segunda-feira, 24 de junho de 2013

Pelo emprego e contra a austeridade mais de 100 mil pessoas marcham pelas ruas de Roma


Sob o lema “Juntos pelo Emprego”, mais de 100 mil pessoas, provenientes de todas as regiões de Itália, marcharam pelas ruas de Roma, num protesto contra as medidas de austeridade e o aumento dos impostos.
O protesto foi convocado pelos três principais sindicatosCGIL, CISL e UIL, que fretaram cerca de 1500 autocarros, dez comboios e barcos da Sardenha para transportar os manifestantes para Roma.
A secretária-geral do CGIL, Susanna Camusso, afirma que o protesto tem como objetivo exigir “respostas mais rápidas para tirar o país da crise.”
Outro manifestante defende que “é importante dizer ao governo que o trabalho deve ser a prioridade da sua agenda. Se pudermos trabalhar, podemos seguir em frente.”
O facto de o protesto ter sido convocado pelos três principais sindicatos é extremamente simbólico. Há 10 anos que as três organizações não convocavam uma manifestação conjuntamente.
Em Itália, a taxa de desemprego dos jovens com menos de 24 anos mantém-se nos 40 por cento, um recorde histórico.

sábado, 22 de junho de 2013

CONTRA A PEC 37, MÍDIA MANIPULA OPINIÃO PÚBLICA

Vendida à opinião pública como uma iniciativa de mensaleiros, petistas e corruptos em geral, a Proposta de Emenda Constitucional 37 apenas disciplina um artigo da Constituição Federal, que não prevê o Ministério Público no comando de inquéritos criminais, mas, apenas como organismo complementar à polícia e de controle sobre ela; além da forte campanha da Globo contra PEC 37, Folha e Abril agora se engajam na mesma causa; no entanto, OAB já se manifestou em favor da PEC, que tem também apoio de diversos juristas; saiba do que se trata para não comprar gato por lebre


247 - No Jornal Nacional desta sexta-feira, foi chocante a tentativa da Globo de convencer o estudante Lucas Monteiro, um dos integrantes do Movimento Passe Livre, a aderir a causas da própria Globo, como é a rejeição à PEC 37, que define com mais clareza o papel do Ministério Público. Monteiro deixou claro que a agenda do MPL é apenas a questão do transporte público (assista aqui).
No entanto, aos poucos, o rumo dos protestos começa a ser determinado pela agenda também dos meios de comunicação. Neste sábado, o Uol, portal do grupo Folha, informa que o principal objetivo dos protestos é gritar contra a PEC 37 (leia aqui). Em Veja, uma pesquisa do Departamento de Inteligência e Pesquisa de Mercado Abril, que supostamente entrevistou 9.088 pessoas, apontou o "Não à PEC 37" como a segunda principal bandeira dos manifestantes – a primeira seria o combate à corrupção.
Mas será que a multidão que tomou as ruas do Brasil sabe mesmo do que trata a PEC 37? Será que sabem que a iniciativa tem apoio institucional da Ordem dos Advogados do Brasil? Será que sabem que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, autorizou a compra de equipamentos de escuta, e que, se não houver freios, milhares de brasileiros poderão ser bisbilhotados?
Confira, abaixo, reportagem recente do portal Conjur, que explica por que a OAB se manifesta a favor da PEC 37:
Presidente da OAB-SP elogia apoio institucional à PEC 37
O presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcos da Costa, cumprimentou o Conselho Federal por apoiar institucionalmente a aprovação da PEC 37. “Essa tomada de posição [em reunião na segunda-feira (20/5)] é importantíssima para restabelecer o equilíbrio de armas entre acusação e defesa e teve nos argumentos do membro nato da OAB, José Roberto Batochio, e dos conselheiros federais por São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso e Guilherme Batochio, um forte componente que ajudou no convencimento do plenário. Foi uma vitória da advocacia, que unificou seu discurso sobre tema de tamanha relevância”, disse.
A matéria foi proposta pelo conselheiro federal Pedro Paulo Guerra de Medeiros, de Goiás, e teve como relator o conselheiro Leonardo Accioly, de Pernambuco, que votou para que a OAB se exima de manifestação pública sobre a PEC 37, mas foi vencido pela maioria do plenário.
O primeiro e decisivo argumento a favor do apoio à PEC foi do membro nato da OAB, José Roberto Batochio, que preside a Comissão de Defesa da Constitucionalidade das Investigações Criminais. Ele argumenta que a edição da Resolução 13 do Conselho Nacional do Ministério Público, que atribui competência ao MP para atuar em inquéritos policiais, levou à criação da PEC. Segundo ele, a proposta de emenda é meramente declaratória, mas necessária para reafirmar o que está fixado pela Constituição Federal.
Os conselheiros federais Luiz Flávio D’Urso e Guilherme Batochio participaram ativamente do debate no plenário, explicando aos demais conselheiros a necessidade do apoio à PEC e como o MP atua ilegalmente na persecução penal. Para D’Urso, embora a proposta de emenda reprise o óbvio, é fundamental apoiá-la. “Se concedermos ao Ministério Público o poder de promover a investigação penal — que é da competência da Polícia Judiciária — seria como promover a subversão de um sistema que busca controlar a atuação do próprio Estado”, diz.
O conselheiro Guilherme Batochio refutou a tese do Ministério Público de “quem pode mais, pode menos”. Para ele, embora o MP tenha a prerrogativa de oferecer denúncia em Juízo, não pode promover a investigação de natureza criminal. Ao final da sessão, o Conselho Federal da OAB decidiu criar a Comissão de Acompanhamento e Aperfeiçoamento da proposta de emenda constitucional, que será presidida por José Roberto Batochio, e apresentará sugestões sobre a PEC 37 à Câmara. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-SP.
Assista, ainda, entrevista de Batochio, sobre a PEC 37:

PC SIQUEIRA IRONIZA MANIPULAÇÃO DA GLOBO

"A Globo não tá do nosso lado", diz o vlogger, num vídeo com Diego Quinteiro; ele lembra que a emissora apoiou a ditadura militar e as balas na cara dos estudantes no primeiro dia de manifestações; assista


247 - Num vídeo com Diego Quinteiro, publicado em seu canal do YouTube, o vlogger PC Siqueira ironiza a manipulação da Globo. "Não dá pra ser tão ingênuo, a Globo não tá do nosso lado". Ele lembra que a emissora apoiou a ditadura militar e apoiou as "porradas e balas na cara" dos estudantes no primeiro dia das manifestações.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Yuri Franco: Direita quer diluir reivindicações para não pagar a conta

As pautas justas dos atos e como resistir à tentativa de desvirtuá-las
por Yuri Soares Franco

