidade, fome e miséria. Há ainda os que se entregam às drogas, ao crime ou se humilham ao troco de esmolas.
 Meus amigos pensem bem! O que você faria se tivesse numa situação tão caótica, sem terra, sem saúde básica, com uma escola ruim para os seus filhos, sem emprego, não sabendo o que fazer no dia de amanhã, vendo seus filhos e sua família numa situação de marginalização??? Um certo amigo disse-me que não suportaria ver o filho passando necessidade! E alguém suporta ver pessoas, que gostamos tanto, sofrendo?
 Não vou basear meus argumentos em acusações aos líderes dos sem terras ou em factóides. Eu garanto que a maioria de meus colegas de trabalho pensa na paz social; na solução pacífica dos conflitos; na solução em que a VIDA esteja acima de tudo.
 A nossa Presidente deve liderar a Reforma Agrária e em tempo curto. Deve negociar com o judiciário, através de seus órgãos e do CNJ a construção de metas de julgamento; deve agilizar as Reformas e dinamizar a atuação do Incra; deve prestar contas à população e chancelar a transparência dessas atividades aos Movimentos Rurais interessados.
 A Constituição Federal de 1988 é uma lei belíssima! Se a propriedade foi escrita neste texto para garantir os interesses da bancada dos grandes ruralistas, deve-se lembrar da máxima de que a lei não tem dono e, uma vez saindo do Legislativo, pode ser interpretada de acordo com os princípios. Assim, se os trabalhadores sem terra não tiveram representantes na Assembléia Constituinte, isto não quer dizer que os seus direitos não possam ser devidamente assegurados, afinal “TODOS SÃO IGUAIS!”
 A vida é para ser vivida em paz e com amor! Não acredito que vamos continuar excluindo nossos companheiros de jornada, cegos por um sistema econômico, criado por nós mesmos, que valoriza o nosso pior lado: o egoísmo, a soberba e a inveja. A terra produz trabalho e isto é riqueza!
 Os filhos dos tantos “Josés” e “Marias” nascem sem terra alguma, enquanto que o filho do barão moderno vem ao mundo rico de berço, com terras abundantes, do tamanho de cidades. Há alguma lógica racional ou cristã nisto?
 Se existem ocupações e conflitos é porque não se está distribuindo as terras e ainda quando acontece, não se é em prazo curto. Vamos dividir o que temos, ainda mais quando se tem de sobra e abundância: terra!
 “Ocupar, resistir e conquistar”! Este não é um lema apenas de sem terra e sim de toda mulher e homem de bem que reconhece que só a luta muda a vida e que apenas a luta dos trabalhadores de todo o país faz acontecer.
 Ah! A propósito do título deste texto, pense bem: Todos são iguais!!! (não mais uma pergunta, mas sim uma afirmação).
  
Antônio José de Carvalho Araújo
Juiz Federal e Professor de Direito Constitucional

sábado, 28 de julho de 2012

Carta Capital: "valerioduto abasteceu Gilmar Mendes"

A revista Carta Capital publicou neste final de semana reportagem intitulada “O valerioduto abasteceu Gilmar Mendes”, trazendo uma lista de pessoas que teriam recebido dinheiro do caixa dois da campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Segundo a reportagem o esquema teria sido operado pelo publicitário Marcos Valério de Souza, que assina a referida lista, registrada em cartório. Entre os nomes que aparecem na lista está o de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que teria recebido 185 mil reais. 

Além de Mendes, há nomes de governadores, deputados e senadores na relação. Entre os doadores, ainda segundo a reportagem da Carta Capital, aparecem empresas públicas e prefeituras que são proibidas por lei de fazer doações de campanha. O banqueiro Daniel Dantas, diz ainda a matéria, aparece como repassador de dinheiro para o caixa dois da campanha de Azeredo.

