sexta-feira, 17 de maio de 2013

MORRE VIDELA, O MAIOR GENOCIDA DA AMÉRICA LATINA

"O inferno é pouco", definiu o jornal argentino Página 12, sobre a morte do ditador Jorge Videla; responsável por milhares de assassinatos, pelos quais foi condenado a prisão perpétua, Videla morreu de causas naturais aos 87 anos, na Penitenciária Marcos Paz; ele próprio admitiu a responsabilidade pelas "mortes e desaparecimentos de entre 7 mil e 8 mil pessoas" durante seu governo; "Tenho peso na alma, mas não estou arrependido de nada", declarou

Monica Yanakiew
Correspondente da Agência Brasil/EBC
Buenos Aires - O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla morreu nesta sexta-feira (17), às 6h30, de causas naturais, na Penitenciária Marcos Paz. Ele cumpria pena de prisão perpétua por crimes de lesa-humanidade.
Videla, que tinha 87 anos, presidiu a Argentina no período de 1976 a 1981. Ele foi o líder do golpe de 24 de março de 1976. Quando a democracia foi restabelecida no país, em 1993, o ex-ditador e outros membros das juntas militares que governaram o país foram processados por crimes contra a humanidade. Videla foi condenado à prisão, mas acabou sendo anistiado no governo Carlos Menen.
Em 2003, Néstor Kirchner assumiu a Presidência da Argentina e revogou as leis de anistia em vigor no país. Com isso, Videla foi novamente processado. Em dezembro de 2010, ele foi condenado à prisão perpétua. A pena, desta vez, teve de ser cumprida em cela comum e não mais em uma prisão militar.
O ex-ditador foi acusado de ser o responsável pelo desaparecimento de pessoas e por roubos de bebês. Essas crianças eram filhos de desaparecidos, e nasceram em cativeiro ou foram sequestradas enquanto estavam com os pais e entregues para adoção, muitas vezes a famílias ligadas ao regime.
Cerca de 30 mil pessoas desapareceram na ditadura argentina, segundo organizações de direitos humanos. Até os últimos dias de vida, Videla defendeu a atuação dos militares na ditadura. Para ele, a "guerra suja" era necessária contra a guerrilha armada. O ex-ditador nunca informou o paradeiro dos corpos dos desaparecidos nem dos bebês sequestrados.
Confira aqui a reportagem sobre a morte de Videla no principal jornal do país, o Clarín.

“Hoje”: filme retrata drama das vítimas da repressão na ditadura


Vera abre a porta do apartamento e uma garrafa de champanhe para comemorar a aquisição do imóvel para o qual está mudando. Assim começa o filme Hoje, de Tata Amaral, que entra em cartaz dia 19 de abril. Em outra cena, Vera rasga, mastiga e engole a página do Diário Oficial da União com o decreto de 1995 onde o governo brasileiro sanciona a lei reconhecendo como mortas pessoas desaparecidas durante o regime militar.
Nas duas cenas as contradições que vive a personagem. O filme se passa em 1998. No dia da mudança, Vera, interpretada por Denise Fraga, exprime os conflitos e dúvidas, as sequelas deixadas pela repressão do regime militar, em particular pela perda de seu companheiro Luiz, interpretado por Cesar Troncoso.
Militantes contra a ditadura, Vera e Luiz foram presos e torturados, Luiz desaparece em 1974. A compra do apartamento é feita com a indenização, após o governo reconhecer Luiz como morto pela ditadura.
Durante o dia da mudança, num diálogo com Luiz que reaparece, Vera exprime seus tormentos: a perda da pessoa amada, a dúvida sobre sua sobrevivência, as condições de sua prisão, a lembrança viva da tortura que ela sofreu e o próprio questionamento sobre a compra do apartamento com a indenização.
Tudo se desenvolve no diálogo com o ex-companheiro, num processo onde, ao remoer o drama passado, ainda presente, Vera vai tecendo o caminho para chegar ao dia de hoje, numa ensolarada avenida São Luiz, no centro de São Paulo. Tata Amaral dirige o filme como quem tece, junto com Vera, a superação de um drama.
O filme é dedicado a Serguei, Luiz Carlos, seu companheiro, morto em 1979, quando ambos eram militantes da Organização Socialista Internacionalista, hoje Corrente O Trabalho.
Tata falou ao nosso jornal: 
“‘Hoje’ fala da necessidade de iluminarmos o passado. Vera – e acredito que a sociedade brasileira – não pode mais seguir em frente sem levantar o que havia escondido debaixo do tapete. A verdade é revolucionária! A história de amor de Vera e Luiz vem à luz neste momento, quando todos estamos diante dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. Fiat lux”.

Grávida terá estabilidade durante o aviso prévio

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta sexta-feira, 17, a lei que garante estabilidade no emprego à trabalhadora que tiver a gravidez confirmada durante o período de aviso prévio.

A lei acrescenta o artigo 391-A à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para dispor que "a confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias."
Esse trecho do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias proíbe a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. A Lei 12.812 está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira, 17.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

ALAGOAS LIDERA RANKING DE TRABALHO ESCRAVO NO NE

Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com 141 resgates, Alagoas aparece no topo do ranking no Nordeste e o oitavo na lista nacional. O Pará, com 563 casos, encabeça a relação. Apesar de ter uma população com pouco mais de 60 mil habitantes, a cidade de Penedo, interior de Alagoas, aparece como a terceira com maior número de trabalhadores resgatados em 2012. Foram 110 pessoas que estavam sendo escravizadas pelo setor da Construção Civil. O município alagoano aparece na frente de São Paulo (95 casos). A cidade paraense de Marabá é a primeira no ranking com 150 casos, na área siderúrgica.


Alagoas247 - Um balanço divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nesta segunda-feira (13), revelou que, em 2012, 141 trabalhadores mantidos em condições análogas à escravidão foram libertados em Alagoas. A quantidade de pessoas libertas no Estado foi à maior de todo o Nordeste.

Segundo os dados divulgados pelo MTE, 37,5% de todos os resgatados realizados na região eram mantidos em condições análogas à escravidão em ambientes de trabalho localizados em Alagoas. Ao todo, duas operações foram feitas no Estado.