Nos últimos dias o Brasil tem sido sacudido por manifestações em diversas cidades. Como centelha inicial está a questão do transporte público, causadas pelo aumento da tarifa do transporte coletivo em várias cidades. Esta é uma reivindicação justíssima, e inclusive a revogação dos aumentos é apenas uma pauta imediata. Há uma discussão antiga e profunda sobre a questão do financiamento do transporte coletivo, que hoje serve basicamente como ferramenta de lucro de alguns empresários.
Ao irem às ruas, surgiram também críticas decorrentes da violência policial. A Polícia Militar, como a conhecemos hoje, foi construída ao longo do tempo para ser exatamente isso: instrumento de controle da população e de defesa da propriedade. Isso também não é exclusividade do Brasil. Recentemente, ao ser questionado sobre a repressão violenta da polícia aos manifestantes na Turquia, o primeiro ministro turco respondeu que sua polícia utilizava os mesmos mecanismos repressivos que a polícia dos Estados Unidos e dos países europeus. Nesse ponto, ele tinha razão.
Infelizmente a mídia e a direita (o que é  um pleonasmo), após inicialmente chamarem os manifestantes de vândalos e baderneiros, resolveram fazer uma virada espetacular de opinião e passaram a apoiá-los.
O problema é que esse apoio tem um objetivo muito claro: diluir as bandeiras legítimas dos movimentos ao mesmo tempo em que tentam inserir as suas pautas reacionárias e tentam capitalizar o movimento para os seus objetivos sórdidos.
Esta virada foi sendo colocada quando a seguinte palavras de ordem foi sendo posta: “não é por centavos”. A partir do momento em que a pauta principal e inicial do movimento foi sendo escanteada, abriu-se espaço para que todo tipo de pauta fosse incluída: “contra isso tudo que está aí”, “contra a corrupção” de maneira vaga e despolitizada, “contra os impostos”, e até as mais recentes que já circulam nas redes sociais, como “contra a ditadura gay” e “pelo impeachment da Dilma”.
Os slogans também foram sendo usados de forma a despolitizar. O pior deles é “O gigante acordou”**. Este slogan é complicadíssimo. Carregado de ufanismo, ele simplesmente tenta jogar para a vala do esquecimento os séculos de lutas e resistências do povo brasileiro: os índios e suas guerras de resistência, os negros e seus quilombos, os movimentos feministas e suas marchas, a classe trabalhadora e suas greves, os trabalhadores rurais e suas ocupações, o movimento estudantil e suas manifestações…
Para os setores reacionários nenhuma dessas lutas vale, já que sempre estiveram do outro lado, dos exploradores, da elite.

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Protestos pelo país têm 1,25 milhão de pessoas, um morto e confrontos

Mais de 1,25 milhão de pessoas participaram nesta quinta-feira (20) de protestos realizados em mais de 100 cidades brasileiras, pequenas, médias e grandes. Na maior parte dos casos, foram passeatas pacíficas, mas houve confrontos entre polícia e grupos minoritários em diversas cidades, como Rio de Janeiro, que reuniu o maior público (300 mil pessoas), e em Brasília, onde manifestantes atacaram o prédio do Itamaraty. À noite, a presidente Dilma Rousseff pediu para que todos os ministros ficassem em Brasília econvocou reunião para esta sexta (21).

http://g1.globo.com/brasil/noticia/2013/06/protestos-pelo-pais-tem-125-milhao-de-pessoas-um-morto-e-confrontos.html


Manifestantes atacam prédio do TJ, lojas e pedágios em Vitória (ES)

Manifestantes que participam dos protestos em Vitória (ES) entraram em confronto com a tropa de choque da Polícia Militar após tentativa de invasão do prédio do TJ-ES (Tribunal de Justiça do Espírito Santo) na noite desta quinta-feira (20).
Por volta das 21h, manifestantes atiraram pedras contra o prédio, deixando vidros quebrados, e atearam fogo a objetos em frente ao local, de acordo com o tribunal.

Ao deixarem o TJ, manifestantes se dirigiram à ponte Darcy Ribeiro, que liga Vitória a Vila Velha, e atacaram uma praça de pedágio. Cerca de dez cabines de pedágio foram destruídas, de acordo com a secretaria.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Marilena Chauí: Haddad tem que quebrar o cartel dos empresários de ônibus


A filósofa e professora aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Marilena Chauí, avalia que a eventual revogação do aumento da tarifa de ônibus, embora importante, não resolverá o problema do transporte público de São Paulo.
“Enquanto o prefeito não quebrar o oligopólio dos empresários de ônibus, vamos andar sempre mal das pernas, não vai funcionar, mesmo que no curto prazo ele atenda às exigências do movimento e revogue o aumento da tarifa. No longo prazo o problema não estará resolvido”, disse à Rádio Brasil Atual.
Ela lembrou de quando era secretária municipal de Cultura, na gestão da prefeita Luíza Erundina (1989-93), quando foi elaborado o Projeto de Lei da Tarifa Zero, que pretendia custear o transporte público através de uma reforma tributária municipal. “Erundina enfrentou a máfia dos ônibus, e uma reação em cadeia provocada pelos grandes empresários da construção civil e dos lojistas. Movimentos contrários dos chamados bairros nobres, como Cidade Jardim, Higienópolis, Moema, pipocaram. Foi uma coisa medonha no nível da sociedade civil, e os empresários de ônibus se mancomunaram com a Câmara Municipal para impedir a aprovação do projeto.”
Ontem o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, admitiu que os empresários são um grupo difícil de enfrentar. “São um setor atrasado, tanto que foram contra a criação do Bilhete Único. É um setor cartelizado. Hoje é muito difícil retirar um operador do sistema”, avalia.
Chauí afirmou que as manifestações pela revogação do aumento das passagens são legítimas e têm de estar na pauta dos movimentos sociais. “As manifestações não poderiam ser mais justas, significa que a luta pela dignidade do cidadão na luta pela educação, pela saúde, pelo trabalho, na moradia, tem de incluir aquilo que é condição de mobilidade, que é o transporte.”
A professora, que é uma das conselheiras que esteve presente na reunião de ontem (18) do Conselho das Cidades, afirmou que a convocação do Movimento Passe Livre como participantes da reunião pelo prefeito foi democrática, mas ressalta que o prefeito Fernando Haddad (PT) demorou a agir.
“As reações do governador Geraldo Alckmin e do prefeito foram diferentes, embora as duas demoradas. Alckmin reagiu com a polícia e com prisão. E Haddad foi pego de surpresa, demorou na resposta. Mas a atitude do prefeito foi de grandeza política porque ele chamou os movimentos, todas as lideranças, o conselho, o secretariado, para um debate transparente.”