A reportagem da Carta Capital está embasada em uma série de documentos entregues à Polícia Federal pelo advogado Dino Miraglia Filho, de Belo Horizonte, que atua em nome da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada em 2000. Segundo o advogado, a morte da modelo foi “queima de arquivo”. Ela participaria do esquema de caixa dois da campanha de Azeredo e teria sido utilizada para transportar malas de dinheiro. A própria Cristiana aparece na lista citada como destinatária de 1,8 milhão de reais.

A revista publicou a íntegra dos documentos que registram o caixa dois da campanha de Azeredo em 1998. Nela, há uma lista de doadores e uma de beneficiários. Nesta última aparecem meios de comunicação, institutos de pesquisa e fornecedores diversos que, diz a Carta Capital, até podem ter recebido por seus serviços sem conhecer a origem do dinheiro.

De acordo com os números da contabilidade assinada e registrada em cartório pelo publicitário Marcos Valério, há uma grande diferença entre os R$ 8 milhões que Eduardo Azeredo declarou ter gasto na campanha e os R$ 104 milhões anotados na documentação contábil.

O ministro Gilmar Mendes negou ter recebido os R$ 185 mil e ameaçou processar a revista Carta Capital. O site Brasil 247 lembrou neste sábado que Gilmar Mendes votou pelo arquivamento da denúncia contra Eduardo Azeredo. Sua posição acabou sendo derrotada e o ex-governador de Minas Gerais é réu na Ação Penal 536, acusado dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

Em seu voto, assinala ainda o Brasil 247, o ministro Gilmar Mendes reconheceu que o candidato é responsável pelo que ocorre em sua campanha, mas discordou da tese segundo a qual Eduardo Azeredo seria mentor do esquema por ser beneficiado pelo mesmo. Mendes argumentou ainda que, em um caso como este, a responsabilidade política difere da responsabilidade penal, votando pelo arquivamento da denúncia e sendo voto vencido.

O Brasil 247 publicou o vídeo no qual o ministro Gilmar Mendes fala em favor do ex-governador de Minas Gerais e rejeita a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (veja abaixo).

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20625

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Polícia Militar de São Paulo está fora de controle, diz procurador

MPF vai entrar ação civil pública para trocar o comando da corporação



O procurador da República, Matheus Baraldi, afirmou na tarde desta quinta-feira (26) que a Polícia Militar do Estado de São Paulo está fora de controle. Para ele, os praças da corporação estão psicologicamente desequilibrados.
— O praça não está sob controle, eles foram ensinados a praticar violência em patamares excessivos.

O  Ministério Público Federal em São Paulo pretende mover uma ação civil pública na Justiça Federal pedindo a troca do comando da PM no Estado. No entanto, de acordo com Baraldi, a procuradoria vai aguardar um pouco para ver se o governo toma alguma iniciativa por conta própria, mas caso isso não ocorra “em poucos dias” a ação será protocolada.
Ao falar do descontrole dos policiais, o procurador relembrou o caso do motoboy Eduardo Luis Pinheiro dos Santos que foi torturado  e espancado na 1ª Companhia do 9º Batalhão, na zona norte de São Paulo. O caso ocorreu em 2010 e o corpo do jovem foi encontrado a quilômetros o batalhão.
—  A partir do momento em quem a companhia inteira se reveza para espancar um rapaz por mero prazer, é sinal inquestionável de que há problemas de controle.
O procurador quer também que as investigações de casos de mortes cometidas por policiais sejam transferidas para a Polícia Federal. De acordo com ele, as autoridades estaduais não estão dando conta de solucionar esses casos.
Baraldi prevê que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) possa ser, inicialmente, resistente à ideia, mas terá que ceder caso sejam feitos vário pedidos.
— É importante que façamos pedidos reiterados de federalização das investigações. As portas do meu escritório estão abertas para quem quiser fazer isso.
Para a defensora pública do Estado de São Paulo Daniela Skromov Albuquerque, há uma "situação de descontrole há anos".
— Não existe um único fator [para descontrole], mas está faltando um comando forte que proíba e desestimule esse tipo de morte [praticada por policiais]. Há descontrole absoluto do comando e ideia de que policial bom é o do faroeste, que atira primeiro e pergunta depois, seja por coragem ou por medo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