A terceira maior operação realizada em todo Brasil aconteceu no município de Penedo, quando 110 pessoas que trabalhavam em um empreendimento no setor da construção civil foram resgatadas por equipes do MTE.
Em nível nacional, houve um aumento de 14,37% em relação a 2011, no número de trabalhadores libertos. Em 2012, 2.849 pessoas foram resgatadas em todo o Brasil.

O MTE atribui o aumento de número de resgatados ao fato de as ações fiscais terem sido realizadas em regiões até então não inspecionadas com habitualidade. Além disso, o Ministério explicou que ocorreu um aprimoramento da triagem das denúncias e do planejamento das ações.

A região onde houve a maior quantidade de pessoas libertadas foi a região Norte (1.100), seguida pelas regiões Sudeste (496), Nordeste (376), Sul (367) e Centro-Oeste (333).

Já a maior operação ocorreu no município de Marabá, no Pará, onde 150 trabalhadores de uma siderúrgica foram resgatados. Já na cidade de Perobal, no Paraná, 125 pessoas do setor sucroalcooleiro foram libertadas. Esta foi a segunda maior fiscalização realizada pelo MTE em todo o Brasil.

"Rebeldes" sírios cometem crime contra a humanidade



O vídeo mostrando o rebelde Abu Sakkar comendo o que parece ser um pedaço do coração de um soldado foi postado no último domingo e é um dos mais chocantes já divulgados em mais de dois anos de guerra na Síria

Um vídeo que parece mostrar um rebelde sírio comendo um pedaço do coração de um soldado morto foi duramente criticado.
O grupo americano de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch identificou o rebelde como Abu Sakkar, um conhecido insurgente da cidade de Homs. De acordo com a organização, o ato de Sakkar constitui um crime de guerra.
“Juro por Deus que vou comer seus corações e seus fígados, soldados de Bashar, o cão”, afirma o homem no vídeo junto ao corpo do soldado, se referindo ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

Líder rebelde

O Human Rights Watch (HRW) diz que Abu Sakkar é o líder do grupo chamado Brigada Independente Omar al-Farouq.
“A mutilação de corpos de inimigos é um crime de guerra. Mas, uma questão ainda mais séria, é o agravamento da retórica sectária e da violência (na Síria)”, disse Peter Bouckaert, da HRW, à agência de notícias Reuters.
Segundo o grupo, não importa qual dos lados na Síria esteja envolvido em crimes de guerra, todos precisam saber que não existe impunidade e que serão levados à Justiça.
O HRW diz que Abu Sakkar já tinha sido filmado disparando foguetes contra áreas xiitas do Líbano e posando ao lado de corpos de combatentes do grupo militante libanês Hezbollah – que estão ajudando forças do governo sírio.
O vídeo mostrando Sakkar comendo o que parece ser um pedaço do coração de um soldado foi postado no domingo e é, segundo o correspondente da BBC em Beirute, Jim Muir, um dos mais chocantes já divulgados em mais de dois anos de guerra na Síria.
A ONU diz que 70 mil pessoas foram mortas desde o início da rebelião contra o governo de Bashar al-Assad em março de 2011.
Muitos sírios já fugiram do país e mais de um milhão de pessoas foram registradas como refugiados, segundo a ONU. Destes, pelo menos 300 mil estariam na Turquia.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/05/video-de-rebelde-sirio-comendo-coracao-de-soldad.html

sábado, 11 de maio de 2013

JORNAL O GLOBO PEDE DESEMPREGO EM EDITORIAL

Jornal comandado por João Roberto Marinho diz que a inflação persiste, que o governo deve fazer escolhas e que manter o mercado de trabalho aquecido é uma "tentação" a ser evitada


247 - O Globo quer desemprego. E explicitou seu desejo em editorial publicado nesta sexta-feira, em que comenta a "persistência da inflação". Leia abaixo:
A persistência da inflação
Na visão otimista de Brasília, a inflação, depois de ultrapassar o limite superior da meta (6,5%), com 6,59%, recuará. De fato, mas o 0,55% do IPCA de abril veio acima das previsões, subiu em relação a março (0,47%) e, assim, o índice em 12 meses recuou menos que o esperado, estacionando na fronteira dos 6,49%. O centro da meta, de 4,5%, continua distante, e as melhores expectativas apontam para um índice pouco acima de 5% este ano, ainda alto.
O Banco Central saiu da letargia na última reunião do Copom, elevou os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto, para 7,5%, por não desconhecer como a persistência de uma inflação elevada, numa economia ainda bastante indexada, pode deteriorar as expectativas e manter os preços sob pressão.
O momento é cada vez mais de escolhas do governo. É evidente a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido com vistas às eleições do ano que vem. Porém, num quadro de quase pleno emprego, o crescimento dos salários acima da produtividade deprime a indústria — o setor deu sinais de vida em março, porém, em relação ao mesmo mês do ano passado, continua com números negativos (retração de 3,3%). Faz com que "vaze" demanda para as importações, ajudando a desequilibrar a balança comercial. E, por paradoxal que seja, isto contribui para mais um "pibinho".
Além de tudo, impulsiona a inflação nos serviços. Em abril, este item do IPCA subiu 0,54%, mais que a média. Em bases anualizadas, a alta é de 8,13%. Com os salários em ascensão, e sem que haja concorrência externa — não se importam manicures, oficinas etc —, os serviços ostentam razoável fôlego para se tornar mais caros.
Pelo menos até agora, a aposta oficial na redução da pressão vinda dos alimentos ainda não se confirma na dimensão esperada. Há retrações, mas o encarecimento de vários produtos funciona como um anteparo às quedas. Só em abril, por exemplo, a batata inglesa deu um salto de 60,4%.
No saldo final deste surto de inflação são punidas as famílias mais pobres, clássicas vítimas da carestia na alimentação. Aquelas, por ironia, com as quais o governo conta para a reeleição de Dilma.
Diretores do BC têm procurado reafirmar o compromisso da instituição com a defesa do poder aquisitivo da moeda — é o que se espera de um banco central. Justifica-se, porém, o mantra devido ao déficit de credibilidade na autonomia da instituição. A próxima reunião do Copom, na última semana do mês, será novo teste para o BC.
Fica claro que se trata de uma falácia o argumento de que a inflação brasileira foi impulsionada pela quebra de safras americanas e em outras regiões do mundo. Afinal, este impacto inflacionário não se observou nos demais países. As causas são mais internas que externas.

