domingo, 18 de setembro de 2011

Um comandante da CIA para os rebeldes da Líbia

Por Patrick Martin.

O Conselho Nacional da Líbia, o grupo baseado em Benghazi, que fala para as forças rebeldes que combatem o regime de Gaddafi, nomeou um antigo colaborador da CIA para dirigir suas operações militares. A seleção de Khalifa Hifter, um ex-coronel do exército da Líbia, foi relatado por McClatchy Newspapers quinta-feira e que o novo chefe militar foi entrevistado por um correspondente da ABC News na noite de domingo.

Chegada Hifter em Benghazi foi primeiramente relatada por Al Jazeera em 14 de março, seguido por um retrato lisonjeiro no tablóide virulentamente pró-guerra britânico Daily Mail em 19 de março. O Daily Maildescreveu Hifter como uma das "duas estrelas militar da revolução", que "tinha voltado recentemente do exílio nos Estados Unidos a emprestar as forças terrestres dos rebeldes alguma coerência tática." O jornal não se referir a suas conexões CIA.

McClatchy Newspapers publicou um perfil de Hifter no domingo. Intitulado "Líder rebelde Nova passou a maior parte do Passado 20 anos no Suburban Virginia", observa o artigo que ele era uma vez um comandante para o regime de Kadhafi, até que "uma aventura desastrosa militar no Chade no final de 1980."

Hifter então passou para a oposição anti-Gaddafi, acabou emigrando para os Estados Unidos, onde viveu até duas semanas atrás, quando ele retornou à Líbia para assumir o comando em Benghazi.

O perfil de McClatchy concluiu: "Desde que chegou aos Estados Unidos no início de 1990, Hifter viveu na Virgínia suburbana nos arredores de Washington, DC." É citado um amigo que "disse que não sabia exatamente o que fez Hifter para se sustentar, e que principalmente Hifter focada em ajudar sua grande família. "

Para aqueles que podem ler entre as linhas, este perfil é uma indicação do papel dissimulado Hifter como um agente da CIA. De que outra forma um alto comandante líbio ex-militar entre os Estados Unidos no início de 1990, poucos anos após o atentado de Lockerbie, e depois resolver perto da capital dos EUA, exceto com a autorização e assistência ativa de agências de inteligência dos EUA? Hifter realmente viveu em Viena, Virgínia, cerca de cinco milhas da sede da CIA em Langley, há duas décadas.

A agência estava muito familiarizado com o trabalho político e militar do Hifter. Um relatório do Washington Post de 26 de marco de 1996 descreve uma rebelião armada contra Gaddafi na Líbia e usa uma variante de pronúncia do seu nome. O artigo cita testemunhas à rebelião que relatam que "o seu líder é o coronel Khalifa Haftar, de um grupo contra-estilo baseado nos Estados Unidos chamado Exército Nacional da Líbia."

A comparação é do "contra" forças terroristas financiados e armados pelo governo dos EUA na década de 1980 contra o governo sandinista na Nicarágua. O escândalo Irã-Contras, que abalou a administração Reagan em 1986-87, envolveu a exposição de armas ilegais vendas nos EUA para o Irã, com o produto utilizado para financiar os contras, desafiando a proibição do Congresso. Democratas do Congresso encobriu o escândalo e rejeitou os apelos para o impeachment de Reagan para patrocinar as atividades flagrantemente ilegal de uma quadrilha de ex-agentes de inteligência e assessores da Casa Branca.

Um livro de 2001, africaines Manipulações, publicado pelo Le Monde diplomatique, traça a conexão CIA ainda mais para trás, para 1987, relatando que Hifter, em seguida, um coronel do exército de Gaddafi, foi capturado combates no Chade, em uma rebelião líbio-backed contra o-EUA governo apoiado Hissène Habré. Ele desertou para a Frente de Salvação Nacional da Líbia (LNSF), o principal anti-Gaddafi grupo, que tinha o apoio da CIA norte-americana. Ele organizou sua própria milícia, que operava no Chade até Habré foi derrubado por um rival franco-suportado, Idriss Déby, em 1990.

De acordo com este livro, "a força Haftar, criada e financiada pela CIA no Chade, desapareceu no ar com a ajuda da CIA pouco depois de o governo foi derrubado por Idriss Déby." O livro também cita um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos 19 dezembro, 1996 que o governo dos EUA estava fornecendo ajuda financeira e militar para o LNSF e que um número de membros LNSF foram transferidos para os Estados Unidos.

Esta informação está disponível para qualquer pessoa que realiza uma busca na Internet, mesmo superficial, mas não tem sido relatado pela mídia corporativa controlada nos Estados Unidos, exceto na expedição de McClatchy, o que evita qualquer referência à CIA. Nenhuma das redes de televisão, ocupada louvando os "combatentes da liberdade" do leste da Líbia, se preocupou em informar que estas forças estão agora comandado por um colaborador de longa data dos serviços de inteligência dos EUA.

Nem os liberais e "esquerda" entusiastas da intervenção norte-europeus na Líbia tomaram nota. Eles estão muito ocupados saudando a administração Obama por sua multilateral e "consultiva" para a guerra, supostamente tão diferente da unilateral e "cowboy" abordagem da administração Bush no Iraque. Que o resultado é a mesma morte e destruição chover sobre a população, o atropelamento da soberania e independência de um ex-país significa nada-colonial a estes apologistas do imperialismo.

O papel do Hifter, acertadamente descreveu há 15 anos como líder de um "grupo de contra-estilo," demonstra as forças de classe real de trabalho na tragédia da Líbia. Seja qual for a oposição popular genuína foi expressa na revolta inicial contra a ditadura corrupta Gaddafi, a rebelião foi seqüestrado pelo imperialismo.

A intervenção dos EUA e Europa na Líbia não é destinada a transpor a "democracia" e "liberdade", mas ao instalar no stooges poder da CIA que vai governar tão brutalmente como Gaddafi, permitindo que as potências imperialistas para saquear recursos de petróleo do país e use a Líbia como base de operações contra as revoltas populares que varre o Oriente Médio e Norte da África.

http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://empirestrikesblack.com/2011/03/a-cia-commander-for-the-libyan-rebels/&ei=4pJ2Tp2XKbKHsALur72LBQ&sa=X&oi=translate&ct=result&resnum=7&sqi=2&ved=0CFIQ7gEwBg&prev=/search%3Fq%3Dkhalifa%2Bhifter%26hl%3Dpt-BR%26biw%3D1024%26bih%3D673%26prmd%3Dimvns

As cobaias humanas de Israel

Médicos denunciam uso de novas armas contra população de Gaza, provocando mutilações, queimaduras e ferimentos

Escrito por: Baby Siqueira Abrão, de Ramallah (Palestina)

O garoto de 13 anos joga futebol com os amigos na tarde ensolarada. De repente, aviões israelenses surgem no céu. Os meninos não têm tempo nem de correr: um míssil cai sobre eles.

A ambulância chega rapidamente e os leva ao hospital Al-Shifa, o maior da Cidade de Gaza, a capital da Faixa de Gaza. Alguns dos garotos estão inconscientes. Outros estão mortos.