James Holmes, um consumidor


Por Carlos Latuff

Novamente o mundo assiste perplexo a mais um massacre nos Estados Unidos. E, novamente, a sociedade estadunidense chora seus mortos. Nenhuma novidade. Lá são inúmeros os casos de pessoas, aparentemente insuspeitas, que planejaram cuidadosamente cada detalhe de uma chacina e a colocaram em prática com itens encontrados em estabelecimentos comerciais.
No dia 20 de julho, um jovem de nome James Holmes, equipado com colete balístico, capacete, máscara contra gases e armado de pistola, escopeta e fuzil, entrou num cinema em Aurora, no Colorado, lançou bombas de fumaça e atirou contra os espectadores matando 12 deles e ferindo outras dezenas. De acordo com a polícia, James Holmes não tinha antecendentes criminais, o que significa dizer que até o dia do massacre James não infringiu a lei, fora uma multa de trânsito em 2011. O jovem não comprou o armamento e a munição das mãos de traficantes ou contrabandistas. Tudo foi adquirido legalmente em lojas estabelecidas.
James Holmes comprou quatro armas, dentre elas um fuzil semi-automático calibre .223. Armas com esse calibre podem ser encontradas em qualquer mercado nos Estados Unidos e sua aquisição não requer nenhum exame psicotécnico, depende apenas do dinheiro. Na Bas Pro Shop, uma das lojas visitadas por James, um fuzil nesse calibre, semi-automático, Remington R-15 VTR Predator, custa US$ 1149.99. Apesar de ser vendida como arma de caça, seu calibre foi desenvolvido por empresas dos Estados Unidos para o exército daquele país que, depois da Segunda Guerra Mundial, concluiu que precisava de um munição mais leve que a tradicional 7.62, afim de que seus soldados tivessem mais precisão de tiro e pudessem carregar consigo mais balas. O campo de provas desse novo calibre foi a selva vietnamita nos anos 60.
O mercado não se importa em produzir artigos que podem, fatalmente, resultar na morte de seus consumidores. O sistema econômico vigente consiste no tripé produção em massa/consumo/descarte. Para mantê-lo é preciso criar perfis de consumo que nem sempre são baseados em necessidades reais. É preciso produzir, não importa a que preço. Basta rotular um maço de cigarro com “O Ministério da Saúde adverte” ou uma garrafa de bebida alcóolica com “Se beber não dirija” para que se redima a culpa da indústria pelas mortes decorrentes de doenças respiratórias e acidentes de trânsito. A indústria de alimentos despeja todos os dias nos supermercados produtos que serão responsáveis por doenças cardíacas, câncer, diabetes. A indústria química, proibida de vender agrotóxicos nos países ricos, os vende à preço de banana para nações do Terceiro Mundo.
Nos Estados Unidos a indústria cinematográfica e armamentista sempre andaram de mãos dadas. Hollywood tem sido vitrine para o lobby das armas. É a forma mais eficiente de publicidade. Raramente um filme americano na TV ou no cinema não tem ao menos um personagem disparando armas, mesmo em comédias ou filmes românticos como Ghost eTitanic. Assim como os filmes de Humphrey Bogart e James Dean estimularam muita gente a fumar, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis certamente inspiraram outros tantos a comprar ao menos uma pistola.

E aí fica a pergunta. Por que tanta perplexidade com a ação de James Holmes? O atirador do Colorado não fez nada que a sociedade e o mercado não conhecessem e incentivassem. Ele foi até uma loja, comprou máquinas de matar de forma legal e fez exatamente o que se espera delas. Matou. James Holmes é portanto um consumidor, e o mercado agradece. A indústria armamentista não vai parar por causa das vidas ceifadas à bala naquele cinema em Aurora, muito menos pelos mortos em ataques de aviões não-tripulados estadunidenses no Paquistão e no Afeganistão. É tudo negócio, nada pessoal.
Mais importante que nos debruçar sobre o perfil psicológico de James Holmes é analisar o caráter do establishment que tornou possível sua ação brutal.