Comentário do blogueiro: Haja cinismo! Nada no Brasil é concessão, os poucos avanços são frutos da luta da classe trabalhadora. Mas, para a mídia dominante, capacha dos banqueiros e especuladores, o Brasil, não pode ter "O mercado de trabalho aquecido... num quadro de quase pleno emprego, o crescimento dos salários"

Grécia e Portugal batem novos recordes de desemprego

Principais atingidos são os jovens; em Portugal, situação piora entre os que estão há mais de um ano desocupados

Dois dos países mais afetados pela crise das dívidas soberanas na União Europeia apresentaram mais uma vez, recordes históricos e negativos em suas taxas de desemprego. Em Portugal, o índice geral alcançou 17,7% no mês de março, o que significa 952,2 mil pessoas sem trabalho, segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística). Na Grécia, com dados de fevereiro fornecidos pela Elstat, esse número chegou a 27% da população ativa, afetando 64,2% dos jovens no país.

Entre os portugueses, mais 29 mil ficaram desempregados nos três primeiros meses de 2013, uma piora de 3,1% na comparação com dezembro de 2012. A diferença em relação a março do ano passado sobe para 16,2%. A projeção do Ministério das Finanças é a de que a taxa de desemprego chegue a 19% no final do ano.

Esse levantamento não inclui pessoas desempregadas que declararam não ter procurado vagas nos últimos 30 dias. Se fossem consideradas, o país já teria atingido a marca de um milhão de pessoas sem trabalho.

O número é ainda mais alarmante quando se considera a taxa de desemprego de longa duração (que inclui pessoas desempregadas há mais de um ano e que não tem direito a seguro desemprego). Nos últimos três meses, ela registrou um crescimento de 0,9 ponto percentual, atingindo já 10,4% da população ativa ou 560 mil pessoas. É a primeira vez que a barreira dos 10% foi ultrapassada neste indicador.

A tendência de aumento do desemprego entre os jovens também se manteve no primeiro trimestre de 2013, passando de 40% para 42,1%. Há um ano, este valor estava em 36,2%. Portugal se aproxima da barreira dos 50% neste indicador, que já foi ultrapassada por Espanha e Grécia.

Mais da metade das pessoas desempregadas (69,8 mil) entre março do ano passado e março deste ano têm, no máximo, o equivalente ao ensino fundamental completo no Brasil. Mais de 30 mil cursaram até o ensino secundário (médio) e 32,3 mil pessoas entre os novos desempregados têm curso superior.

Portugal ocupa a terceira pior posição na Europa em percentual e volume de pessoas desempregadas – atrás apenas dos gregos e espanhóis.

Pior resultado

Na Grécia, o desemprego de fevereiro representa um aumento de pouco mais de cinco pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foi de 21,9%.

Entre os menores de 25 anos, o novo número representa um recorde histórico: cinco pontos percentuais acima da taxa de desemprego de janeiro (59,3%) e dez acima da de fevereiro de 2012 (54,1%). Na faixa de idade de 25 a 34 anos o desemprego chega a 36,2%.

O Ministério do Trabalho da Grécia informou ontem que o número de novos contratos superou em quase 30 o de postos de trabalho perdidos em abril. No entanto, o principal partido da oposição, o esquerdista Syriza, acusou o Ministério de maquiar as estatísticas, uma vez que computaria como novos contratos os que se renovam aos empregados temporários.

Cerca de 450 mil famílias em todo o país estão com todos os membros desempregados.

(*) com informações das agência Efe, Agência Brasil e o jornal Público

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/28794/grecia+e+portugal+batem+novos+recordes+de+desemprego.shtml

Número de mortos no desabamento de Bangladesh chega a 1.006


O registro de mortes do maior desastre industrial de Bangladesh chegou a 1.006 nesta sexta-feira, depois que mais corpos foram encontrados no prédio de nove andares que desabou perto da capital Dacca.
O porta-voz do Exército, capitão Shahnewaz Zakaria, disse à AFP que o "balanço de mortes chega a 1.006", no momento em que as operações de resgate entraram no 17º dia desde que o edifício desabou na cidade de Savar, 30 quilômetros ao sudoeste de Dacca.
Zakaria disse que os operários dotados de "gruas, pás mecânicas e escavadoras" retiraram, na quinta-feira, cerca de 130 corpos em decomposição, funcionárias das confecções em sua maioria, enquanto continuavam avançando para níveis inferiores do prédio.
O oficial Siddiqul Alam Sikder, que supervisiona as operações de busca, disse à AFP que espera terminar o trabalho nesta sexta. "Falta apenas fazer a busca no subsolo", informou Sikder.
O Rana Plaza, que abrigava cinco confecções, desabou em 24 de abril, um dia depois da advertência de operários sobre enormes rachaduras nas paredes. Mais de 3.000 pessoas estavam trabalhando.
Na quinta-feira, em outra tragédia ligada às condições precárias de trabalho no setor têxtil no país, pelo menos oito pessoas morreram no incêndio de uma confecção no bairro de Darussalam de Dacca.
O incêndio, de causas ainda desconhecidas, começou de madrugada no terceiro andar de um prédio de 11 andares, onde funcionam duas confecções.
Presas em uma escada, as vítimas morreram por asfixia pela "fumaça tóxica emitida pelo tecido sintético", explicou à AFP o diretor de Operações dos Bombeiros de Bangladesh, Mahbubur Rahman.
O proprietário da fábrica de suéteres Tung Hai está entre as vítimas. "O incêndio foi importante, mas conseguimos reduzi-lo para um único andar", contou Rahman.
O setor têxtil é fundamental para a economia de Bangladesh, gerando US$ 29 bilhões de receita ao ano. Em 2012, correspondeu a 80% das exportações do país. Os baixos salários e a abundante mão de obra tornam o segundo maior produtor de roupas do mundo, atrás apenas da China.
Há anos, as ONGs denunciam as péssimas condições de trabalho e as normas de segurança dessa indústria no país. Os incêndios costumam ser frequentes nas cerca de 4.500 confecções de Bangladesh. Em novembro de 2012, pelo menos 111 pessoas morreram em um incêndio em uma empresa têxtil.
Na quarta-feira, o governo de Bangladesh anunciou o fechamento de 18 fábricas têxteis em Dacca e Chittagong, a segunda cidade do país, depois de se comprometer com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a tomar medidas imediatas para reforçar a segurança nas fábricas.
Também na quarta-feira, um grupo de especialistas da ONU pediu às grandes marcas internacionais do setor que não deixem Bangladesh, e sim que cooperem com o governo, com as organizações internacionais e com a sociedade civil para melhorar as condições trabalhistas.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