ONU acusa Israel de torturar crianças palestinas e usá-las como escudo humano

Relatório divulgado hoje expressa "profunda preocupação" com abusos cometidos por soldados

Um órgão de direitos humanos da ONU acusou as forças israelenses de maus-tratos a crianças palestinas, incluindo tortura, confinamento e até mesmo o uso de algumas delas como escudo humano, de acordo com um relatório liberado nesta quinta-feira (20/06).

Segundo o texto do Comitê da ONU sobre os Direitos da Criança, “crianças palestinas detidas por militares e policiais (israelenses) são sistematicamente sujeitas a tratamento degradante e muitas vezes a atos de tortura; são interrogadas em hebraico, uma língua que não entendem, e assinam confissões em hebreu para serem libertadas”.

O Comitê também indicou que as crianças na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, regiões ocupadas por Israel na guerra de 1967, têm o acesso aos seus registros de nascimento e aos serviços de saúde, escolas decentes e água potável rotineiramente negado.

A maior parte das crianças palestinas presa é acusada de atirar pedras, o que, segundo o relatório, pode levar a uma pena de até 20 anos de prisão. A estimativa é que 7 mil crianças, entre 12 e 17 anos, mas algumas de apenas nove anos, tenham sido presas, interrogadas e detidas desde 2002, gerando uma média de duas por dia.

Além disso, muitos desses menores teriam sido levados acorrentados nos tornozelos e algemados perante tribunais militares, enquanto os jovens seriam mantidos em confinamento solitário, às vezes por meses.

O relatório destacou profunda preocupação com o "uso contínuo de crianças palestinas como escudos humanos e informantes", dizendo que 14 casos foram notificados somente entre janeiro de 2010 e março deste ano.

A denúncia feita é que soldados israelenses usaram crianças palestinas na frente deles para entrar em edifícios potencialmente perigosos e ficar na frente de veículos militares para deter lançamentos de pedras. Quase todos esses militares permaneceram impunes ou receberam sentenças leves, segundo o documento. 

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/29552/onu+acusa+israel+de+torturar+criancas+palestinas+e+usa-las+como+escudo+humano.shtml

terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestos reúnem mais de 230 mil nas cidades brasileiras

Manifestações contra o aumento da tarifa do transporte público abarcaram insatisfações com saúde, educação e outros problemas do país


Nesta segunda-feira 17, mais de 230 mil pessoas tomaram as ruas de algumas das principais cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília para protestar. A pauta comum em todas as reivindicações foi o aumento da tarifa dos transportes públicos, mas a insatisfação com a corrupção, as obras da Copa do Mundo e a precariedade dos serviços públicos prestados – como saúde e educação - reforçaram o poder dos movimentos. É a maior mobilização popular no Brasil desde 1992, quando a população pediu o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello.
Em Belo Horizonte, o protesto foi o primeiro a ter início. A movimentação começou às 13h na Praça Sete de Setembro, no centro da capital mineira, tendo como destino o estádio do Mineirão, a quase 9 quilômetros de distância. No caminho, a multidão de 15 mil pessoas rapidamente tomou a Avenida Afonso Pena, uma das principais da cidade. 
Em Brasília, o protesto começou como manifestação pacífica na tarde desta segunda-feira 17 e a PM confirmou que 10 mil pessoas participam da "Marcha do Vinagre". 
No Rio de Janeiro, 100 mil pessoas ocuparam pacificamente o Centro da capital carioca, de onde caminharam até a Assembleia Legislativa, onde um pequeno grupo se envolveu em uma confusão após a explosão de uma bomba na rua Araújo Porto Alegre, na imediações da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). 
Na manifestação de São Paulo, mais de 65 mil pessoas se reuniram no Largo da Batata, na zona oeste, de onde saíram, em dois grandes grupos, pela avenida Brigadeiro Faria Lima e pela Marginal Pinheiros, duas das principais vias da cidades. Os dois grupos se dividiram e passaram por alguns dos principais pontos da cidade, como a avenida Paulista, palco de manifestações em dias anteriores; a ponte Estaiada, a avenida Ibirapuera, a Assembleia Legislativa e o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. 
Em Curitiba, a PM estimou em 10 mil o número de manifestantes. Em Porto Alegre, foram 5 mil. Houve ainda protestos grandes em Belém, onde 13 mil pessoas se reuniram e Salvador, também com 10 mil manifestantes. Outras capitais com manifestações foram Fortaleza, Vitória e Maceió, onde um garoto de 16 anos levou um tiro no rosto. O suspeito é o motorista de um carro que teve o veículo bloqueado por manifestantes. Manifestações ocorreram também em diversas cidades do interior do país, como Foz do Iguaçu (PR), Londrina (PR), Bauru (SP), Santos (SP), Juiz de Fora (MG).
Adaptado de :

Boca do Lixo 7



“Saudade da época em que era resolvido com borrachada”, diz promotor de justiça sobre protestos. Rogério Zagallo publicou em seu facebook que arquivaria o inquérito de quem matasse os manifestantes contra o aumento da passagem

Na última sexta-feira 7, o 1º promotor de Justiça do 5º Tribunal do Júri, Rogério Leão Zagallo, se manifestou em sua conta pessoal no Facebook a respeito dos protestos contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo. Zagallo reclamava do bloqueio, em protesto organizado pelo Movimento Passe Livre, na avenida Faria Lima e na Marginal Pinheiros. Ele disse que sentia saudades da “época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas”.
rogério zagallo promotor facebook
A mensagem publicada pelo promotor Rogério Zagallo no Facebook

Globo é expulsa de manifestação em SP


Manifestantes expulsam equipe da Rede Globo. O jornalista Caco Barcellos e seus repórteres não conseguiram ficar no protesto, que fecha a avenida Faria Lima

Os manifestantes que protestam contra o aumento da tarifa do transporte público no largo da Batata, em São Paulo, expulsaram uma equipe da Rede Globo do ato que acontece desde as 17h. O jornalista Caco Barcellos e seus repórteres não conseguiram ficar no protesto, que fecha a avenida Faria Lima. Os manifestantes expulsaram os profissionais com gritos de “Fora Globo” e “Central Globo de Mentiras”.