Mais um monstro denunciado pelo MPF

Brasília - O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça o major da reserva Lício Augusto Maciel pelo sequestro do militante do PCdoB Divino Ferreira de Souza, o Nunes, capturado ilegalmente pelo Exército em 1973 e desaparecido desde então. Também conhecido como Doutor Asdrúbal, o militar participou, há 40 anos, da Operação Marajoara, que pôs fim à Guerrilha do Araguaia, a maior ação de resistência armada à ditadura militar brasileira. Assassino confesso de pelo menos quatro guerrilheiros, Lício Maciel permanece impune. 

A denúncia do MPF segue determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos que, em sentença de 2010, condenou o Brasil a apurar os crimes de lesa-humanidade ocorridos durante a guerrilha. Como a interpretação que o Supremo Tribunal Federal (STF) faz da Lei da Anistia, de 1979, impede que militares sejam punidos por crimes como assassinato e tortura, o MPF enquadrou o Doutor Asdrúbal pelo sequestro de Divino, considerado imprescritível. 

Divino foi emboscado no dia 14 de outubro de 1973, na região do município de São Domingos do Araguaia (PA). De acordo com o MPF, ele e os companheiros André Grabois, o Zé Carlos, João Gualberto Calatroni, o Zebão, e Antônio Alfredo de Lima, o Alfredo, foram cercados quando abatiam porcos e não tinham nenhuma chance de reagir. Grabois, Calatroni e Lima foram executados na hora e Divino, sequestrado e levado com vida para a base militar da Casa Azul, em Marabá. Apesar de ferido, foi interrogado e submetido a grave sofrimento físico. Nunca mais foi visto.

Dez dias depois, Lício Maciel seria responsável pela morte da guerrilheira Lúcia Maria de Souza, a Sônia, executada imediatamente após reagir ao ataque dos militares e ferir o major no braço e no rosto. Bem antes, já havia se notabilizado pela prisão do também guerrilheiro José Genoíno, que viria a se tornar presidente do PT. 

Justiça
Lício Maciel é o terceiro militar denunciado por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura. O primeiro foi justamente o seu parceiro de combate à guerrilha do Araguaia, Sebastião Curió Rodrigues, o Major Curió. A ação foi recusada pela primeira instância, mas o MPF recorreu e aguarda decisão. O segundo é o ex-diretor do COI/CODI, coronel Brilhante Ustra.
A denúncia contra Lício Maciel foi distribuída para a 2ª Vara Federal do Pará e, desde 19 de julho, aguarda decisão da juíza Nair Pimenta de Castro. 
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20614

Galeano: Há plano para jogar no lixo dois séculos de conquistas


Crise é produzida pelos "seqüestradores de países, exterminadores de salários, assassinos de emprego e traficantes do medo”