18 policiais são presos por envolvimento com mortes e tráfico


Eles não têm ligação com denúncias de que policiais estejam envolvidos em assassinatos de moradores de rua


Dezoito policiais militares de Goiás foram presos nesta quinta-feira, acusados de envolvimento em crimes como homicídios e tráfico de drogas. As prisões foram feitas pela Polícia Civil do Estado que deu início à operação Dilúvio na madrugada de hoje, como parte da operação nacional PC27, que acontece em todo o País. A Operação Dilúvio acontece simultaneamente em 33 municípios goianos e prendeu, além do policiais, 83 suspeitos.

Os militares foram presos na cidade de Goianira, a cerca de 20 quilômetros da capital, Goiânia. Aproximadamente 500 policiais civis foram escalados para, com o apoio da Polícia Militar, cumprir 160 mandados de prisão e de busca e apreensão no Estado.
Segundo a assessoria da Secretaria Estadual da Segurança Pública e Justiça, as prisões dos militares não têm qualquer ligação com as denúncias de que policiais estejam envolvidos em assassinatos de moradores de rua ou no desaparecimento de pessoas, após abordagem policial. Os casos foram registrados na região metropolitana de Goiânia.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PASTOR MARCOS É PRESO ACUSADO DE ESTUPRO

Investigação, que durou um ano, aponta a participação de Marcos Pereira, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, em quatro estupros, além de quatro homicídios, envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro; ele foi pego na noite desta terça-feira


O pastor Marcos Pereira da Silva, da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, foi preso na Rodovia Presidente Dutra, em São João de Meriti, Baixada Fluminense, na noite desta terça-feira (7) acusado de cometer estupros. A investigação, que durou um ano, ainda aponta a participação de Marcos Pereira em mais quatro estupros, quatro homicídios, além de envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Esses últimos três crimes baseados em denúncias do coordenador do Afroreggae, José Júnior.
De acordo com informações da Dcod, o pastor realizaria 'orgias' no apartamento de Copacabana, avaliado em R$ 8 milhões. A maior parte das vítimas seria fiéis da igreja, chamadas até o local para a realização de cultos, em que Marcos Pereira, com ações violentas, obrigava as mulheres a fazerem sexo com ele e com outros homens da igreja. Também haveria sexo de mulheres com mulheres e homens com homens.
Das seis vítimas, três teriam sido atacadas quando eram menores de idade. Os crimes foram denunciados na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Em um dos seis casos de estupro, a vítima seria a sua própria ex-mulher, Ana Madureira da Silva, que também revelou ter sofrido abuso sexual. Os dois ficaram casados até 1998.
Um dos homicídios que o pastor está sendo acusado seria de uma jovem que descobriu as 'orgias' e teria tentado fazer denúncias. De acordo com o delegado da Dcod, Márcio Mendonça, um sobrinho de Marcos Pereira também está envolvido no assassinato.
Na sede da delegacia, o pastor Marcos Pereira não quis falar com a imprensa. No entanto, atendendo ao seu chamado, cerca de 30 dos seus seguidores foram até o local, além de seis advogados.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

América Latina: As mãos dos EUA sobre a região


A administração Obama não aceita que a região mudou e objetiva afastar governos de esquerda; também o Brasil precisa se manter vigilante
Acontecimentos recentes indicam que a administração Obama intensificou sua estratégia de "mudança de regime" contra os governos latino-americanos à esquerda do centro, promovendo conflito de maneiras que não eram vistas desde o golpe militar apoiado pelos EUA na Venezuela em 2002.
O exemplo mais destacado é o da própria Venezuela na última semana. No momento em que este artigo está sendo impresso, Washington está mais e mais isolada em seus esforços para desestabilizar o governo recém-eleito de Nicolás Maduro.
Mas a Venezuela não é o único país vitimado pelos esforços de Washington para reverter os resultados eleitorais dos últimos 15 anos na América Latina.
Está claro agora que o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo, no ano passado, também teve a aprovação e o apoio do governo dos Estados Unidos.
Num trabalho investigativo brilhante para a agência Pública, a jornalista Natalia Viana mostrou que a administração Obama financiou os principais atores do chamado "golpe parlamentar" contra Lugo. Em seguida, Washington ajudou a organizar apoio internacional ao golpe.
O papel exercido pelos EUA no Paraguai é semelhante a seu papel na derrubada militar, em 2009, do presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, caso no qual Washington dominou a Organização de Estados Americanos e a utilizou para combater os esforços de governos sul-americanos que visavam restaurar a democracia.
Na Venezuela, na semana passada, Washington não pôde dominar a OEA, mas apenas seu secretário-geral, José Miguel Insulza, que reiterou a reivindicação da Casa Branca (e da oposição venezuelana) de uma recontagem de 100% dos votos.
Mas Insulza teve de recuar, como teve de fazer a Espanha, única aliada importante dos EUA nessa empreitada nefanda, por falta de apoio.
A exigência de uma recontagem na Venezuela é absurda, já que foi feita uma recontagem das cédulas de papel de uma amostra aleatória de 54% do sistema eletrônico. O total obtido nas máquinas foi comparado à contagem manual das cédulas de papel na presença de testemunhas de todos os lados. Estatisticamente falando, não existe diferença prática entre essa auditoria enorme já realizada e a recontagem.
Jimmy Carter descreveu o sistema eleitoral da Venezuela como "o melhor do mundo", e não há dúvida quanto à exatidão da contagem.
É bom ver Lula denunciando os EUA por sua ingerência, e Dilma juntando sua voz ao resto da América do Sul para defender o direito da Venezuela a eleições livres.
Mas não apenas a Venezuela e as democracias mais fracas que estão ameaçadas pelos EUA.
Conforme relatado nas páginas deste jornal, em 2005 os EUA financiaram e organizaram esforços para mudar a legislação brasileira com vistas a enfraquecer o PT. Essa informação foi descoberta em documentos do governo americano obtidos graças à lei americana de liberdade de informação. É provável que Washington tenha feito no Brasil muito mais e siga em segredo.
Está claro que os EUA não viram o levemente reformista Fernando Lugo como um elemento ameaçador ou radical. O problema era apenas sua proximidade excessiva com os outros governos de esquerda.
Como a administração Bush, a administração Obama não aceita que a região mudou. Seu objetivo é afastar os governos de esquerda, em parte porque tendem a ser mais independentes de Washington. Também o Brasil precisa se manter vigilante diante dessa ameaça à região.