Dias depois, o médico Ayman Al Sahbani, diretor do departamento de emergências do hospital, mostra o menino de 13 anos na cama de um cubículo cheio de aparelhos médicos. Vários pontos do corpo, todo coberto por faixas brancas, estão plugados nos aparelhos. Uma perna apoia-se numa espécie de mesinha de ferro. Os braços estendem-se ao lado do corpo. Só os braços. As mãos foram perdidas no ataque israelense.

“Quando o pessoal do socorro o trouxe, pensei que ele estivesse morto. Então o ouvi gritar: ‘Ai, mamãe!’. Levei-o de imediato para a sala de cirurgia e o operei. Várias vezes. Já faz cinco dias, e ele continua vivo. Tem queimaduras terríveis e estilhaços de metal por todo o corpo. Será que vai poder jogar futebol de novo? Não tenho ideia.”

Ninguém sabe quem é o garoto. E essa é uma situação comum nos hospitais. Os feridos chegam, queimados, mutilados, os corpos perfurados por pedaços de metal, e são atendidos por médicos e enfermeiros exaustos, angustiados, tentando fazer com que o pouco material de que dispõem seja suficiente para todos.

Novas armas

Ali, no setor de emergência cheirando a antisséptico, o ruído dos ventiladores mistura-se ao bipe dos monitores e aos passos apressados dos profissionais cuja tarefa é salvar as vidas daqueles que chegam. A identidade dos feridos é o que menos importa nessa hora.

“As vítimas, em sua maior parte, são mulheres e crianças”, explica o médico Al Sahbani. “Vítimas civis”, ressalta. “Chegam aos pedaços, alguns queimados de tal modo que se tornam irreconhecíveis. Há 20 crianças aqui, com ferimentos que nunca vi, nem na Operação Chumbo Fundido, quando observei pela primeira vez as queimaduras provocadas pelo fósforo branco. As armas de agora são piores, causam lesões terríveis, despedaçam pés, pernas, mãos, enchem os corpos com centenas de pequenas peças de metal.”

Operação Chumbo Fundido foi o nome dado aos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que causaram cerca de 1.500 mortes, em sua grande maioria, de civis.

Al Sahbani continua, depois de uma pausa: “Meu filho de 11 anos me pergunta por que isso acontece, por que Israel nos ataca assim. O que posso responder a ele?”.

Uma das respostas possíveis seria cruel demais para uma criança: Israel está testando, mais uma vez, suas novas armas em alvos vivos. Em seres humanos que há mais de 60 anos vivem sob ocupação israelense, e que antes disso sofreram massacres e expulsões, e viram suas casas e cidades serem destruídas ou tomadas por grupos paramilitares sionistas.

Como lembrou o diretor do departamento de emergências do hospital Al-Shifa, não é a primeira vez que essas substâncias são experimentadas na população de Gaza. Israel admitiu o uso do fósforo branco em 2006 e em 2008- 2009, na Operação Chumbo Fundido. O que os sionistas não contaram, porém, foi a adição de metais tóxicos ao fósforo branco.

Metais cancerígenos

Mas o New Weapons Committee (NWRG), grupo de pesquisadores, acadêmicos e profissionais de mídia que estuda os efeitos das novas tecnologias de guerra, descobriu e divulgou. Embora a mídia corporativa não tenha dito uma única palavra sobre isso, o relatório do NWRG foi publicado em maio de 2010 e está à disposição de quem quiser consultá-lo:www.newweapons.org/files/20100511pressrelease_eng.pdf.

De acordo com o informe, análises em tecidos humanos enviados ao comitê por médicos de Gaza, retirados de “ferimentos provocados por armas que não deixam fragmentos nos corpos das vítimas”, encontraram “metais tóxicos e cancerígenos, capazes de produzir mutações genéticas. [...] Isso mostra que foram utilizadas armas experimentais, cujos efeitos ainda são desconhecidos”.

A pesquisa seguiu dois estudos anteriores do NWRG. O primeiro, publicado em 17 de dezembro de 2009, estabeleceu a presença de metais tóxicos em áreas ao redor das crateras provocadas pelo bombardeio israelense na Faixa de Gaza. O último, publicado em 17 de março de 2010, apontou a presença de metais tóxicos em amostras de cabelo de crianças da região.

Ambos indicam contaminação ambiental, agravada pelas condições de vida naquele território, que propiciam o contato direto com o solo. Os abrigos expostos ao vento e à poeira, devido à impossibilidade de reconstrução das moradias – Israel não permite a entrada de materiais de construção e ferramentas necessárias – também facilitam o contato com as substâncias tóxicas espalhadas no ambiente.

Danos à saúde

O trabalho, realizado pelos laboratórios das universidades Sapienza de Roma (Itália), Chalmers (Suécia) e Beirute (Líbano), foi coordenado pelo NWRG e comparou 32 elementos encontrados nos tecidos das vítimas. “A presença de substâncias tóxicas e cancerígenas nos metais detectados nos ferimentos é relevante e indica riscos diretos para os sobreviventes, além da possibilidade de contaminação ambiental”, diz o relatório.

“Alguns dos elementos encontrados são cancerígenos (mercúrio, arsênio, cádmio, cromo, níquel e urânio); outros são potencialmente carcinogênicos (cobalto e vanádio); e há também substâncias que contaminam fetos (alumínio, cobre, bário, chumbo e manganês). Os primeiros podem produzir mutações genéticas, os segundos podem ter o mesmo efeito em animais (ainda não há comprovação em seres humanos), os terceiros têm efeitos tóxicos sobre pessoas e podem afetar também o embrião ou o feto em mulheres grávidas”, alerta o documento.

Há mais, segundo o relatório de 2010: “Todos os metais, encontrados em quantidades elevadas, têm efeitos patogênicos em humanos, danificando os órgãos respiratórios, o rim, a pele, o desenvolvimento e as funções sexuais e neurológicas”.

Paola Manduca, professora e pesquisadora de genética da Universidade de Gênova e porta-voz do NWRG, comentou, referindo-se às análises do material recolhido em 2006 e 2008-2009: “Concentramos nossos estudos nos ferimentos provocados por armas que, segundo os médicos de Gaza, não deixavam fragmentos. Queríamos verificar a presença de metais na pele e na derme. Suspeitava- se que esses metais estivessem presentes nesse tipo de armas [que não deixam fragmentos], mas isso nunca tinha sido demonstrado. Para nossa surpresa, mesmo as queimaduras provocadas por fósforo branco contêm alta quantidade de metais. Além disso, a presença desses metais nas armas implica que eles se dispersaram no ambiente, em quantidades e com alcance desconhecidos, e foram inalados pelas vítimas e por aqueles que testemunharam os ataques. Portanto, constituem um risco para os sobreviventes e para as pessoas que não foram diretamente atingidas pelo bombardeio”.