Escrito por: BBC

"Este é um mundo violento e mentiroso, mas não podemos perder a esperança e o entusiasmo pela mudança", diz Eduardo Galeano. O escritor uruguaio, historiador literato de seu continente, através de obras como "As Veias Abertas da América Latina" e da trilogia "Memória do Fogo", falou nesta entrevista sobre os últimos acontecimentos na América Latina e a crise econômica mundial.
De sua mesa de sempre no central Café Brasileiro, deixando atrás da janela o frio do inverno austral, insiste que "a grandeza do homem está nas pequenas coisas, que são feitas cotidianamente, dia a dia, por anônimos sem saber que as fazem".
Ele alterna as respostas com episódios de seu último livro, "Os Filhos dos Dias", em que agrupa 366 histórias verdadeiras, uma para cada dia do ano, que contêm mais verdade do que falar sobre indicadores de risco.
A crise europeia está sendo tratada pelos líderes políticos a partir de um discurso de sacrifício da população.
Eduardo Galeano: É igual ao discurso dos oficiais quando eles mandam os recrutas para morrer, com menos cheiro de pólvora, mas não menos violento.
Este é um plano sistemático em nível mundial para jogar no lixo dois séculos de conquistas dos trabalhadores, para que a humanidade retroceda em nome da recuperação nacional. Este é um mundo organizado e especializado no extermínio do próximo.
E então condenam a violência dos pobres, dos mortos de fome; a outra se aplaude, merece condecorações.
A "austeridade" está sendo apresentada como única saída?
Para quem? Se os banqueiros que causaram esse desastre foram e continuam sendo os principais ladrões de banco e são recompensados ​​com milhões de euros que lhe são pagos como compensação...
É um mundo muito mentiroso e muito violento. A austeridade é um antigo discurso na América Latina. Assistimos a uma peça de teatro que foi estreada aqui e já a conhecemos.
Sabemos tudo: as fórmulas, as receitas mágicas, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial...
Você considera que o empobrecimento da população é mais violento?
Se a luta contra o terrorismo fosse verdadeira e não uma desculpa para outros fins, teríamos que cobrir o mundo com cartazes que dissessem: "procuram-se os seqüestradores de países, os exterminadores de salários, os assassinos de emprego, os traficantes do medo ", que são os mais perigosos, porque te condenam à paralisia.
Este é um mundo que te domestica para que desconfies do próximo, para que seja uma ameaça e nunca uma promessa. É alguém que vai te fazer dano e, para isso, é preciso defender-se. Assim se justifica a indústria militar, nome poético da indústria criminosa. Esse é um exemplo claríssimo de violência.
Passando à política latino-americana, o México continua nas ruas protestando contra os resultados oficiais das eleições...
A diferença de votos não foi tão grande e pode ser difícil provar que houve fraude. No entanto, há uma outra fraude mais profunda, mais fina e que é mais nociva à democracia: a que cometem os políticos que prometem tudo ao contrário do que depois fazem no poder. Assim eles estão agindo contra a fé na democracia das novas gerações.
Quanto à destituição de Fernando Lugo no Paraguai, pode-se falar de golpe de estado se ela foi baseada nas leis do país?
Está claro que no Paraguai foi suave e amplamente um golpe de Estado. Eles golpearam o governo do padre progressista não pelo que tenha feito, mas pelo que poderia fazer.
Não tinha feito grande coisa, mas, como propunha uma reforma agrária - em um país que tem o grau de concentração de poder da terra mais alto na América Latina e em consequência a desigualdade mais injusta - teve algumas atitudes de dignidade nacional contra algumas empresas internacionais toda-poderosas como a Monsanto e proibiu a entrada de algumas sementes transgênicas...
Foi um golpe de Estado preventivo, apenas no caso de, não pelo que és mas pelo que podes chegar a fazer.
Lhe surpreende que continuem ocorrendo essas situações?
O mundo hoje é muito surpreendente. A maioria dos países europeus que pareciam estar vacinados contra golpes de Estado são agora governos governados pelas mãos de tecnocratas designados a dedo por Goldman & Sachs e outras grandes empresas financeiras que não foram votadas por ninguém.
Até mesmo a linguagem reflete isso: os países, que se supõe que são soberanos e independentes, têm que fazer bem seus deveres, como se fossem crianças com tendência à má conduta, e os professores são os tecnocratas que vêm para puxar suas orelhas.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Caos na saúde pública de Alagoas


Superlotada, Santa Mônica tem mães e recém-nascidos nos corredores

Funcionários da unidade ameaçam entrar em greve caso nenhuma providência seja tomada por parte das autoridades competentes

Uma cena recorrente na Maternidade Escola Santa Mônica, situada no bairro do Poço, em Maceió, voltou a ser registrada nesta segunda-feira (23): 12 pacientes em trabalho de parto ou com crianças recém-nascidas ocupavam colchões nos corredores do hospital superlotado. Diante da situação, trabalhadores da maternidade ameaçam entrar em greve.