Cão de guarda dos EUA ataca Síria


Israel bombardeia Damasco mais uma vez. Rússia reage


O ataque de Israel à Síria na sexta-feira à noite parece ter sido somente o prólogo de um bombardeio de grandes proporções em Damasco, a capital do país árabe. Pouco antes das duas da madrugada deste domingo, 5 de maio, aviões israelenses invadiram o espaço aéreo sírio e atiraram cerca de 12 mísseis perto do monte Qasioun (veja aqui http://youtu.be/f_j8ID-m1pUe aqui http://youtu.be/e84pVGsP6YU), a menos de 20 quilômetros do centro de Damasco e onde se localiza o centro de pesquisa científico-militar de Jamraya.

O ataque, segundo uma fonte dos serviços de inteligência ocidentais ouvida pela agência de notícias Reuters, teve como alvo 100 mísseis Fateh, supostamente armazenados em Jamraya, que também supostamente seriam enviados ao Hezbollah, grupo militar da resistência libanesa, vindos do Irã. 

Outra fonte afirmou à rede russa RT que o bombardeio também visou atingir a 104ª e a 105ª brigadas da Guarda da República Síria.

Abdallah Mawazini, jornalista que vive em Damasco, declarou que quatro explosões foram ouvidas na capital, “fazendo todas as casas tremerem”. A poeira se espalhou pela cidade e os moradores acordaram, “correndo para a rua, em pânico”. Testemunhas afirmaram que o ataque, sem precedentes, lembrava “um terremoto”. O cheiro forte e a asfixia sentida pelos habitantes levou alguns especialistas a suspeitar que os mísseis atirados por Israel conteriam material radioativo.

As primeiras notícias informaram que cerca de dois civis e 300 militares sírios perderam a vida no bombardeio, e que várias casas foram atingidas. A vista privilegiada do monte Qasioun – de onde se vê toda Damasco – levou para a região milhares de pessoas e dezenas de restaurantes, sempre cheios. O local também é carregado de simbolismo religioso: diz-se que Adão, personagem bíblico considerado o primeiro homem, viveu numa caverna situada na encosta do monte; que Abrão e Jesus costumavam rezar ali e que aquele foi o lugar onde Caim matou Abel. Diz-se também que as preces feitas no Qasioun são sempre atendidas.

Caças abatidos e reação russa
William Parra, jornalista da TeleSur, publicou no Twitter que o Exército sírio teria derrubado dois caças israelenses e conseguido capturar os pilotos. As TVs de Israel confirmaram que a força aérea do país perdeu contato com dois aviões (essa informação ainda não foi confirmada oficialmente).

A reação da Rússia não tardou: segundo a agência de notícias Interfax, um navio russo deixou o Mar Negro com destino ao porto de Tartur, na Síria. Na outra ponta do conflito, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyhau, parte na tarde de domingo para uma visita de cinco dias à China, outra aliada da Síria. Em pauta, além de assuntos econômicos, a discussão dos conflitos na região.

domingo, 5 de maio de 2013

O novo flagelo da África se chama Edir Macedo

Seu império ascendente nos países lusófonos é a prova de que tudo o que é ruim sempre pode piorar.


Se, como quer aquele pastor de cabelo lambido, a África é amaldiçoada, já se sabe qual é o seu maior flagelo hoje: as igrejas pentecostais – especialmente a Igreja Universal do bispo Macedo.
Em seu plano de expansão mundial, a chamada IURD encontrou um terreno fértil na África lusófona. Em Angola e Moçambique (onde foi apelidada “igreja dos ladrões), os cultos lotam estádios para 50 mil pessoas, sempre com gente do governo. No dia 31 de dezembro do ano passado, 16 pessoas morreram e 120 ficaram feridas num tumulto em Luanda durante uma certa “Vigília da Virada – Dia do Fim”, uma picaretagem que prometia acabar com “todos os problemas que estão na sua vida: doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja e olho grande”. Depois de dois meses impedida de operar por causa de “propaganda enganosa”, a IURD reabriu em 1º de abril. Acredita-se que as boas relações com o governo foram fundamentais para que a suspensão caísse.
De acordo com o jornalista e ativista Rafael Marques, o presidente angolano José Eduardo dos Santos, do MPLA (no poder desde 1975), teria conexões com a igreja. Marques afirma que a Universal angaria votos para o MPLA e ajuda a lavar dinheiro.
Segundo o site religioso The Revealer, “em Moçambique, tal como em outros lugares, o credo da Universal tem levado à bancarrota alguns dos seus crentes. Os fiéis têm deixado chaves de carros, títulos de propriedade e salários no altar, na esperança de alcançar um milagre prometido, apenas para abandonar a Igreja meses ou anos depois sentindo-se enganados”.
Os pastores, muitos deles importados do Brasil, fazem aquele circo clássico de exorcismos, “milagres”, ataques a deuses africanos e à “feitiçaria”. Pagando o dízimo, fica tudo em casa. Se aqui a Universal dispõe de poder político, lá não é diferente. Num evento no final de 2011, com mais de 500 mil espectadores, estavam o então primeiro ministro moçambicano, Aires Ali, o ministro da Justiça e o ministro dos Desportos e Cultura.
Edir Macedo não se manifestou publicamente sobre a tragédia em Luanda. Mas apareceu há dias na revista Bloomberg numa extensa reportagem sobre seu império. “Do ponto de vista de minha fé em Jesus Cristo, eu sou o homem mais rico do mundo”, disse cinicamente, por email, ao repórter Alex Cuadros. Sua fortuna é estimada em 1,2 bilhão de dólares. Tudo graças à teologia da prosperidade, a aberração que foi definida pelo próprio Macedo de maneira sucinta: “O Deus desse mundo é o dinheiro”. Ele mesmo continua: “Uma oferta é um investimento. Aquele que dá tudo, recebe tudo de Deus. É inevitável. É toma lá, dá cá”.
Lá como cá, a IURD é dona, em Moçambique, do canal de TV mais popular, de um jornal que está entre os mais lidos e de emissoras de rádio. No final dos anos 90, um jornalista chamado Carlos Cardoso escreveu uma série de artigos argumentando que as práticas financeiras da Universal se assemelhavam mais às de uma empresa do que às de uma igreja e por isso ela deveria recolher impostos. Não deu em nada, naturalmente.
Pobre África, tão longe de Deus, tão perto do bispo Macedo.