Repórteres da Rede Globo não usam o logotipo da emissora nos microfones durante cobertura de manifestações. Carros da emissora que levaram repórteres até locais de protestos também não tinham identificação


Temendo pela integridade física de seus repórteres, a Globo adotou uma estratégia inédita durante a cobertura das manifestações que acontecem em São Paulo nesta segunda-feira. Tanto o repórter Jean Raupp, que cobriu o evento para o “Jornal Nacional”, como seu colega Fabio Turci, apareceram na Globo sem o chamado “cubo” no microfone.
O cubo é aquela peça que fica logo abaixo do bocal do microfone, e onde todas as emissoras pintam seu logotipo. Os carros usados pela emissora para levar os repórteres até os locais de manifestação também não tinham o logotipo da emissora.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/06/microfones-da-globo-sem-o-logotipo-da-emissora.html

sábado, 15 de junho de 2013

Conheça cidades que têm transporte público de graça


Tarifa zero é possível? Conheça cidades que oferecem opções de transporte de graça organizadas por órgãos públicos e sem a participação de empresas privadas

Os protestos relacionados ao aumento da tarifa do transporte coletivo em São Paulo levantam, novamente, a discussão sobre o modelo de “Tarifa Zero”. A ideia é que os custos das passagens sejam inteiramente subsidiados por governos e prefeituras, sem que o cidadão precise pagar nada para usar o ônibus, metrô ou outros veículos incluídos na rede.
A ideia já foi considerada em São Paulo em 1990, na gestão de Luiza Erundina (PT) como prefeita. Para custear o sistema, seria implantado o “Fundo de Transporte”, que reservaria parte do dinheiro coletado no IPTU. Dessa forma, o custo do transporte coletivo para os cidadãos seriam proporcionais a seus ganhos salariais. Por apresentar um aumento no IPTU, o projeto sofreu resistência e não foi aplicado. Atualmente, o Movimento Passe Livre luta pela gratuidade no transporte coletivo, encarando a mobilidade dentro da cidade como inerente ao direito humano de acesso à cultura e a serviços públicos.
Mas será viável aplicar um modelo como esse? Confira alguns exemplos de municípios no exterior (e dois brasileiros) que conseguiram implantar a gratuidade do trasnporte coletivo:

Talinn, Estônia

Em 2013 a cidade de Talinn, capital da Estônia, implementou o esquema de transporte coletivo gratuito para habitantes, se tornando a primeira grande cidade europeia a adotar o esquema. Para fazer uso da rede completa, que inclui trens, ônibus e bondes, basta que o usuário apresente um cartão registrado na prefeitura (pode ser obtido com uma taxa de 2 euros). Internamente, o programa foi apelidado de “13o. salário”, já que usuários poderão economizar o equivalente a um salário mínimo anualmente – que, por políticos da oposição, foi visto como uma jogada populista para agradar eleitores.
A tarifa ‘gratuita’ custará aos cofres públicos o equivalente a 16 milhões de dólares, custos que devem ser cobertos com o estímulo à economia – de acordo com a prefeitura, foi registrada uma maior mobilidade nos fins de semana, indicando que pessoas saem de casa e gastam mais dinheiro no comércio e em atividades culturais. Já nos três primeiros meses de implementação, estima-se que o uso de carros na capital foi reduzido em 15%, enquanto o número de passageiros do sistema de transporte coletivo subiu 10%. Para suportar a maior quantidade de usuários, Talinn comprou 70 novos ônibus e 15 novas linhas de bonde. O objetivo é ser conhecida como “A Capital Verde” da Europa em 2018.
A cidade chinesa de Chengdu já sinalizou interesse em estudar o modelo de Talinn para oferecer transporte gratuito para seus próprios habitantes – a ideia seria diminuir a quantidade de veículos em suas ruas e amenizar seu trânsito caótico.

Sydney, Austrália

Algumas linhas centrais da cidade são gratuitas – entre elas dois exemplos de importância crucial para a movimentação de habitantes. A primeira percorre um trajeto no Central Business District, o coração da cidade, que conta com uma grande concentração comercial, assim como opções de programas culturais.
Outra linha cruza a região de Kogarah, região que possui muitos hospitais e escolas. Esses percursos são financiados, também, com o dinheiro público – direto dos cofres da prefeitura.

Changning, China

Desde 2008, tanto visitantes quanto habitantes de Changning, cidade da província de Hunan, na China, podem usar gratuitamente as três linhas de transporte coletivo. A iniciativa, que custou US$ 1 milhão aos cofres públicos, foi a primeira no país – em outros municípios, o transporte é controlado por empresas privadas que recebem um subsídio das prefeituras. Os custos de manutenção das linhas seriam cobertos por publicidade dentro dos ônibus e subsídios do governo. Logo de início, o uso de ônibus aumentou em dois terços.
Seguindo o modelo de Changning, a cidade industrial de Changzhi também adotou o de transporte coletivo gratuito em 2009.

Baltimore, EUA

Em Baltimore, cidade de cerca de 600 mil habitantes localizada no estado de Maryland, os ônibus são gratuitos e, além de tudo, híbridos – o que significa que o impacto ambiental é reduzido (não há emissões de gases em 40% do tempo de seu funcionamento). São três linhas conectadas a outras opções de transporte, como metrôs e trens.

E no Brasil?

Já existem cidades pequenas que usam os cofres públicos para financiar completamente seu sistema de transporte. Porto Real, no Rio de Janeiro, não apenas aboliu a tarifa de R$ 0,50 por trajeto, em 2011, como aumentou as linhas de ônibus que atendem o município. Com uma população pequena, de 16 mil habitantes, estima-se que 3 mil deles façam o uso do sistema diariamente. Outra cidade brasileira a adotar o sistema é Agudos, no interior de São Paulo, próxima a Bauru. A gratuidade também foi implantada em 2011, quando se extinguiu a tarifa de R$ 2,40 e, desde então, o uso dos ônibus aumentou em mais de 60%.
Para conhecer outras cidades que aderiram ao transporte coletivo gratuito (completamente ou em algumas linhas), confira o site Free Public Transport.

Folha e Estadão estimularam violência da PM e foram atendidos


De forma desonesta e irresponsável, Estadão e Folha incitaram a violência da PM em editoriais publicados antes do massacre de ontem. Ambos foram atendidos

Durante o quarto protesto por conta do aumento da tarifa de ônibus hoje em São Paulo, seis repórteres do grupo Folha foram alvejados à queima-roupa por um policial da Rota, na rua Augusta, em São Paulo. A bala era de borracha, mas os estilhaços feriram 6 profissionais. Dois deles, nos olhos. Essa foi apenas uma das dezenas de cenas de violência protagonizadas pela Polícia Militar do Estado de São Paulo nesta quinta-feira na capital paulista. As prisões, muitas com indícios de arbitrariedade, contam-se às dezenas.
Poucas horas antes, pela manhã, os dois maiores jornais do Estado chegavam às bancas e às casas dos assinantes com editoriais defendendo uma ação mais dura da PM. O Estadão incitou a violência dos policiais claramente. A Folha, por sua vez, colocou a desocupação da avenida Paulista como ponto de honra, desde o título. Ambos foram atendidos:

“Chegou a hora do basta”, O Estado de S. Paulo:

“A PM agiu com moderação, ao contrário do que disseram os manifestantes, que a acusaram de truculência para justificar os seus atos de vandalismo (…) A atitude excessivamente moderada do governador já cansava a população. Não importa se ele estava convencido de que a moderação era a atitude mais adequada, ou se, por cálculo político, evitou parecer truculento. O fato é que a população quer o fim da baderna – e isso depende do rigor das autoridades (…) De Paris, onde se encontra para defender a candidatura de São Paulo à sede da Exposição Universal de 2020, o governador disse que “é intolerável a ação de baderneiros e vândalos. Isso extrapola o direito de expressão. É absoluta violência, inaceitável”. Espera-se que ele passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade.”