Segundo a técnica de enfermagem Valderez de Oliveira, a situação se repete porque, nos finais de semana, as maternidades particulares credenciadas para atenderem pelo SUS (Sistema Único de Saúde) fecham as portas e toda a demanda recai sobre a Santa Mônica. “A nossa missão é atender as pacientes de alto risco, mas temos que ficar com toda a demanda do Estado, inclusive os casos de baixo risco, que não deveriam ser de nossa responsabilidade”, afirmou a funcionária.

“Temos uma paciente de alto risco com pressão alta em uma maca desde o início da noite de ontem [domingo] porque nossa UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] está lotada”, informou Valderez. “Ninguém mais aguenta trabalhar aqui. Se nenhuma autoridade tomar uma atitude, vamos cruzar os braços e a coisa vai ficar muito pior”, emendou.

A mãe de uma paciente de 16 anos, Laudijane, disse que passou por várias maternidades de Maceió antes de levar sua filha à Santa Mônica. “Desde uma hora da madrugada que minha filha está sofrendo. Em todos os hospitais que a gente ia, diziam que não iam abrir, mas não davam nenhuma justificativa. Agora minha filha está em um colchão no chão, chorando para ter neném e ninguém faz nada”, desabafou.

A assessoria de comunicação da Maternidade Santa Mônica, por sua vez, informou que a situação é recorrente porque, diferentemente das demais unidades de saúde, A Santa Mônica 'não fecha nunca'. “Não temos o direito de recusar atendimento a nenhuma paciente, mesmo que se trate de um caso de baixo risco. Infelizmente, as outras maternidades não fazem o mesmo e nós ficamos sobrecarregados, pois, não temos como arcar com toda esta demanda”, disse a assessora da maternidade, ao microfone da Rádio Gazetaweb.


domingo, 22 de julho de 2012

Vergonha nacional: TJ do Rio manda devolver carteira de habilitação de Thor

O desembargador do TJ-RJ Antonio Carlos dos Santos Bitencourt determinou a liberação da carteira de habilitação de Thor Batista, 20, filho do empresário Eike Batista e da ex-modelo Luma de Oliveira.

Uma liminar (medida urgente) concedida por Bitencourt suspendeu os efeitos de uma decisão da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias, que havia determinado a apreensão do documento após Thor ser acusado de atropelar e matar o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, 30, em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense).
Thor foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio culposo (sem intenção de matar) e teve a habilitação para dirigir suspensa.
O ajudante de caminhoneiro Wanderson Pereira dos Santos foi atropelado por volta das 19h do dia 17 de março (sábado), quando voltava de bicicleta do trabalho para casa.
Ele foi atingido pela Mercedes SLR McLaren conduzida por Thor, que custa pelo menos R$ 2,7 milhões, quando trafegava pela rodovia Washington Luís, na altura de Xerém, em Duque de Caxias. A vítima morreu na hora.

Milhares protestam no México contra fraude eleitoral

Milhares de pessoas saíram às ruas da Cidade do México neste domingo em protesto contra o que qualificaram como "imposição" do candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) como novo presidente do país. Os participantes da manifestação empunharam cartazes e entoaram frases de ordem acusando o candidato priista Enrique Peña Nieto de ter recorrido a fraude e compra de votos para levar seu partido, que governou o México ininterruptamente por mais de sete décadas, de volta à presidência este ano.
De acordo com o resultado oficial, o candidato da esquerda Andres Manuel López Obrador terminou a votação seis pontos porcentuais atrás de Peña Nieto. O PRI nega ter recorrido a atividades ilegais ou fraudulentas e acusa López Obrador de tentar "desqualificar o processo eleitoral com base em mentiras". Não foram divulgadas até agora estimativas sobre o número de participantes dos protestos deste domingo na capital mexicana. As informações são da Associated Press.