STF paga viagem de jornalista do Globo

O STF DEVE PAGAR VIAGENS? E O GLOBO DEVE ACEITAR?

Eis um caso inaceitável de infração de ética de mão dupla

Um asterisco aparece no nome da jornalista do Globo que escreve textos sobre Joaquim Barbosa em falas na Costa Rica.
Vou ver o que é o asterisco.
E dou numa infração ética que jamais poderia acontecer no Brasil de 2013.
A repórter viaja a convite do Supremo.
É um dado que mostra várias coisas ao mesmo tempo.
Primeiro, a ausência de noção de ética do Supremo e do Globo.
Viagens pagas já faz tempo, no ambiente editorial mundial e mesmo brasileiro, são consensualmente julgadas inaceitáveis eticamente.
Por razões óbvias: o conteúdo é viciado por natureza. As contas do jornalista estão sendo bancadas pela pessoa ou organização que é central nas reportagens.
Na Abril, onde me formei, viagens pagas há mais de vinte anos são proibidas pelo código de ética da empresa.
Quando fui para a Editora Globo, em 2006, não havia código de ética lá. Tentei montar um, mas não tive nem apoio e nem tempo.
Tive um problema sério, na Globo, em torno de uma viagem paga que um editor aceitou.
Era uma boca-livre promovida por João Dória, e o editor voltou dela repleto de brindes caros, outro foco pernicioso de corrupção nas redações.
Fiquei absolutamente indignado quando soube, e isso me motivou a fazer de imediato um código de ética na editora.
Surgiu um conflito do qual resultaria minha saída. Dias depois de meu desligamento, o editor voltou a fazer outra viagem bancada por Dória, e desta vez internacional.
Bem, na companhia do editor foi o diretor geral da editora, Fred Kachar, um dos maiores frequentadores de boca livre do circuito da mídia brasileira.
Isto é Globo.
De volta à viagem de Costa Rica.
Quando ficou claro que viagens pagas não podiam ser aceitas eticamente, foi a Folha que trouxe uma gambiarra ridícula.
A Folha passou a adotar o expediente que se viu agora no Globo: avisar que estava precaricando, como se isso resolvesse o caso da prevaricação.
A transparência, nesta situação, apenas amplia a indecência.
A Globo sabe disso. Mas quando se trata de dinheiro seus limites morais são indescritivelmente frouxos.
Durante muito tempo, as empresas jornalísticas justificaram este pecado com a alegação de que não tinham dinheiro suficiente para bancar viagens.
Quem acredita nisso acredita em tudo, como disse Wellington. Veja o patrimônio pessoal dos donos da Globo, caso tenha alguma dúvida.
É ganância e despudor misturados – e o sentimento cínico de que o leitor brasileiro não repara em nada a engole tudo.
Então a Globo sabe que não deveria fazer o que fez.
E o Supremo, não tem noção disso?
É o dinheiro público torrado numa cobertura jornalística que será torta moralmente, é uma relação promíscua – mídia e judiciário – alimentada na sombra.
Para usar a teoria do domínio dos fatos, minha presunção é que o Supremo não imaginava que viesse à luz, num asterisco, a informação de que dinheiro do contribuinte estava sendo usado para bancar a viagem da jornalista do Globo.
Como dizia meu professor de jornalismo nas madrugadas de fechamento de revista, quando um texto capital chegava a ele e tinha que ser reescrito contra o relógio da gráfica, a quem apelar?

Portugal: pacote de cortes atinge Administração Pública

O Governo vai aumentar horários de trabalho, rescindir contratos e 'requalificar' trabalhadores: milhares de funcionários serão dispensados e, à requalificação, nem professores universitários e médicos escapam.


São uma dúzia de medidas apresentadas hoje ao País pelo primeiro ministro para conter a despesa do Estado e para vigorarem nos próximos quatro anos. Mas, muitas das medidas são para avançar já.
Três diplomas estão prontos para discussão com os sindicatos da Administração Pública e visam directamente uma redução do número de funcionários públicos. O Governo pretende dispensar, no período de uma Legislatura, 100 mil.
Os diplomas referem-se ao sistema de requalificação dos trabalhadores do Estado, ao processo de rescisões de contratos e ao levantamento dos suplementos remuneratórios praticados na administração pública.
Os representes dos trabalhadores do Estado foram chamados pelo Governo para reuniões na próxima segunda-feira, no Ministério das Finanças, em Lisboa, a fim de iniciar o obrigatório processo de negociações.
http://expresso.sapo.pt/pacote-de-cortes-atinge-administracao-publica=f804537#ixzz2SSinzZw7

Primeiro de Maio é marcado por protestos na Europa


O 1º de Maio foi marcado por protestos na Europa, grande parte por insatisfação em relação às medidas adotas para enfrentar a crise no continente. Houve manifestações em Portugal, Espanha, França, Alemanha e Grécia neste último país combinada com uma greve geral.
A greve geral, programada para durar 24 horas, é a segunda deste ano na Grécia, onde o feriado do Dia do Trabalho foi transferido para a próxima semana por coincidir com a Páscoa ortodoxa. Nesta quarta-feira, hospitais operaram apenas com funcionários de emergência, o transporte público foi severamente afetados e órgãos oficiais permaneceram fechados. Os dois maiores sindicatos do país são contra as medidas de arrocho adotada pelo governo, em especial a que prevê o corte de mais de 15 mil empregos no setor público até o fim de 2014.
Na Espanha, sindicatos convocaram protestos em mais de 80 cidades. Na França, além das manifestações das uniões trabalhistas, o bloco de extrema direita Frente Nacional, de Marine Le Pen, realizou uma marcha no centro de Paris. "O país está afundando em uma política de austeridade sem fim", disse Le Pen durante o protesto.
Na Alemanha, estima-se que centenas de milhares de pessoas tenham ido às ruas de várias cidades nesta quarta-feira em protestos convocados por sindicatos.
"O grande número de participantes envia um sinal claro neste ano eleitoral: este continente não pode ser destruído pela austeridade. Quem quer salvar a Europa deve começar do zero economicamente e estabilizar o Estado social", disse em Berlim Michael Sommer, presidente da Federação de Sindicatos Alemães (DGB).
As manifestações de 1º de Maio aconteceram em geral de forma pacífica na Europa. A exceção foi em Istambul, onde um protesto terminou em confronto entre manifestantes e policiais. Dezenas de pessoas ficaram feridas e mais de 70 foram detidas.
Também houve manifestações na Ásia. Em Bangladesh, milhares de trabalhadores saíram às ruas para voltar a exigir pena de morte para os proprietários das fábricas de confecção do prédio que ruiu, há uma semana, causando mais de 400 mortes.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Presidente da Bolívia expulsa agência dos EUA acusada de ingerência e conspiração