Testes bélicos

Um risco de longo alcance: um dos metais utilizados, o urânio, radioativo, é utilizado em usinas nucleares e na produção de bombas atômicas. Ele tem vida útil de aproximadamente 4,5 bilhões de anos (urânio 238) e 700 milhões de anos (urânio 235).

Em relação aos ataques atuais, de agosto de 2011, pesquisadores do NWRG comentaram, ao ver imagens de feridos, transmitidas por uma estação de TV de Gaza, que o exército israelense parecia utilizar as mesmas armas da Operação Chumbo Fundido. Engano. As de agora são mais devastadoras, segundo o médico Ayman Al Sahbani, do hospital Al-Shifa.

E permitem concluir que a nova investida contra Gaza não está ligada apenas à tentativa de tirar os indignados israelenses dos noticiários ou de deter os foguetes que brigadas como a Jihad Islâmica atiram no sul de Israel. Os ataques também servem ao propósito de observar os efeitos da mistura de novas substâncias, às quais se acrescentou a tecnologia das bombas de fragmentação.

O médico Al-Sahbani deplora a situação, pedindo que o mundo todo conheça o drama de Gaza e faça algo para detê-lo. “Somos humanos e só queremos viver com liberdade, trabalhar corretamente, ver nossos filhos crescerem livres, como em outros países”, declara. “Em outros países, as crianças jogam futebol, nadam em piscinas sem o risco de ser bombardeadas, amputadas e mortas, como acontece em Gaza. Que tipo de vida é esse para uma criança?” (com informações de Julie Webb- Pullman, do portal Scoop Independent News, diretamente de Gaza)

http://www.cut.org.br/destaque-central/46062/as-cobaias-humanas-de-israel

Presidente do TST defende imediata divulgação dos acidentes de trabalho de 2010

Escrito por Leonardo Severo l CUT

“Esse é um sério fator impeditivo de políticas públicas mais firmes e prontas nessa área”, afirmou Dalazen


O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, cobrou a divulgação de dados estatísticos atualizados sobre os acidentes de trabalho no Brasil, lembrando que os dados oficiais referentes ao ano passado “ainda não são conhecidos”, o que acaba se tornando “um sério fator impeditivo de políticas públicas mais firmes e prontas nessa área”.

Em sua intervenção no 1º Encontro dos Gestores do Programa Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, realizado quinta-feira (8), no TST, Dalazen manifestou preocupação com “o notório recrudescimento observado nos índices estatísticos oficiais sobre acidentes de trabalho no Brasil”, que mais do que duplicaram oficialmente, “se confrontarmos os números de 2001 (340.251) e 2009 (723.542)”.

No Dia de Mobilização Nacional da CUT, 10 de agosto, o presidente da Central, Artur Henrique, foi recebido em audiência no TST onde defendeu a relevância da campanha de prevenção desenvolvida pelo Tribunal. A CUT também vem reiterando a necessidade da imediata contratação dos 220 auditores fiscais do trabalho concursados, não só para reduzir drasticamente o número de acidentes, mas também para combater o trabalho escravo e infantil.

VÍTIMAS SE MULTIPLICAM

Em nosso país, ressaltou Dalazen, “somente em 2009 houve registro de 49 casos diários de acidente de trabalho de que resultou ou morte ou invalidez permanente”, num total de 2.496 mortes no ano. “É importante ter presente, no entanto, que esses dados estatísticos, conquanto oficiais, estão sobremodo desatualizados e não retratam plenamente o fenômeno em nosso país”. Além de darem uma “pálida imagem” do problema que “reveste-se de muito maior gravidade”, observou Dalazen, “os dados estatísticos disponíveis dizem respeito somente a acidentes de trabalho em que sejam vítimas trabalhadores segurados da Previdência Social. Não incluem, pois os milhões de trabalhadores informais, os casos freqüentes de subnotificações e os acidentes no funcionalismo público”.

Ninguém ignora, frisou o presidente do TST, que “algumas empresas evitam emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) em virtude das consequências jurídicas e econômicas desta emissão, tais como 1) obrigatoriedade de continuar depositando o FGTS enquanto o empregado estiver com o contrato de trabalho suspenso; 2) garantia de emprego do acidentado até um ano após a suspensão do benefício previdenciário ou 3) porque a emissão da CAT pode significar a produção de prova para o reconhecimento de uma indenização por dano material ou moral pela Justiça do Trabalho, em decorrência do infortúnio”.

Na avaliação do presidente do TST, é uma situação que “tende a agravar-se ainda mais com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em andamento e as inúmeras outras obras de construção civil em execução”. Apenas para ilustrar, disse, no primeiro semestre de 2011 o número de acidentes de trabalho com vítima fatal na construção civil foi praticamente o dobro do número registrado em 2010.

Ao chamar a atenção para os “índices alarmantes de acidentes de trabalho” e os “inúmeros e perversos efeitos desse verdadeiro flagelo social”, o presidente do TST defendeu a necessidade urgente de adoção de políticas públicas efetivas para enfrentar o crescimento da tragédia.

‘PERDAS HUMANAS IRREPARÁVEIS”

Afinal, esclareceu, “trata-se, em primeiro lugar, de perdas humanas irreparáveis e de todos os dolorosos efeitos sociais e familiares daí advindos, quando não de uma incapacidade laboral ou sequela permanente”. Em segundo lugar, “de pesado ônus para o erário: segundo dados do governo federal, os acidentes e doenças do trabalho custam, anualmente, R$ 10,7 bilhões aos cofres da Previdência Social, através do pagamento do auxílio-doença, auxílio-acidente e aposentadorias”. E, em terceiro lugar, “de um elevadíssimo impacto econômico para as empresas e que se projeta evidentemente no PIB nacional”.

Diante da gravidade da situação, enfatizou, a hora clama por uma conjugação de esforços de todos, mas, “em particular, dos poderes públicos, e das Instituições e das entidades a que o infortúnio no trabalho está direta ou imediatamente afeto”. “Precisamos, com urgência, evitar novas vítimas potenciais de acidentes de trabalho em nosso país. Sabemos que, em geral, os acidentes do trabalho não acontecem: são causados, culposa ou dolosamente”, enfatizou.

O TST realizará de 19 a e 21 de outubro o 1º Seminário sobre Prevenção de Acidentes de Trabalho, que deve potencializar esta ação tão importante, considerada primordial pela atual administração do Tribunal.

http://www.cnq.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=20631

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

MPF denuncia Edir Macedo por evasão de divisas

Líder da Igreja Universal e três dirigentes também foram denunciados por formação de quadrilha

Solange Spigliatti - estadão.com.br

O bispo Edir Macedo Bezerra, líder religioso da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e outros três dirigentes da entidade foram denunciados nesta segunda-feira, 12, pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem dinheiro e evasão de divisas, formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato contra fiéis para a obtenção de recursos para a IURD. Eles são acusados de pertencer a uma quadrilha usada para lavar dinheiro da IURD, remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos por meio de uma casa de câmbio paulista, entre 1999 e 2005.