“Retomar a Paulista”, Folha de S. Paulo:

“É hora de pôr um ponto final nisso. Prefeitura e Polícia Militar precisam fazer valer as restrições já existentes para protestos na avenida Paulista (…) No que toca ao vandalismo, só há um meio de combatê-lo: a força da lei”.

Adriano Diogo: “Infiltraram policiais civis e militares no meio da garotada para incitar a violência”


Na próxima terça-feira, os deputados estaduais Adriano Diogo e Beth Sahão (PT) proporão  à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a  convocação do comandante da Polícia Militar (PM), para dar explicações sobre barbárie dessa quinta-feira, 13 de junho.
“Nos últimos dias, o governo Alckmin prometeu intensificar a repressão nas próximas manifestações de rua. Ao anunciar isso publicamente, ele deu a senha para a repressão abusiva, descabida, desnecessária da PM”, atenta Adriano Diogo, que preside a Comissão. “Os policiais atiraram em jovens, jornalistas, pessoas que estavam passando… Barbarizam mesmo para forçar uma reação violenta.”
“Embora o metrô e o trem tenham aumentado, o governo Alckmin, nas entrevistas, só se refere ao aumento do ônibus, para atingir o governo Haddad”, prossegue o deputado. “É uma ação pensada, bem orquestrada, com vistas à eleição de 2014, e com o objetivo de desmoralizar o PT.”
“Nessas horas, dá perceber claramente o que nós já sabemos: a  estrutura policial da ditadura permanece intacta, principalmente os setores de inteligência, como a P2 [serviço reservado da PM] e a tropa de choque”,  denuncia Adriano. “Infiltraram policiais civis e militares à paisana no meio da garotada para incitar a violência. Ninguém me contou, eu vi um bando de profissionais em provocação – não eram estudantes! –,  quebrando vidro, fazendo bandidagem.”

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Autoridades ou canalhas?

1- Promotor que incitou violência é demitido do Mackenzie

O promotor Rogério Leão Zagallo, que causou polêmica ao escrever um comentário no Facebook pedindo à Tropa de Choque que atirasse contra os manifestantes do Movimento Passe Livre, será desligado da Universidade Mackenzie, onde dá aulas no curso de Direito.
O próprio professor declarou aos seus alunos que não mais fará parte do corpo docente da universidade a partir do próximo semestre. Segundo ele, a universidade decidiu não renovar o seu contrato.
Preso no trânsito durante o protesto da última quinta-feira (6), o promotor escreveu em seu perfil pessoal: “Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial?”

2- O policial pilhado quebrando o vidro da própria viatura

A cena gravada neste vídeo conta muito sobre o que está acontecendo em São Paulo nestes dias em que jovens estudantes decidiram ir às ruas protestar contra o aumento do ‘busão’ – e muitas coisas mais, naturalmente.
Um policial foi pilhado quebrando o vidro da própria viatura sabe-se muito bem com que finalidade – culpar os vândalos, armados com uma perigosa arma chamada vinagre.
Quanto os protestos tocaram fundo na insatisfação da sociedade com o rumo das coisas se vê nas pesquisas.

PM BARBARIZA NA REPRESSÃO AO PROTESTO EM SP

Aos números: 235 presos e 7 jornalistas agredidos, numa ação que chocou até a Anistia Internacional; protesto contra o aumento dos ônibus teve jovens detidos ainda na concentração; prefeito Fernando Haddad condenou "violência policial" e o secretário de Segurança, Fernando Grella, afirmou que a corregedoria da instituição irá atuar para coibir abusos


No quarto dia de protestos contra os aumentos de ônibus em São Paulo, a Polícia Militar decidiu barbarizar. Ainda na concentração, 40 jovens foram detidos. Na madrugada, contabilizados todos os presos, eram nada menos que 235 pessoas. Desses suspeitos, 198 foram encaminhados ao 78º DP (Jardins) e outros 37 para o 1º DP (Liberdade). Destes, 231 foram soltos e quatro seguem detidos, acusados de formação de quadrilha.
Ao comentar o episódio, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad condenou a violência policial. "Na terça, a imagem que ficou foi da violência dos manifestantes. Hoje, infelizmente, não resta dúvida, a imagem que ficou e da violência policial". O secretário de Segurança do estado, Fernando Grella, disse que as ações foram tomadas para garantir o "direito de ir e vir", mas afirmou que abusos serão investigados pela "corregedoria" da instituição.
Ao todo, sete jornalista da Folha de S. Paulo foram agredidos e, entre os detidos,  está o repórter da "Carta Capital", Piero Locatelli. A repressão ao trabalho da imprensa provocou protestos até mesmo da Anistia Internacional.
Os protestos criticam o aumento das passagens dos ônibus de R$ 3,00 para R$ 3,20 e o Ministério Público propõe um congelamento dos preços durante 45 dias – que seria o prazo para uma negociação com o governador Geraldo Alckmin e com o prefeito Fernando Haddad. "Quanto a reduzir o valor da passagem, não há possibilidade", afirmou o governador. O prefeito Fernando Haddad (PT) também disse que não reduzirá a tarifa de ô

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A manobra de Joaquim Barbosa para triplicar folha salarial do CNJ


Joaquim Barbosa manobra para triplicar folha de salários do CNJ. Ministro busca aumentar em R$ 74 milhões o teto do CNJ para contratação de servidores; manobra desafia o Tribunal de Contas da União

Sem conseguir nos bastidores emplacar no Congresso mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Joaquim Barbosa, quer editar resolução que praticamente triplica o limite de gastos do órgão com o pagamento de pessoal. Em valores, Barbosa busca aumentar em R$ 74 milhões o teto do CNJ para contratação de servidores – de R$ 40,4 milhões para R$ 114,4 milhões. A manobra desafia o Tribunal de Contas da União (TCU), que considera obrigatório o aval do Legislativo para as alterações.