Milionários brasileiros têm a quarta maior fortuna do mundo em paraísos fiscais


RIO - Os brasileiros mais ricos têm uma fortuma estimada em US$ 520 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) depositados em paraísos fiscais, o quarto maior volume de recursos no mundo, atrás apenas de China (US$ 1,18 trilhões), Rússia (US$ 798 bilhões) e Coreia do Sul (779 bilhões).
O valor foi levantado no estudo Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network.
No total, os milionários de 139 países pelo mundo têm entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões depositados em "offshores" ao fim de 2010. Somente 100 mil pessoas, que formam uma elite financeira global, respondem por US$ 9,8 trilhões desse total.
- O estudo focou um enorme 'buraco negro' da economia mundial que nunca foi mensurado, a riqueza privada offshore, um vasto volume de ganhos que não são triubutados - explicou Henry no relatório do estudo.
O tamanho da fortuna em paraísos fiscais chama atenção em um momento em que muitos países precisam arrecadar impostos e cortar gastos para enfrentar seus problemas de endividamento.
O estudo revelou ainda que 50 bancos privados movimentaram US$ 12,1 trilhões, entre as fronteiras dos países, para seus clientes. Os destaques ficam paga gigantes como UBS, Credit Suisse e Goldman Sachs.
Entre os latino americanos, os muito riscos com dinheiro em paraísos fiscais são principalmente de países como México (US$ 417 bilhões), Venezuela (US$ 406 bilhões) e Argentina (US$ 399 bilhões).
O estudo foi realizado com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (Bird), do Banco de Compensações Internacionais (BIS) e dos governos nacionais.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Alckmin deu licença para a PM matar em SP


A escalada da violência na periferia de São Paulo, com denúncias de execuções cometidas por policiais militares é escândalo nacional. Segundo alguns especialistas, isso ocorre porque o governo do estado perdeu o controle sobre estas facções que agem impunemente dentro da PM. “Parece que o governo Geraldo Alckmin concedeu licença para a PM matar. Os PMs podem matar a vontade que não existe nenhuma punição”, afirma um especialista. O site Carta Maior através de textos tem denunciado a Rota como braço letal da polícia militar.
Para o juiz Marcelo Semer, membro e ex-presidente da Associação de Juízes para a Democracia (AJD), afirma que o Estado corre o risco de assumir um trágico papel protagonista na usurpação da justiça.
"O incremento de execuções atribuídas à polícia, especialmente nas periferias, é altamente preocupante. Para o magistrado, se comprovadas as arbitrariedades, a Justiça acabará fragilizada. "Não se pode deixar impune qualquer crime que afronte as instituições, mas tudo que o Estado não pode é agir da mesma forma que facções criminosas, ou seja, fora da lei. Quando faz isso, não apenas se confunde com o crime, como usurpa a função da Justiça", critica ele.
Só no mês de julho, 47 pessoas foram mortas pela polícia no Estado em supostas resistências armadas, ou seja, 2,5 mortes por dia. 
No dia 18/07, duas perseguições policiais terminaram com duas mortes, nas cidades de São Paulo e de Santos. As vítimas foram um publicitário e um estudante. Na capital a perseguição foi registrada por câmeras. Em um carro preto estava um publicitário, de 39 anos. O que se vê em um vídeo são carros e motos da PM atrás dele.
O publicitário só parou quando foi cercado por um carro da PM, que vinha de frente. Eles chegaram a bater. Três policiais desceram e dispararam cinco vezes no parabrisa, mas nenhum dos tiros atingiu o motorista. O publicitário Ricardo Aquino foi morto por outros dois tiros, disparados da janela lateral. Segundo a perícia, a distância foi tão curta que os cartuchos que saltaram das armas, quando elas foram acionadas, foram parar dentro do carro.
Na cidade de Santos, 25 tiros. Só no vidro da frente nove. O motorista e o rapaz ao lado se abaixaram e não foram atingidos. No banco de trás, havia mais quatro jovens. Três foram baleados. Um deles, Bruno Vicente de Gouveia e Viana, de 19 anos, morreu.
Dois policiais que estão envolvidos na morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, já estiveram em confrontos durante abordagens policiais. Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30 anos, responde por duas resistências seguidas de morte - registrado também após supostos tiroteios. O outro é Adriano Costa da Silva, 26 anos, que respondeu por uma resistência seguida de lesão corporal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Elaborado a partir das fontes abaixo:

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Alagoas é o estado mais violento para jovens

Constatação é do ‘Mapa da Violência 2012’, que alerta para os índices da capital alagoana
Waldson Costa
A maior taxa de homicídios do país envolvendo pessoas de 0 a 19 anos está concentrada em Alagoas. A afirmação é do Ministério da Saúde (MS) - que, ao avaliar os números do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), expôs no relatório “Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil” que Alagoas detém um índice nada agradável, de 34,8 mortes por cada 100 mil habitantes.