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Segundo a assessoria de imprensa da Igreja Universal, os representantes jurídicos do bispo Edir Macedo ainda não tiveram acesso à denúncia, por isso não podem se pronunciar. "Tudo indica, pelo que a mídia está veiculando, que se tratam das mesmas acusações de sempre contra os dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, que sempre se mostraram inverídicas", disse a assessora em resposta ao Estadão.com.br.

Os quatro também são acusados do crime de falsidade ideológica por terem inserido nos contratos sociais de empresas do grupo da IURD composições societárias diversas das verdadeiras. O objetivo dessa prática era ocultar a real proprietária de diversos empreendimentos, qual seja, a Iurd.

Os três dirigentes da igreja denunciados são o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa.

Segundo a denúncia, do procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, o dinheiro era obtido por meio de estelionato contra fiéis da IURD, por meio do "oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja".

O Procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira também encaminhou cópia da denúncia à área Cível da Procuradoria da República em São Paulo, solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da IURD.

O Caso. O Ministério público investiga desde 2003 o envio para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões.

Na ocasião, revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.

Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos - ele alega inocência.

Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo - o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.

Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.

Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.

De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como "Universal Church". Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,mpf-denuncia-edir-macedo-por-evasao-de-divisas,771537,0.htm

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de setembro

Amigos/as, compartilho o vídeo que segue no link do youtube.
É para lembrar que existem outros "11 de setembro", e que o mundo dá voltas, e os lobos em pelo de cordeiro um dia também sentem na pele a guerra irrompendo no seu quintal; a mesma guerra que eles mesmos fomentam e mantém no mundo todo... distante de seu quintal, é claro!
Compartilho porque também me cansa ouvir as notícias lá do norte, ecoando através dessa imprensa "americanizada", imbecilizada e medíocre, transformando em vítimas quem sempre foi algoz.
Infelizmente pessoas morrem quando a guerra se impõe à razão.
Mas não somos de todo inocentes... e os estadunidenses não estão nem aí para as guerras que seu país fomenta, desde que seus empregos estejam garantidos, sua economia equilibrada, seu poderia fortalecido, os outros países submissos... e principalmente, que a guerra fique longe de seu quintal. E nos iludem com iPad, Hollywood, Disneylandia... é o "pão e circo" mais universalizado que conheço!
O que plantaram, colheram... e nós, hoje, os tranformamos em vítimas... deles próprios... quem treinou e financiou Saddam Hussein, Bin Laden, Pinochet, entre outros? A física nos ensina que para cada ação existe uma reação igual e contrária!
Sugiro que assistam ao vídeo que segue no link... são apenas 10 minutinhos... mas vale a pena assistir a reflexão até o final!

Wellyngton Chaves Monteiro da Silva

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Rebeldes da Otan prometeram 35% do petróleo líbio à França

O ministro do Exterior francês, Alan Juppé, quis justificar o crime: “a operação na Líbia é muito dispendiosa"


Escrito por: Leonardo Severo


Uma carta datada de 3 abril dirigida pelos “rebeldes” do autointitulado Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia ao emir do Catar explicita de forma categórica os reais motivos que levaram os governos da França e da Inglaterra a se empenharem tanto - e a mobilizarem suas agências de “notícias” - para demonizar o governo de Muamar Kadafi e justificar a agressão à rica nação norte-africana.

Publicada pelo jornal “Liberation” às vésperas do encontro dos países “muy amigos” da Líbia - que reuniu governos agressores e alguns incautos em Paris no dia 1º -, a carta esclarece que os mercenários do CNT se comprometeram a destinar à França nada menos do que 35% da produção de petróleo em troca do seu reconhecimento como “governo legítimo”.

Diz a carta-promessa dos “rebeldes” da Otan ao emir: “E quanto ao acordo sobre o petróleo fechado com a França em troca do reconhecimento na cúpula de Londres, como representante legítimo da Líbia delegamos o irmão Mahmoud [Shamman, “ministro” de meios de comunicação do CNT] para que firme esse pacto que atribui 35% do total do petróleo bruto aos franceses em troca do respaldo total e permanente a nosso Conselho”. Representantes de 61 países atenderam à intimação de Sarkozy para assistir a partilha do petróleo do povo líbio entre os cabeças da Otan.

Ao ser questionado sobre a carta publicada no “Liberation”, o ministro do Exterior francês, Alan Juppé, desconversou, mas sem deixar de admitir a preferência: “Não estou ciente dessa carta. O que eu sei é que o CNT disse muito oficialmente que, com relação à reconstrução da Líbia, daria preferência àqueles que ajudaram o país. Isso parece lógico para mim”. Juppé também justificou o percentual: “A operação na Líbia é muito dispendiosa. É também um investimento no futuro”.

Incomodado com a voracidade do apetite manifestado pelos franceses, o ministro do Exterior da Inglaterra, William Hague, reagiu, ameaçando taxativo: “as empresas britânicas não ficarão para trás”.

Em entrevista à rádio RTL, Alain Juppé defendeu ainda que se coloque rapidamente nas mãos dos seus agentes do CNT todos os recursos que necessitar para “estabilizar” a situação. “Precisamos ajudar o Conselho Nacional de Transição porque o país está devastado, a situação humanitária é difícil e existe uma falta de água, eletricidade e combustível”, disse o criminoso humanitário.

A expectativa de franceses, ingleses e estadunidenses é que a Comissão de Sanções da ONU aprove imediatamente a liberação de um quinto do total de ativos líbios - de cerca de 7,6 bilhões de euros - atualmente confiscados na França, e também os recursos semelhantes de fundos líbios existentes nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Obviamente tais montantes seriam “reinvestidos” para que as empresas destes países trabalhassem na reconstrução da Líbia – que está tendo suas cidades devastadas pelos bombardeios “cirúrgicos” em hospitais, creches e escolas, levando ao colapso sua infraestrutura.

A “desinteressada ajuda” do emir do Catar preparou terreno à invasão da Otan por meio da sua rede de televisão, a Al-Jazira, que vinha alegando que o governo Kadafi estava bombardeando e massacrando civis nas ruas de Benghazi, o que tornaria necessária e urgente uma rápida “intervenção humanitária”. Conforme denunciou o embaixador do Brasil na Líbia, George Ney de Souza Fernandes, “não houve bombardeio algum. Isso foi um bombardeio noticioso da Al-Jazira”.

O mesmo emir foi parceiro do presidente francês Nicolas Sarkozy nas inúmeras entregas secretas de armas aos mercenários do CNT, transgressão que só foi admitida oficialmente no mês de julho, após consumada a ação golpista.

Como se reeditassem a Partilha da África, quando na segunda metade do século 19 as potências europeias retaliaram o continente, sangrando suas riquezas e escravizando seus povos, os países imperialistas se lançam como chacais no assalto à Líbia. O país é o quarto maior produtor de petróleo da África – e o de melhor qualidade – detentor de uma reserva de 60 bilhões de barris, dono de imensas reservas subterrâneas de água, de mais de um bilhão e 500 milhões de metros cúbicos de gás, ocupando uma posição estratégica no mundo árabe e no centro do Mediterrâneo.