Para não precisar do Congresso, que desde 2009 debate novos parâmetros da LRF para o Judiciário, Barbosa pediu aos presidentes de quatro tribunais superiores (Superior Tribunal de Justiça, Superior Tribunal Militar, Tribunal Superior do Trabalho e Tribunal Superior Eleitoral) que cedam ao CNJ parte dos seus limites de despesas. A proposta de resolução, assinada pelo ministro, precisa ser aprovada pelo plenário do conselho. Sem ela, o órgão estourará o máximo de gastos definido pela legislação e não poderá convocar todos os candidatos já aprovados no concurso feito este ano.
Conforme informações encaminhadas pelo CNJ aos quatro tribunais superiores, às quais o Estado teve acesso, o limite atual de despesas “mostra-se insuficiente para comportar as presentes despesas e os acréscimos decorrentes do provimento de cargos”. Os gastos previstos na lei orçamentária já ultrapassariam o limite de despesas com pessoal definido para este ano. Em alguns cenários, incluindo aumento de salário e contratação dos 177 candidatos aprovados em concurso para o CNJ, o limite poderia ser extrapolado em cerca de R$ 9 milhões.
O CNJ foi criado após a aprovação da LRF, sancionada em 2000. Por isso, os limites de gastos do órgão vêm sendo definidos por normas internas – a mais recente é a Resolução 26, de 2006, em vigor atualmente.
Segundo o TCU, contudo, a solução é irregular, pois uma lei complementar não pode ser alterada pela caneta dos conselheiros. “Como a divisão interna dos porcentuais entre os diversos órgãos do Poder Judiciário foi feita a partir de um comando expresso contido na LRF, esses valores não ensejam modificação apenas por meio de uma resolução daquele órgão. A via legislativa é o canal indicado para a promoção dessas alterações”, diz decisão da corte de contas, que analisou a reivindicação em 2008 e recomendou ao conselho que tomasse providências para que as mudanças tivessem o aval do Congresso.
Desde 2009, um projeto visando à adequação dos parâmetros tramita no Legislativo, mas não foi votado. Diante disso, Barbosa pretende levar adiante a aprovação de mais uma resolução, aumentando as despesas do CNJ, apesar do entendimento do Tribunal de Contas. A restrição feita pelo tribunal foi lembrada aos assessores de Barbosa. Mas, segundo fontes dos tribunais, o presidente decidiu levar o projeto adiante.
Procuradores do Ministério Público que atuam no TCU adiantam que, aprovada a norma no CNJ, cabe representação para que a corte analise novamente o caso. “Se a matéria é tratada por lei, você não pode alterar por portaria ou resolução, a não ser que a própria lei preveja assim”, diz um dos representantes do MP.
O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal criticou, nos últimos dias, a proposta de criação de quatro novos tribunais regionais federais (leia abaixo) e o consequente aumento de custos no Judiciário. No começo de sua gestão, chegou a sugerir no CNJ que uma comissão avaliasse a necessidade da existência Justiça Militar. Desta vez, Barbosa viu-se compelido a pedir a anuência dos presidentes do Conselho da Justiça Federal (CJF), Felix Fischer, e do Superior Tribunal Militar (STM), general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho.
Em documento enviado à presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, e ao presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Carlos Alerto Reis de Paula, Barbosa pede que todos se manifestem favoravelmente à nova resolução.

Pai consegue condenação de PMs pelo assassinato do filho

Em decisão inédita, Justiça condena dois policiais a 15 anos por homicídio e ocultação de cadáver do jovem Rodrigo Isac dos Santos, crimes ocorridos em 2001


“Tenha cuidado”, disse Elias ao filho Rodrigo, de 17 anos, na noite de sábado, 18 de novembro de 2001. O rapaz estava a caminho da discoteca Weif, em Guarulhos, com a namorada. Na volta da balada, deixou a garota em casa e seguiu caminhando junto com cinco amigos. Quando chegou à avenida Miguel Ackel, no bairro de Vila Isabel, foram chamados por dois jovens para ajudá-los a carregar fios de eletricidade que estavam sendo roubados. Três carros da Polícia Militar surgiram e começaram a persegui-los. Os policiais deram seis tiros. Todos correram. Quatro, para o quintal de uma casa; o quinto escondeu-se debaixo de um carro. O único que não conseguiu escapar foi Rodrigo. Sob os olhares de vizinhos e amigos, foi colocado na caçamba da viatura. Jamais retornou.
“Onde está meu filho?” perguntou-se o pai quando acordou na manhã seguinte. Ele esperou até terça feita, quando saiu a pé para fazer o percurso de sua casa até a discoteca onde o jovem fora na noite de sábado. Ali começava a longa investigação pelo paradeiro de seu filho. A saga de Elias Isac dos Santos durou 11 anos e meio e culminou na condenação, por homicídio e ocultação do cadáver de Rodrigo, de dois dos sete PMs envolvidos no seu desaparecimento.
No dia 3 de abril deste ano, o policial Jair de Almeida Bernardo foi sentenciado a 15 anos de prisão. Em 10 de setembro de 2012, Ricardo Veron Guimarães Júnior já havia sido condenado ao mesmo tempo de reclusão. 
Leia mais:

4 milhões de hóstias com dinheiro público!


Jornada da Juventude católica ataca o Estado Laico.

A Jornada mundial da Juventude Católica, evento que reunirá centenas de milhares de jovens no Brasil durante o mês de julho será também a primeira visita do novo Papa ao Brasil. O custo estimado da visita para os cofres públicos será de R$118 milhões, segundo dados divulgados pelo Jornal O Globo. O gasto será dividido entre governos federais, estaduais e municipais. O primeiro desembolsará R$62 milhões.
Entre as descrições dos gastos, no entanto, consta a compra de 4 milhões de hóstias!
A Jornada será para a Igreja o momento de reforçar a ideologia de sua cúpula, que se posiciona favorável  ao ensino religioso nas escolas, é contra o direito ao aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao mesmo tempo em que encobre casos de pedofilia e prega a paz enquanto o banco do vaticano financia empresas armamentistas.
Trata-se de um ataque ao Estado Laico, que não deveria investir um centavo em eventos dessa natureza. Religião é assunto privado e não de Estado! Como na Espanha, durante a jornada em 2011, é preciso levantar a palavra de ordem: “Dos meus impostos ao Papa: Zero!”

domingo, 9 de junho de 2013

Estatuto do Nascituro, a maior aberração dos últimos tempos


Óvulo fecundado passaria a ter mais direitos que uma mulher; meninas estupradas não poderiam realizar aborto. No Estatuto do Nascituro, a mulher não passa de um vaso de planta. Projeto é defendido pela bancada evangélica