Evo Morales afirmou que a decisão se baseia no fato de que "não há mais espaço para a mentalidade de dominação"

O presidente da Bolívia, Evo Morales, determinou nesta quarta-feira (01/05) a suspensão das atividades e a expulsão dos integrantes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (cuja sigla em inglês é Usaid). Morales acusa a organização de ingerência política nos sindicatos de camponeses e entidades sociais, além de conspiração contra o governo. A Bolívia expulsou em 2008 o embaixador dos EUA a agência de combate às drogas DEA pelo mesmo motivo.

Os EUA lamentaram a expulsão da agência e rejeitaram as acusações "infundadas" feitas ao seu trabalho, informou a AFP. Após cinco anos de tentativas de normalizar as relações entre ambos os países, "esta iniciativa é mais uma demonstração de que o governo boliviano não está interessado nessa visão", disse ontem o porta-voz do Departamento de Estado, Patrick Ventrell, em uma entrevista coletiva à imprensa.

A Usaid atuava no país há 40 anos, desenvolvendo projetos em setores como saúde e meio ambiente. "Decidimos expulsar a Usaid da Bolívia, que saia a Usaid da Bolívia, peço ao irmão chanceler [David Choquehuanca] que comunique imediatamente à Embaixada dos Estados Unidos”, disse o presidente no discurso do Dia do Trabalho.

Documentos confidenciais dos EUA, revelados pelo Wikileaks, mostraram que Washington utilizava a Usaid na Bolívia para fomentar a divisão entre movimentos sociais, principalmente indígenas -- base de sustentação do apoio a Evo. 

“Seguramente pensaram que aqui se poderia manipular politicamente e economicamente [os bolivianos], mas esses são tempos passados”, acrescentou Morales. Ele reiterou que o objetivo é manter relações de igualdade entre a Bolívia e os EUA, mas, segundo o presidente, não há mais espaço para a mentalidade de dominação.

“Seremos um pequeno país, mas igual, e merecemos respeito. A expulsão da Usaid é também um protesto ao chanceler [John Kerry], que disse que a América Latina é um quintal dos Estados Unidos”, disse Morales.

A Usaid está na Bolívia desde 1964 e atua na promoção de projetos de saúde pública, desenvolvimento sustentável e meio ambiente. Em novembro de 2008, o governo Evo Morales deu a mesma ordem para os integrantes da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (cuja sigla é DEA). Na ocasião, a acusação foi semelhante à da Usaid.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/28659/presidente+da+bolivia+expulsa+agencia+dos+eua+acusada+de+ingerencia+e+conspiracao.shtml

Fome matou 258 mil pessoas na Somália (ONU)


A fome matou cerca de 260.000 somalis de outubro de 2010 a abril de 2012, a metade deles criança, durante uma grave crise alimentar, para a qual a resposta humanitária é insuficiente, denuncia um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação publicado nesta quinta-feira.
"A fome e a grave insegurança alimentar na Somália foram responsáveis pela morte de cerca de 258.000 pessoas entre outubro de 2010 e abril de 2012, entre as quais 133.000 crianças menores de cinco anos", conclui este relatório da FAO e da Rede de Alerta contra a Fome (Fews-Net), financiada pela Agência Americana para o Desenvolvimento (USAID).
De acordo com esta primeira estimativa científica, "4,6% da população total e 10% das crianças menores de cinco anos morreram nas regiões sul e central da Somália".
Em Baixo Shabelle, Mogadíscio e Bay, as mais atingidas, a crise alimentar causou a morte de respectivamente 18%, 17% e 13% das crianças menores de cinco anos.
A fome causou "30.000 mortos por mês entre maio e agosto de 2011", indica o estudo.
A crise alimentar foi declarada em julho de 2011 nas duas regiões da Somália e, em seguida, no resto do país nos meses seguintes. A ONU anunciou estado de alerta de fome em fevereiro de 2012, advertindo que um terço da população somali ainda necessita de ajuda alimentar emergencial.
O número citado pelo estudo se soma aos 290.000 mortos registrados durante o período de estudo, entre os quais os morto no conflito da Somália.
O balanço de vítimas da fome é maior do que durante a crise alimentar de 1992 no país, que supostamente matou 220.000 pessoas em doze meses, embora "a crise anterior seja considerada mais grave, porque nela morreram um percentual maior da população".
Os resultados do estudo, dirigido pelo epidemiologista e um demógrafo, "indicam que o que tem acontecido na Somália é uma das piores crises de fome dos 25 anos", considerou Chris Hillbruner, conselheiro do Fews-Net, citado em um comunicado conjunto com a FAO.
Resposta humanitária tardia
A fome na Somália de 2011-2012 afetou cerca de quatro milhões de pessoas, ou metade da população somali.
Provocada principalmente por uma grave seca no Cifre da África, foi agravada pela catastrófica situação de insegurança no país, mergulhado no caos e na guerra civil desde a queda do presidente Siad Barre, em 1991.
"Os efeitos da seca foram agravados por diferentes fatores, incluindo a escassa ajuda humanitária e o aumento dos preços alimentícios", escreveram os autores do estudo. Também mencionam uma "crise alimentar prolongada somada ao conflito armado, catástrofes naturais e condições econômicas desfavoráveis".
Eles consideram "indiscutível que a resposta humanitária à fome foi tardia demais e que o acesso da ajuda às populações afetadas foi insuficiente, consequência da insegurança generalizada e restrições operacionais em várias agências de ajuda humanitária".
A Somália é disputada desde 1991 pelas milícias de clãs de senhores da guerra, grupos islâmicos e gangues criminosas.