Autor de Coração das Trevas e Nostromo, duas obras magistrais sobre aquele infame período que os imperialistas tentam reeditar, o inglês James Conrad lembra que “a administração deles era mera extorsão e nada mais... Agarravam o que podiam, e simplesmente porque estava ali para ser agarrado. Era simples assalto com violência, agravado com assassinato em alto grau e praticado às cegas pelos homens – como é próprio daqueles que tateiam na escuridão”.

http://www.cut.org.br/destaque-central/45951/rebeldes-da-otan-prometeram-35-do-petroleo-libio-a-franca?utm_source=cut&utm_medium=email&utm_term=informacut&utm_campaign=informacut

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"A CIA se converteu em uma organização paramilitar"

Em entrevista à Carta Maior, o historiador e cientista político Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira aponta a ação clandestina de forças especiais dos Estados Unidos, Inglaterra e França nos conflitos da Líbia e Síria e critica a política externa do governo Barack Obama que usa os direitos humanos para justificar intervenções em qualquer parte do mundo. "A CIA mais e mais se torna uma força paramilitar, deixando de ser uma agência de espionagem e coleta de inteligência. Os drones, aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes e civis em vários países", afirma Moniz Bandeira.

Leia a seguir a entrevista concedida por email pelo professor Moniz Bandeira à Carta Maior, desde a Alemanha. Nela, entre outras coisas, ele defende que "a questão dos direitos humanos e defesa das populações civis virou uma panacéia que serve para que os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha violem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrem populações civis, como o fizeram na Líbia". Além disso, sustenta, o presidente Obama pretende continuar, por outros meios, a política do presidente George W. Bush, mudando o conceito da OTAN e contrariando o próprio tratado que a criou, ao dar-lhe capacidade de polícia global.

Carta Maior: Qual sua avaliação sobre a participação das grandes potências ocidentais, especialmente, Estados Unidos, Inglaterra e França nos conflitos da Líbia e da Síria. Há uma mesma lógica atuando nos dois casos?

Moniz Bandeira – Não se trata de teoria conspiratória. Mas parece que uma há lógica na sucessão de levantes, que começaram na Tunísia, em dezembro de 2010, depois, simultaneamente, se estenderam ao Egito e à Síria, em 25/26 de janeiro de 2011, e à Líbia, em 17 de fevereiro. As condições econômicas, sociais e políticas estavam maduras. Em todos esses países, há enorme taxa de desemprego, afetando grande parte da juventude, extrema pobreza, inflação, alta dos preços dos alimentos e o ressentimento político provocado pela repressão das ditaduras.

Está provado, porém, que militares das forças especiais dos Estados Unidos, Inglaterra e França, vestidos como árabes, os false-flaggers, i. e., um “illegal team”, com identidade de outros países, de modo que não sejam identificados como ingleses, americanos ou franceses, estão agindo abertamente na Líbia e não se pode descartar a possibilidade de que agentes da CIA e do M16 estejam também na Síria. É muito pouco provável que as manifestações de protestos, iniciadas em 26 de janeiro, ainda continuem e enfrentem, diariamente, dura repressão, oito meses depois, sem que recebam encorajamento e algum apoio da Santa Aliança – Estados Unidos, Inglaterra e França.

O WikiLeak há poucos meses revelou um despacho secreto, da Embaixada dos Estados Unidos em Damasco, sobre “Next Steps For A Human Rights Strategy”, informando que, de 2005 até setembro de 2010, os Estados Unidos, com os recursos do Middle East Partnership Initiative (MEPI), tinham destinado secretamente aos grupos da oposição, na Síria, um montante de US$ 12 milhões, bem como financiado a instalação de um canal de TV via satélite, transmitindo para dentro do país programas contra o regime de Bashar al-Assad.

Carta Maior - Além desse encorajamento estrangeiro, que outros fatores estariam contribuindo para alimentar os protestos na Síria?

Moniz Bandeira - Há fortes fatores religiosos. A maioria da população, na Síria, é salafista, uma das correntes fundamentalistas do Islã, que pretende restabelecer os primitivos princípios religiosos do Corão. É similar ao wahhabismo, doutrina defendida por Muhammad ibn Abd-al-Wahhab e prevalecente, na Arábia Saudita. Bashar al-Assad, porém, é um alauita, outro segmento do Islã, que dissimula sua doutrina com a taqiyya, uma prática xiita, seita islâmica dominante no Irã e da qual mais se aproxima. Os alauitas constituem apenas 10% da população da Siria, mas dominam e controlam todo o aparelho do Estado há várias décadas, pelo menos desde os anos 1970, quando Hafez al-Assad, do Partido Ba’ath, assumiu a presidência da Síria.

O Partido Ba’ath, fundado em Damasco, em 1946, mesclava ideais igualitários, socializantes, interesses nacionalistas e objetivos pan-árabes, contrários à política imperialista das potências ocidentais. Alguns dos seus ramos surgiram em outros países do Oriente Médio, como o Iraque, onde deteve o poder até a queda de Sadam Hussein, em 2003.

Carta Maior - A Síria tem pouco petróleo. Qual ou quais os interesses dos Estados Unidos, França e Inglaterra na derrubada do regime de Bashar al-Assad?

Moniz Bandeira – Esses países têm interesses estratégicos, como, por exemplo, assumir o controle de todo o Mediterrâneo e isolar politicamente o Irã, que está aliado à Síria, bem como restringir a influência de Rússia e China no Oriente Médio. A Rússia, desde 1971, opera o porto de Tartus, na Síria, e projeta reformá-lo e ampliá-lo, como base naval, em 2012, de modo que possa receber grandes navios de guerra, garantindo assim sua presença no Mediterrâneo. Consta que a Rússia também planejava instalar bases navais na Líbia e no Yemen. E, conforme se pode deduzir do telegrama da Embaixada dos EUA em Damasco, publicado pelo WikiLeaks, tudo indica que o financiamento da oposição, na Síria, desde 2005, pelo menos, visou à derrubada do regime de Bashar al-Assad, de modo a impedir o aprofundamento, no âmbito naval, de suas relações com a Rússia.

Daí que dificilmente os Estados Unidos conseguirão estender à Síria a mesma estratégia que desenvolveu na Líbia, juntamente com a Grã-Bretanha e a França. A Rússia, ainda percebida pelos Estados Unidos como seu grande rival, e a China opõem-se até mesmo às sanções contra o regime de Bashar al-Assad.

Carta Maior - Neste contexto, como pode ser entendida a doutrina do presidente Barack Obama no que se refere à política externa dos EUA?

Moniz Bandeira – Em discurso pronunciado na George Washington University, em 28 de março de 2011, o presidente Obama declarou que, mesmo não estando a segurança dos americanos diretamente ameaçada, a ação militar pode ser justificada – no caso de genocídio, por exemplo – e os Estados Unidos podem intervir, mas não atuarão isoladamente. Sua doutrina, ele ainda delineou, claramente, em discurso pronunciado no Parlamento britânico, durante a visita de Estado que fez ao Reino Unido, entre 24 e 16 de maio de 2011. O presidente Obama disse que “we do these things because we believe not simply in the rights of nations; we believe in the rights of citizens”. E mais adiante declarou que carece de peso o argumento segundo o qual “a nation’s sovereignty is more important than the slaughter of civilians within its borders” e reafirmou que “nós” pensamos de modo diferente, aceitamos uma responsabilidade maior , i. e. que a comunidade internacional deve atuar quando um líder está ameaçando massacrar seu povo.