O levantamento sobre homicídios de adolescentes e jovens aponta ainda que o índice de criminalidade em Alagoas era de 10,1 mortes em 2000. Comparado aos novos dados da pesquisa encabeçada pelo Ministério, registrou-se um crescimento de 244,6% na última década, evidenciando assim a escalada da violência no Estado.

No geral, segundo o relatório, o número de homicídios contra jovens, entre 2000 e 2010, representa 176.043 de todas as mortes. De acordo com o levantamento, a situação se agravou na última década, quando foram mortos mais de 84 mil jovens. Já entre 1980 e 2010, a taxa cresceu 346%.

Com 13 mortes para cada 100 mil habitantes, o Brasil é o quarto País entre as 92 nações do mundo monitoradas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), superado apenas por El Salvador, Venezuela e Trinidade e Tobago.

O Estado considerado mais seguro, ainda segundo a pesquisa, é o Piauí, com 3,6 casos registrados para cada 100 mil habitantes. Já entre as capitais, Maceió e Vitória seguem apresentando as taxas mais elevadas: 79,8 e 76,8 assassinatos por 100 mil crianças e adolescentes, quase seis vezes acima da média nacional.

O relatório foi divulgado em comemoração aos 22 anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), completados na última sexta-feira (14).
http://gazetaweb.globo.com/noticia.php?c=318174&e=12

Pastor é condenado a 27 anos de prisão por estuprar uma criança


O pastor evangélico Josuel Gonçalves de Sousa, de 45 anos, acusado de abuso sexual contra uma criança de 8 anos no Distrito Federal, foi condenado a 27 anos, sete meses e quinze dias de reclusão, em regime inicialmente fechado.
Segundo a sentença do juiz da 3ª Vara Criminal de Brasília, ele não tem direito de recorrer em liberdade por causa da gravidade dos atos praticados, pois o criminoso exercia uma “posição de destaque”, fato que “facilitava o contato com crianças e adolescentes
Josuel atuava na Igreja Batista Pentecostal Jeová Jireh, em Vicente Pires. Ele foi preso após agentes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) o investigarem por cerca de 120 dias.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Relatório do Congresso dos EUA denuncia lavagem de dinheiro no HSBC


 banco britânico HSBC colocou em risco o sistema financeiro americano ao se expor a possíveis atividades de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico de drogas ou ao financiamento do terrorismo, indicou nesta segunda-feira um relatório do Senado americano.
O relatório de uma comissão de investigação do Senado vinculada à Segurança interior destacou as "graves omissões" no sistema antilavagem da filial americana do HSBC, o HBUS, que não conseguiu - segundo os parlamentares - vigiar de forma eficaz as atividades suspeitas.
Desta forma, segundo os congressistas, o banco expôs o sistema financeiro americano a possíveis operações de lavagem de dinheiro da droga dos cartéis mexicanos. A filial mexicana transferiu, deste modo, cerca de 7 bilhões de dólares ao HBUS entre 2007 e 2008.
O HBUS também manteve relações financeiras com estabelecimentos bancários suspeitos de ter vínculos com supostas organizações terroristas. O informe de 330 páginas citou, deste modo, o banco saudita Al Rajhi Bank.
"Na era do terrorismo internacional, da violência vinculada à droga em nossas ruas e em nossas fronteiras, do crime organizado, deter o fluxo de dinheiro que apoia estes horrores é uma prioridade para a segurança nacional", escreveu em um comunicado o senador democrata Carl Levin, que preside a comissão.