Leonardo Sakamoto, em seu blog
A Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovou, nesta quarta (5), substitutivo ao projeto que cria o Estatuto do Nascituro. Ele prevê o direito ao pagamento de pensão às crianças concebidas por estupro. A proposta segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça antes de ir para o plenário. Com isso, são criadas brechas para criminalizar o aborto em casos de estupro – hoje permitido por lei. Na prática, o embrião passa a ter mais direitos que a mulher violentada. O projeto tem sido defendido por deputados da bancada evangélica.
OK, deu. Vamos entregar a questão da saúde pública aos cuidados das igrejas, pronto. Certamente, as igrejas terão a coragem de pôr em prática ações que o Estado não toma. Os problemas sociais serão resolvidos com base no Código de Direito Canônico e, por que não, na reedição da bulaCum ad nihil magis, do Santo Ofício. Por exemplo, lembrar aos médicos que fizerem abortos, mesmo que nos raros casos previstos em lei, que eles estão sob risco de uma eternidade de privações no limbo (já que não se fazem mais fogueiras em praças públicas como antigamente) vai por um ponto final na questão.
Inferno e o limbo não existem. Mas não é todo mundo que sabe disso.
Não há defensora ou defensor do direito ao aborto que ache a interrupção da gravidez uma coisa fácil e divertida de ser feita, equiparada a ir à padaria para comprar uma rosca de torresmo. Também não seriam formadas filas quilométricas na porta do SUS feito um drive thru de fast food de pessoas que foram vítimas de camisinhas estouradas. Também não há pessoa em sã consciência que defenda o aborto como método contraceptivo. Aliás, essa ideia de jerico aparece muito mais entre as justificativas daqueles que se opõem à ampliação dos direitos reprodutivos e sexuais do que entre os que são a favor. A interrupção de uma gravidez é um ato traumático para o corpo e a cabeça da mulher, tomada após uma reflexão sobre uma gravidez indesejada ou de risco. Defender o direito ao aborto não é defender que toda gestação deva ser interrompida. E sim que as mulheres tenham a garantia de atendimento de qualidade e sem preconceito por parte do Estado se fizerem essa opção.
Hoje, o “direito” ao aborto depende de quanto você tem na conta bancária. Afinal de contas, mulher rica vai à clínica, paga R$ 4 mil e pronto. Mulher pobre se vale de objetos pontiagudos ou remedinhos vendidos a torto e direito sem controle e que podem levar a danos permanentes. A discussão não é quando começa a vida, sobre isso dificilmente chegaremos ao um consenso, mas as mulheres que estão morrendo nesse processo. Negar o “direito ao aborto” não vai o diminuir o número de intervenções irregulares, eles vão acontecer legal ou ilegalmente.
Mas aborto é mais do que um problema de saúde pública. Negar a uma mulher o direito a realizá-lo é equivalente a dizer que ela não tem autonomia sobre seu corpo, que não é dona de si. Na minha opinião – e na de vários outros países que reconheceram esse direito, ela tem sim prevalência a ele. É uma vergonha ainda considerarmos que a mulher não deve ter poder de decisão sobre a sua vida, que a sua autodeterminação e seu livre-arbítrio devem passar primeiro pelo crivo do poder público e ou de iluminados guardiões dos celeiros de almas, que decidirão quais os limites dessa liberdade dentro de parâmetros. Parâmetros estipulados historicamente por homens.
É extremamente salutar que todos os credos tenham liberdade de expressão e possam defender este ou aquele ponto de vista. Mas o Estado brasileiro, laico, não pode se basear em argumentos religiosos para tomar decisões de saúde pública ou que não garantam direitos individuais, como poder abortar em caso de estupro. A justificativa de que o embrião tem os mesmos direitos de uma cidadã nascida é, no mínimo, patético.

100 mil acessos!

Registramos, hoje, 09/06/2013, 100 mil acessos ao nosso blog! É um fato muito importante para a mídia independente e para o processo de democratização da comunicação.
A mídia tradicional perde a cada dia que passa a confiança, e não por menos: só repassa uma visão dos fatos, a que interessa ao poder econômico!
Nosso blog desde o início se comprometeu em passar a outra visão: a dos oprimidos! Assim, garimpamos informações em diversas fontes para passar uma visão mais fiel aos acontecimentos e sob uma ótica mais independente possível!
Obrigado a todos que tem acessado e divulgado nosso blog!
A boa informação é uma Questão de Foco!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

EUA têm acesso direto aos servidores de Google, Facebook e Apple, dizem jornais

Documento revela a existência de um programa capaz de obter e-mails, fotos, vídeos, bate-papos e arquivos dos clientes dessas empresas


Um documento divulgado nesta quinta-feira 6 pelos jornais The Washington Post e The Guardianrevelou que o governo dos Estados Unidos possui um programa que dá acesso direto aos servidores de algumas das gigantes da internet, como Google, Facebook e Apple. O programa secreto, chamado de PRISM, permite que a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) monitore os históricos da web e de internet de usuários e obtenha e-mails, fotos, vídeos, bate-papos, arquivos, conversas de programas como o Skype e detalhes de redes sociais.
A fonte da informação é uma apresentação de PowerPoint de 41 slides que, segundo o Guardian, foi confirmada como autêntica. Ela data de abril de 2013. O documento mostra o funcionamento do PRISM e teria sido usado para treinar pessoal de inteligência para sua utilização. De acordo com oGuardian, a coleta de dados é feita diretamente nos servidores da empresa, e estão sujeitos ao monitoramento “quaisquer clientes das companhias que vivem fora dos Estados Unidos ou norte-americanos cujas comunicações incluem pessoas fora dos Estados Unidos”.
Segundo o documento obtido pelo Guardian, a primeira empresa a fazer parte do PRISM foi a Microsoft, em 2007. Depois, vieram Yahoo (2008); Google, Facebook e PalTalk (2009); YouTube (2010); Skype e AOL (2011); e Apple (2012). O Dropbox, serviço de arquivamento na nuvem, é apontado como o próximo a ser monitorado.
O documento diz que as empresas contribuem para a operação do PRISM, mas todas elas foram contatadas pelo Guardian e negaram a informação. O Google disse não ter uma “porta de trás por meio da qual o governo pode acessar” seus dados e afirmou entregar informações apenas seguindo determinações judiciais. Um executivo de uma das companhias afirmou anonimamente que “se o governo está fazendo isso, é sem nosso conhecimento”.
A apresentação obtida pelo jornal britânico revela que o PRISM é vastamente usado em investigações. A NSA fala sobre um “forte crescimento” no uso do programa e afirma que 77 mil relatórios de inteligência norte-americanos usaram o programa de alguma forma para obter informações. Segundo o WPost, um sétimo dos relatórios teriam informações deste tipo.
A internet é norte-americana Também nesta quinta-feira, o Guardian revelou que a NSA tem monitorado as ligações de milhões de clientes da operadora telefônica Verizon, uma das maiores dos EUA. A autorização teria sido concedida, segundo o jornal, por um tribunal sigiloso, a Corte de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa, na sigla em inglês), criada pelo Congresso durante o governo de George W. Bush e renovada pouco antes de Barack Obama assumir o poder.
Na apresentação sobre o PRISM, a NSA afirma, segundo o Guardian, que o programa foi criado para driblar as restrições impostas por mudanças realizadas em dezembro de 2012 na lei que rege a existência do Fisa, o tribunal secreto. O documento salienta que a infraestrutura de quase todas as grandes companhias de internet se encontra nos EUA, o que dá ao país a vantagem de “jogar em casa” . Essa vantagem, afirma o Guardian citando o documento sigiloso, teria sido perdida com as novas restrições da lei. Assim, a NSA teria partido para a opção de obter os dados diretamente dos servidores da empresa, sem precisar de autorização judicial para tanto.