Tais palavras significam que os Estados Unidos, juntamente com a Grã-Bretanha e França, não mais respeitarão as normas do Direito Internacional, estabelecidas desde o Tratado de Westphalia, com base nos princípios de soberania do Estado nação, e poderão intervir em qualquer país, a pretexto de razões humanitárias ou de defesa da população civil, mas para defender seus interesses econômicos e estratégicos. Assim os chefes de governo dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, se quiserem, podem alegar defesa da população indígenas ou do meio ambiente e invadir a Amazônia.

A questão dos direitos humanos e defesa das populações civis virou uma panacéia que serve para que os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha violarem os direitos humanos, com rigorosos embargos comerciais, e massacrar populações civis, como o fizeram na Líbia. Também o que pretende o presidente Obama, a continuar, por outros meios, à política do presidente George W. Bush, é mudar o conceito da OTAN, contrariando o próprio tratado que a criou, e dar-lhe capacidade de polícia global (global cop) para enfrentar as “novas ameaças”, como "terrorism and piracy, cyber attacks and ballistic missiles”.

Isto significa que a OTAN deixará de ser uma organização de defesa da Europa Ocidental, objetivo de sua criação no tempo da Guerra Fria, e tornar-se-à um instrumento de agressão, pronta para intervir em todos os continentes, com ou sem autorização da ONU. As sanções contra a Síria são iguais às que foram aplicadas contra a Líbia, logo no início da rebelião. É a primeira forma de intervir num conflito interno em qualquer outro país, onde o governo, que não convém à Santa Aliança, reprima as manifestações para derrubá-lo. Mas evidentemente que as manifestações populares contra as ditaduras na Arábia Saudita, Bahrein e Jordânia, clientes dos Estados Unidos, não podem esperar qualquer ajuda.

Carta Maior - Qual seria mais especificamente essa estratégia dos Estados Unidos no Oriente Médio e norte da África e quais as forças especiais estariam atuando na Líbia e, provavelmente, na Síria?

Moniz Bandeira - A estratégia atual dos Estados Unidos, implementada pelo presidente Obama, que bem mereceu o Prêmio Nobel da Paz, é ampliar o uso de drones, aviões armados e manejados eletronicamente pela CIA, para matar supostos terroristas, militantes da al-Qa’ida e Talibans, bem como centenas de civis desarmados atingindo-os, como o faz, na Líbia, Afeganistão, Paquistão e Yemen. Essa é a nova tarefa da CIA, que mais e mais se torna uma força paramilitar, deixando de ser uma agência de espionagem e coleta de inteligência. Os drones (General Atomics MQ-1 Predator) esses aviões sem pilotos, teleguiados pela CIA, já mataram, desde 2001, mais de 2.000 supostos militantes e civis, e o Centro Contra-Terrorismo (CTC) dispõe atualmente de cerca de 2.000 empregados que trabalham na localização dos alvos e atacá-los.

O presidente Obama incrementou essas operações, sem arriscar a vida de soldados, bem como o emprego de uma outra organização militar, que matou e interrogou mais supostos terroristas e Talibans do que a CIA, desde 2001. Trata-se do Joint Special Operations Command (JSOC), à qual está subordinada a U.S. Navy SEAL’s (Sea, Air and Land Teams), integrante do Comando de Operações Especiais (USSOCOM), unidade encarregada de operações terrestres e marítimas, guerra não-convencional, resgate, terrorismo e contra-terrorismo etc. Um comando do SEAL’s recebeu a missão de assassinar Osama Bin Laden, no Paquistão, em 2 de maio de 2011. Essa é tarefa da qual o Joint Special Operations Command (JSOC) está incumbida, executando o programa desenvolvido pelo general David Petraeus, atual diretor da CIA, quando comandava as tropas americanas no Afeganistão .

O programa consiste em “kill/capture”, i. e. matar/capturar, em qualquer região do mundo, terroristas e Talibans, constantes de uma Joint Prioritized Effects List (JPEL), que inclui até americanos, com fundamento em premissa legal ou extra-legal, conforme diretriz classificada do presidente Obama. O tenente-coronel John Nagl, assessor de contra-insurgência do general David Patraeus no Afeganistão, considerou o JSOC uma maquina de matar contra o terrorismo em uma escala quase industrial ("an almost industrial-scale counterterrorism killing machine"). Trata-se, na realidade, de um comando de esquadrões da morte do Pentágono.

Comandos do SEAL’s atuaram na Líbia, assim como da Direction générale de la sécurité extérieure (DGSE), da Brigade des forces spéciales terre (BFST), subordinada ao Commandement des opérations spéciales (COS), M16 (Inteligence Service) e Special Air Service SAS (Special Air Service) como se fossem árabes, os chamados “rebeldes” não teriam avançado muito além de Benghazi. No dia 20 de agosto, dia em que acabou o jejum do Ramandan, um navio da OTAN desembarcou no litoral da Líbia com armamentos pesados, antigos jihadistas e tropas especiais do JSOC, dos Estados Unidos, BFST, da França, e SAS, do Reino Unido, sob o comando de oficiais da OTAN, que procederam à conquista de Trípoli.

O balanço da Operation Odyssey Dawn, após 100 de bombardeios da OTAN, é trágico: 6.121 civis mortos e feridos. De acordo com as estatísticas 3.093 homens foram mortos ou feridos; 260 mulheres mortas e 1.318 feridas; 141 crianças mortas e 641 feridas. A OTAN, por sua vez, informa que nos primeiros 90 dias executou um total de 13.184 saídas, entre as quais 4.963 ataques, danificando ou destruindo mais de 2.500 alvos militares, cerca de 460 instalações militares, 300 sistemas de radar depósitos, além de aproximadamente 170 locais de controle e comando, e cerca de 450 tanques. O informe não se refere aos escombros que os bombardeios deixaram nem às milhares de vítimas civis, mortos, feridos, desabrigados e refugiados.

Esse foi o resultado da Resolução 1.973, do Conselho de Segurança Nacional, autorizando a Santa Aliança (Estados Unidos, Inglaterra e França) a proteger os civis na Líbia e que ela aproveitou para legitimar o direito de intervenção humanitária, para defender seus próprios interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos no Mediterrâneo. Este é modo americano de fazer guerra (American Way of War), adotado pelo presidente Obama. Mas os objetivos são os mesmos do presidente George W. Bush, atendendo aos interesses do complexo industrial-militar. Sem agir unilateralmente, ele deseja realizá-los, transformando por meio da OTAN, de forma a repartir os custos com seus membros, principalmente Inglaterra, França e Alemanha, a fim de evitar que a guerra seja percebida como entre os Estados Unidos e a Líbia ou outro qualquer país.