Operação prende 45 PMs e seis policiais civis no Rio por cobrar propina


Agentes da SSINTE (Subsecretaria de Inteligência) da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro realizam, nesta terça-feira (30), a Operação Compadre, com objetivo de cumprir 78 mandados de prisão (entre eles 53 contra policiais militares, sete contra policiais civis e 18 contra civis) e outros 78 mandados de busca e apreensão. Até as 17h, 45 PMs, seis policiais civis e 14 civis haviam sido presos. Os denunciados são acusados dos crimes de formação de quadrilha, concussão e roubo.
A partir das investigações da SSINTE e da Corregedoria da Polícia Militar, que duraram seis meses, foi constatado o envolvimento de policiais civis e militares na cobrança de propina de camelôs e mototaxistas ilegais nos bairros de Honório Gurgel, na zona norte, e Bangu, na zona oeste. Mais cedo, a Polícia Militar havia informado que sete policiais civis foram presos, mas corrigiu a informação.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou que todos os policiais envolvidos deverão ser expulsos da corporação. "Não vejo outra resposta a não ser a demissão de todas essas pessoas. As acusações são graves, e a composição da prova é de qualidade", disse ele. "[Corrupção policial] é um problema sério e crucial no Brasil. Infelizmente, o agente público que tem que defender a população se aproveita da condição de servidor público para auferir para si ganhos indevidos."
Segundo as investigações, os réus exigiam de camelôs e mototaxistas, por meio de ameaças com armas, determinadas quantias de dinheiro: os comerciantes que trabalhavam com mercadorias "pirateadas" (DVDs, aparelhos eletrônicos, telefones celulares, roupas e relógios usados) eram coagidos a pagar R$ 70, divididos em duas parcelas de R$ 35 cobradas todas as quartas e quintas-feiras; já dos vendedores de mercadorias lícitas era cobrada a quantia de R$ 5, sempre às sextas e sábados. Além disso, mercadorias apreendidas de forma irregular eram revendidas a outros feirantes.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Roberto Carlos é o rei da censura?

Como o maior cantor popular do Brasil se transformou numa máquina de proibir livros sobre ele

Roberto Carlos é o chamado control freak. Sempre foi, mas piorou nos últimos anos. Sua obsessão por controlar sua imagem é notória e o leva a tomar decisões absurdas, na melhor das hipóteses, ou autoritárias, na pior. Cercado de agentes que o protegem de tudo, ou tentam protege-lo, Roberto vive num mundo de fantasia, uma casca de ovo que ele pretende inexpugnável.

A nova de RC e seu time foi a notificação extrajudicial ordenando o recolhimento de um livro chamado Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude, de Maíra Zimmermann. É a tese de mestrado de Maíra, professora da FAAP, e fala do surgimento do, na opinião da autora, mercado consumidor adolescente nos anos 60. Tiragem: mil exemplares. Mil.

Os advogados do cantor alegam que ele traz detalhes sobre a trajetória de sua vida e de sua intimidade e que a capa “contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da Jovem Guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”. Seu empresário declarou à Folha que recebe todo mês vários casos desse tipo e que “já passa direto para o escritório jurídico”.

A nova de RC e seu time foi a notificação extrajudicial ordenando o recolhimento de um livro chamado Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude, de Maíra Zimmermann. É a tese de mestrado de Maíra, professora da FAAP, e fala do surgimento do, na opinião da autora, mercado consumidor adolescente nos anos 60. Tiragem: mil exemplares. Mil.

Os advogados do cantor alegam que ele traz detalhes sobre a trajetória de sua vida e de sua intimidade e que a capa “contém caricatura do notificante e dos principais integrantes da Jovem Guarda sem que eles nem sequer fossem notificados”. Seu empresário declarou à Folha que recebe todo mês vários casos desse tipo e que “já passa direto para o escritório jurídico”.

Em 2007, ele já havia proibido a boa biografia Roberto Carlos em Detalhes, de Paulo César de Araújo, com os mesmos argumentos. Roberto se cerca de gente amedrontada que segue essa omertá. Há dois anos, numa matéria para a revista Alfa, o repórter Marcelo Zorza Netto entrevistou um músico de sua banda. Durante algumas semanas, ele ligou para a redação, preocupadíssimo com o que havia contado sobre Roberto (uma história sobre uma manifestação do TOC, o transtorno obsessivo compulsivo de que RC sofre).

Para Roberto, a amputação de sua perna, na altura da canela direita, aos 6 anos, é um tabu que ganhou dimensões gigantescas. Em sua melhor fase, meados dos anos 70, ele mesmo abordou esse drama na canção O Divã. O roteiro de seu famoso cruzeiro leva sua condição em consideração. Os shows precisam acontecer em águas calmas para que ele não se desequilibre. Mas isso não pode ser dito (aliás, foi dito numa reportagem da Viagem e Turismo. A antiga assessora de imprensa passou também alguns dias telefonando).

Por isso as entrevistas de Roberto são sempre insossas. Sua participação no documentário Uma Noite em 67, sobre um festival da Record, é frustrante. Ele não sabia de nada, ele não tem nada a dizer que não seja protocolar. Faz uma piada sobre o fato de que havia uma turma organizada para vaiá-lo quando defendeu sua música, Maria, Carnaval e Cinzas, dando sua clássica risada. Só. Existe um acerto anterior de não se tocar em qualquer assunto que não seja de seu agrado. Não é que ele seja recluso ou avesso à mídia. Ele aparece bastante na Caras ou na Contigo, mas sempre do jeito que quer.


Você pode achar que Roberto Carlos, bem, quem se importa com Roberto Carlos? Isso é uma questão. Outra, bem diferente, é como o maior cantor popular do Brasil virou um campeão da censura. Ele afirma que está preparando sua biografia. Maravilha, bicho. Uma coisa é certa: de tudo o que ele não vai dizer, suas proibições maníacas a livros não serão encontradas em página alguma.

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/04/roberto-carlos-censura-livro.html