Ativistas e atores de Hollywood lançam campanha em apoio a Bradley Manning

Soldado que revelou dados do exército dos EUA ao Wikileaks tem apoio de Oliver Stone, Tom Morello e Daniel Elsberg


Um grupo de artistas, jornalistas e ativistas iniciou uma campanha na internet em apoio ao soldado norte-americano Bradley Manning, que está sendo julgado por repassar centenas de milhares de documentos diplomáticos dos Estados Unidos ao site Wikileaks. A campanha “Eu sou Bradley Manning” é realizada pelo mesmo grupo que afirma já ter reunido mais de 61 mil assinaturas para candidatar o nome do militar ao Prêmio Nobel da Paz.

Manning começou a ser julgado nesta segunda-feira (03/06) por um tribunal militar no Forte George Meade, estado de Maryland, e pode ser condenado à prisão perpétua.

No vídeo, os participantes perguntam ao espectador o que eles fariam no lugar de Manning e se teriam coragem de revelar ações ilegais, crimes de guerra ou “atos terríveis” de seu próprio país. E, por essa razão, eles afirmam que “qualquer um de nós poderia ser Bradley Manning”.

Entre os rostos mais famosos da campanha, participam do vídeo o diretor de cinema Oliver Stone (Wall Street, Platoon, Ao Sul da Fronteira), a atriz Maggie Gyllenhaal (Adaptação, Donnie Darko), os atores Peter Sarsgaard (Educação), Russel Brand (The Russell Brand Show) e Wallace Shawn (Meu Jantar com André, Manhattan e All That Jazz – O Show Deve Continuar), o músico Moby e o baixista Tom Morello (Rage Against the Machine), além dos líderes do movimento Occupy Wall Street. Também se faz notada a presença do militar progressista norte-americano Dan Choi, ativista pelos direitos da comunidade LGBT.

“É muito difícil para um soldado de baixa patente se voltar contra seus oficiais depois de presenciar um crime de guerra”, lembra Stone.

Também participa o ex-analista militar norte-americano Daniel Elsberg, que causou uma crise no Pentágono em 1971 quando forneceu ao jornal The New York Times uma série de documentos que ficaram conhecidos como “os Papeis do Pentágono”. Tratam-se de documentos secretos do Departamento de Defesa que revelaram detalhes sobre atividades das Forças Armadas norte-americanas durante a Guerra do Vietnã. No vídeo, enquanto todos dizem o nome da campanha, ele é o único com autoridade para dizer “Eu fui Bradley Manning em 1971, quando revelei os Papeis do Pentágono que ajudaram a acabar com a Guerra do Vietnã”. Elsberg é um dos ativistas mais engajados em campanhas para a libertação do soldado.
No site da campanha, o texto de abertura afirma que “Não existe qualquer evidência de que alguém tenha morrido como resultado do vazamento de informações, mas Bradley pode ser condenado à prisão perpétua ou até à morte. A principal acusação contra ele é a de que ‘ajudou o inimigo’, uma ofensa capital. Como público que se beneficiou dessa informação, isso faz de nós inimigos? Que preço os futuros informantes irão pagar?”.

Desenrolar do julgamento

O julgamento de Manning começou na última segunda-feira (04/06) e deve durar três meses. Manning já se declarou culpado por dez das 22 acusações que enfrenta, todas de menor responsabilidade.

Na terça (05/06), Mark Johnson, um investigador forense digital do Exército, afirmou na corte que não encontrou provas no laptop de Manning de que o soldado nutra algum tipo de ódio por seu país ou tenha qualquer material relacionado com terrorismo.

A defesa do soldado defende a tese de que ele é um jovem “ingênuo, porém bem intencionado”, que pretendia apenas revelar ao público norte-americano o custo humano das guerras do Afeganistão e do Iraque.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sobre a nova ofensiva pela redução da maioridade penal


Nas últimas semanas ressurgiu o debate sobre a redução da maioridade penal após a morte do estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, assassinado por um menor durante um assalto no mês abril, em São Paulo, caso que gerou uma legítima indignação. Victor, mesmo sem reagir, foi assassinado. Poucos dias após cometer o crime, o jovem homicida completou 18 anos e caso condenado cumprirá pena como menor.
Aproveitando o ensejo, o governador de São Paulo, Alckmin (PSDB) e seu colega de partido, José Serra, defenderam alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para ampliar o rigor a infratores com menos de 18 anos, por exemplo, aumentando para até oito anos o período de internação do menor.
Discussão desvia do verdadeiro problema
A defesa da redução da maioridade penal também volta a ser apresentada como solução para o fim da violência no país, o que desvia o foco para longe das causas reais do problema.
O que empurra juventude brasileira para o crime é a falta de acesso à educação, emprego, saúde, moradia, saneamento, esporte e cultura. Não será com penas mais duras e com repressão pesada que se resolverá a questão.
O sistema penitenciário brasileiro não recupera ninguém. Pelo contrário, a cadeia é uma autêntica universidade do crime. Os presídios brasileiros estão superlotados, deteriorados, sem as mínimas condições humanas de funcionamento. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, o Brasil tem mais de 527 mil presos e um déficit de mais de 183 mil vagas. A redução da maioridade penal aumentaria ainda mais esse caos.
Longe de ser neutra, a justiça está do lado da burguesia e é mais um instrumento de dominação de uma classe sobre outra. Em abril de 1997, jovens de classe média alta de Brasília, entre eles um menor de 18 anos atearam fogo e mataram o líder indígena Galdino Jesus dos Santos, achavam “que era um mendigo”. À ocasião A burguesia não houve alarde para reduzir a maioridade penal. A redução da idade penal servirá apenas para encarcerar em massa a juventude pobre, em especial os jovens negros!
A questão central é a necessidade de políticas públicas para fechar a porta do crime, aberta pela ausência de perspectivas a está jogada a juventude filha das classes trabalhadoras.