Carta Maior - Qual deve ser o futuro da Líbia? O senhor acredita que Kadafi possa resistir e permanecer como um agente político influente no conflito?

Moniz Bandeira – É difícil prever. A Líbia é um é um país ainda divido em tribos e a lealdade é essencial entre seus membros. De qualquer modo, vivo ou morto, o espectro de Kadafi, como comandante ou mito, estará por trás da resistência, que mais dias menos dias começará a ocorrer, porque as tribos não aceitarão a presença de tropas estrangeiras no seu território. Porém, uma das conseqüências da “intervenção humanitária” na Líbia será provavelmente a proliferação das armas nucleares. Como muito bem observou Leonam dos Santos Guimarães, especialista em energia nuclear e assistente da presidência da Eletrobrás – Eletronuclear, a queda do regime de Kadafi faz supor que a aquisição de armas nucleares se tornará atraente para países que se sentem ameaçados pelo Ocidente.

Kadafi, em dezembro de 2003, concordou em abandonar seu programa de armas nucleares, com base em importações clandestinas de urânio natural, centrífugas e equipamentos de conversão, bem como a construção de instalações em escala piloto. Se ele tivesse avançado no seu programa de armas nucleares, a campanha de bombardeios da OTAN teria ocorrido? – perguntou Leonam dos Santos Guimarães. A resposta seria certamente não. O direito internacional só é respeitado quando certo equilíbrio de poder e as nações ameaçadas têm possibilidade de retaliar. Daí que é quase impossível impedir que o Irã desenvolva suas armas nucleares, não para atacar Israel, mas para defender-se da Santa Aliança ocidental.

Carta Maior - No caso da Síria, qual sua avaliação sobre a posição de outras nações árabes e de Israel frente esse conflito?

Moniz Bandeira – Não há informações sobre o envolvimento de outras nações árabes nem de Israel na Síria, onde ainda não há propriamente uma guerra civil, mas uma onda de protestos. Todos estão a observar o desdobramento da crise. A Síria é também um país dividido em muitas tribos e o governo conta com o respaldo do Irã, que provavelmente lhe fornece ou pode fornecer armamentos. São muito estreitas suas conexões com o Hizbollah, uma força política e paramilitar xiita, com sede no Líbano. Consta que o Hizbollah dispõe de 30.000 a 40.000 mísseis, apontadas para Israel e difícil de localizar, porque estão instalados em casas de família. Essa é uma das razões – e há outras – pelas quais nem os outros países árabes nem Israel querem envolvimento nos protestos que ocorrem na Síria.

Carta Maior - Os tambores da guerra estão soando em Israel, diante da perspectiva do reconhecimento do Estado palestino na ONU, em setembro. Há, na sua avaliação, possibilidade de uma generalização de conflitos no Oriente Médio?

Moniz Bandeira - Está previsto que Mahmoud Ridha Abbas (Abu Mazen), como presidente da Autoridade Palestina, pronunciará um discurso, na 66ª Assembléia Geral da ONU, a realizar-se entre 21 e 27 de setembro, no qual solicitará o reconhecimento do Estado palestino. A admissão de um novo membro requer o apoio de 2/3 dos Estados presentes na Assembléia Geral. Se obtiver esse quorum a Autoridade Palestina, como Estado, será admitida apenas na condição de observador, pois o reconhecimento como membro pleno depende de aprovação do Conselho de Segurança da ONU e, por conseguinte, do voto dos Estados Unidos.

Há uma enorme expectativa em Israel, com respeito à posição que os Estados Unidos tomarão na Assembléia Geral, posto que, no dia 5 de setembro, vazou para a imprensa a informação de que o ex-secretário de Defesa do presidente Barack Obama, Robert Gates, antes de aposentar-se este ano, criticou duramente o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanjahu, em reunião do National Security Council Principals Committee dos Estados Unidos. Gates chamou Israel de “an ungrateful ally” (aliado ingrato) e disse que a política de Netanyahu põe seu país em perigo, recusando-se a negociar, em meio a um crescente isolamento e o desafio demográfico, se mantém o controle da Faixa de Gaza. Presume-se que a notícia vazou, com o beneplácito de Obama, como advertência a Netanyahu.

O que se teme, em Tel Aviv, é que milhões de palestinos, exilados nos demais países árabes, marchem para as fronteiras de Israel e avancem sobre seu território, se a Assembléia Geral da ONU reconhecer o Estado palestino, ainda que como observador. Os palestinos exilados não dispõem de outra nacionalidade porque, nos anos 1950, a Liga Árabe decidiu não concedê-la, a fim de manter na agenda a necessidade de criar o Estado palestino.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18413

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Denúncias de abuso sexual podem prejudicar missão no Haiti, diz ONU

Maurício Moraes

Da BBC Brasil em São Paulo

A porta-voz da missão de paz da ONU para o Haiti (Minustah), Eliane Nabaa, reconheceu nesta segunda-feira que as acusações de abuso sexual contra um adolescente envolvendo militares do Uruguai pode causar prejuízo à relação dos “capacetes azuis” com o povo haitiano.

"É lamentável. Isso pode impactar nossa relação com os haitianos. Não podemos tolerar. Isso é muito sério. Pode impactar centenas, milhares de pessoas que têm feito um trabalho maravilhoso aqui", diz Eliane Nabaa, porta-voz da Minustah, por telefone à BBC Brasil.

O escândalo veio à tona na última semana, quando vazou na internet um vídeo feito por celular mostrando um garoto sendo supostamente abusado por militares uruguaios a serviço do ONU em uma base no sul do país.

O governo do Uruguai determinou o retorno de cinco "capacetes azuis" do país acusados de envolvimento no caso.

A porta-voz da Minustah, cujo comando militar é liderado pelo Brasil, disse que este é o primeiro caso de abuso sexual registrado pela organização.

Nabaa disse que uma comissão de inquérito está investigando o caso, que a ONU considera "inaceitável".

O caso pode aumentar a tensão entre os haitianos e as forças de paz. No ano passado, a ONU foi alvo de vários protestos durante a epidemia de cólera que matou cerca de 6 mil pessoas no país. Os "capacetes azuis" do Nepal foram acusados de disseminar a doença.

O governo uruguaio anunciou que está tomando “medidas exemplares e severas” para lidar com as acusações. Disse ainda que os acusados serão julgados e poderão ser condenados.

'Tolerância zero'

A porta-voz da Minustah disse que a ONU reagiu rapidamente às acusações de abuso assim que tomou ciência do caso, na última semana.

"A ONU tem uma política de tolerância zero com casos de exploração e abuso sexual", disse Nabaa.

No vídeo veiculado pela internet, um adolescente é imobilizado pelos militares sobre um colchão, em meio a risadas, em um aparente abuso sexual por parte dos soldados.

"As acusações são muito sérias e devem ser levadas à Justiça", disse. Nabaa não soube responder se os militares uruguaios correm o risco de serem julgados pela Justiça haitiana.

O Uruguai tem 1.2 mil militares servindo na Minustah. Na última semana, o ministro da Defesa, Eleuterio Fernandez Huidobro, classificou o caso como "aberrante".

O governo uruguaio também determinou uma investigação, que irá averiguar ainda possíveis casos de haitianas grávidas de “capacetes azuis”.

Protestos

As forças da Minustah atuam no Haiti desde 2004, quando o país mergulhou em um conflito civil após a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide.

Lideradas pelo Brasil, as forças militares se envolveram em algumas polêmicas, sendo acusadas de uso excessivo da força em algumas ocasiões.

A epidemia de cólera também prejudicou a imagem da ONU no país.

O mandado da missão de paz foi estendido no ano passado, após o país sofrer um terremoto de grandes proporções, que deixou centenas de milhares de mortos.

Apesar da presença da ONU, o país ainda vive uma situação instável. No início deste ano, os haitianos elegeram um novo presidente, Michel Martelly, que luta para se fortalecer politicamente em um cenário de grande fragilidade institucional.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110905_haiti_minustah_sexual_mm.shtml

60% dos sindicalistas assassinados no mundo são colombianos

CUT e CGT da Colômbia denunciam que 29 sindicalistas já foram mortos neste ano

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Colômbia denunciou que já foram assassinados 29 sindicalistas no país durante este ano, a maioria em zonas afetadas pelo conflito armado. O presidente da CGT, Julio Roberto Gómez, reconheceu que as ameaças e ataques contra sindicalistas continuam.

A maioria das ameaças e homicídios foram praticados por grupos paramilitares, bandos de mercenários criados pelo Estado colombiano e financiados pelo narcotráfico. Em 2005, durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, os paramilitares iniciaram uma suposta “desmobilização” em troca do rebaixamento de penas de prisão (menos de 5 anos) por delitos contra a humanidade.

Em julho do ano de 2010, a Central Unitária de Trabalhadores (CUT) da Colômbia denunciou que 60% dos sindicalistas assassinados no mundo eram colombianos. Nos últimos 10 anos foram assassinados mais de 2.778 sindicalistas, sendo cometidos mais de 11 mil atos de violência.

Tais fatos falam por si e contradizem os discursos que afirmam que no governo do atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, há uma superação às violações dos direitos, melhora nos direitos trabalhistas e consolidação do desmantelamento dos grupos paramilitares.

http://www.cnq.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=20607

A militarização da política no México

Da mesma maneira que o 11 de setembro permitiu a George W. Bush fazer da guerra o poder constituinte da nova ordem neoconservadora, a batalha contra os cartéis da droga possibilitou ao presidente do México, Felipe Calderón, tratar de afiançar e perpetuar seu governo. Mas, ao invés de enviar tropas ao Iraque e ao Afeganistão, o mandatário mexicano retirou-as de seus quartéis para tomar posições dentro do território nacional. A militarização da política forneceu a ele as ferramentas para administrar o país com medidas de exceção. O artigo é de Luis Hernández Navarro, correspondente da Carta Maior na Cidade do México.

O presidente mexicano Felipe Calderón fez da guerra contra o narcotráfico o eixo de seu governo. O combate ao crime organizado proporcionou a seu mandato uma via de legitimação que as urnas tinham negado. A militarização da política forneceu a ele as ferramentas para administrar o país com medidas de exceção. A politização da segurança pública facilitou a recomposição da cadeira de mando-obediência.

Da mesma maneira que o 11 de setembro de 2011 permitiu a George W. Bush tentar fazer da guerra o poder constituinte da nova ordem neoconservadora, a batalha contra os cartéis da droga possibilitou ao chefe do Executivo mexicano tratar de afiançar e perpetuar seu governo. Mas, ao invés de enviar tropas ao Iraque e ao Afeganistão, o mandatário mexicano retirou-as de seus quartéis para tomar posições dentro do território nacional.

O exército está nas ruas de muitas localidades do país, desempenhando funções que não correspondem às suas atribuições. Estabeleceu detenções, toques de recolher de fato e inspeções. Os comandos militares ocuparam os postos policiais. No que parece o ensaio geral do que se pensa fazer em vários estados do norte, em lugares como Ciudad Juárez e Chihuahua, vive-se uma situação muito próxima a de um estado de exceção não decretado pelo Congresso.

Seu antecessor, Vicente Fox, começou seu sexto ano de governo, em 2000, com uma festa popular. Felipe Calderón iniciou o seu, em 2006, com uma parada militar. Transcorreram quase cinco anos desde que o novo inquilino da casa presidencial assumiu o cargo e o que sobressai de seu mandato é sua predileção por uniformes militares, as fanfarras e os atos públicos com as Forças Armadas como tela de fundo.

No dia 3 de janeiro de 2007, em Apatzingán, no estado de Michoacán, onde nasceu, durante sua primeira atividade pública naquele ano, o chefe do Executivo se apresentou com um uniforme de campanha, com uma boina de cinco estrelas e o escudo nacional. Quatro meses mais tarde, no dia 8 de maio, também em Apatzingán, a foto era uma continuação da do dia 3 de janeiro: elementos do exército, utilizando veículos blindados e lança-granadas, se enfrentavam com supostos narcotraficantes.

No curto prazo, a politização da segurança pública proporcionou ao chefe do Executivo saldos positivos. As pesquisas apontam níveis de aceitação razoáveis, ainda que tenham caído sistematicamente nos últimos meses. As violentas manifestações de descontentamento social vistas em 2006 pararam de acontecer.

Entre as primeiras baixas da guerra que vivemos encontram-se os direitos humanos. O marco jurídico foi transformado a despeito deles. Na macabra conta de crimes, o assassinato de líderes sociais é mera contabilidade. A criminalização do protesto social avança a cada dia.

Não parece importar ao chefe do Executivo que, ao militarizar a política, a tenha desgastado e degradado. Não parece se preocupar, tampouco, que, em plena crise econômica, com a produção nacional estagnada, o desemprego crescendo e a válvula de escape da migração para os Estados Unidos, obstruída, suas margens de manobra se reduziram. A única saída que vislumbra é intensificar ainda mais essa guerra.

Em 2012, serão realizadas novamente eleições para a presidência da República. As pesquisas anunciam o regresso do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México ao longo do século XX. Para evitá-lo, Felipe Calderón parece disposto a utilizar a guerra contra o narcotráfico como um fator eleitoral, procurando envolver importantes membros do PRI com o crime organizado.

Em 2006, ano em que se orquestrou a fraude eleitoral para impedir a chegada de Andrés Manuel López Obrador à presidência da República, o direitista PAN e os poderes econômicos não hesitaram em polarizar o país e leva-lo à beira do enfrentamento violento. Apesar se do PRI não ser igual a López Obrador, a situação não tem por que ser distinta em 2012. Mais ainda se a rota traçada pela atual presidência é a de incrementar a presença dos militares nas ruas, mantê-los longe dos quarteis e colocá-los a fazer o trabalho de agentes civis. Nesta lógica, parece inevitável que a militarização da política no México prossiga e a violência cresça.

Tradução: Katarina Peixoto